A balbúrdia instalada neste canto miserável do planeta é tamanha que já ninguém consegue separar o trigo do joio, ou seja, ninguém é capaz de saber ao certo quem fala verdade e quem mente. Mais. A impressão que o tempo vem reforçando com desprezível vigor é que, em matéria de seriedade, ninguém está totalmente inocente.
É, principalmente através dos jornais, que os cidadãos tomam conhecimento de factos como o Freeport e podem retirar as devidas ilações, estando porém condicionadas pela credibilidade do orgão que os transmitem. Este é outro problema sobre os demais. Ainda há, apesar de tudo, jornais mais credíveis que outros, mas nem mesmo assim os podemos ler sem recorrer a uma prudente inspecção crítica.
Passamos estes últimos anos a ser espectadores pouco mais que passivos de uma das maiores conspirações da vida social do país, onde tudo se fez e inventou, para derrubar um clube de futebol através do seu timoneiro. Mesmo os mais cautelosos adeptos e admiradores de Pinto da Costa, tiveram dificuldade em se convencerem dos elementos acusatórios que choviam de todo o lado* contra ele. A parra era sempre mais farta que a uva, e estas quase sempre mirradas e sem sumo que a justificasse. De difamação em difamação, corroborada marginalmente por pessoas de cuja responsabilidade se exigia a máxima sobriedade e isenção, as terríveis suspeitas incessantemente propagadas foram-se diluindo em pouco mais que ruídos residuais.
Simultaneamente, nos bastidores do poder político e económico, outros protagonistas, com outras responsabilidades, aproveitavam a boleia persecutória sobre o virtual «D. Corleone» portista, para matar dois coelhos de uma só cajadada: permitiam que a caça ao Homem prosseguisse, esperançados que a vítima fosse abatida e que o clube do regime tirasse disso partido (o Benfica), ao mesmo tempo que iam movendo altas influências no sentido de orientarem, no segredo dos Deuses, mas faustosamente, as suas vidas privadas. Só que, o tiro saiu-lhes pela culatra, e a montanha acabou por parir, não o rato que esperavam, mas outros, bem diferentes e com maiores responsabilidades ... A montanha, afinal, está a parir sim, ratazanas, mas dos escombros da política.
Começamos finalmente a ter consciência, que o filme que o Botelho pariu, além de medíocre, devia ter cenários sulistas, com destaque para o estuário do Tejo e outro tipo de protagonistas, com mais status, para ter algum sucesso, a Norte e até, quem sabe, em todos os pontos cardeais do país...
Mas, no fim desta salada russa de intrigas, de compadrios, acusações, de informação contra-informada, resta algo de confrangedor e sórdido, que é a inevitabilidade do público meter tudo no mesmo saco e misturar os verdadeiros corruptos com simples homens de valor, como Pinto da Costa é. Efectiva e merecidamente.
* da Central de desinformação lisboeta


