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01 março, 2009

O FCPORTO DE JESUALDO

O corporativismo político ou profissional, contrariamente ao que os seus militantes supõem, não os protege, nem a eles próprios, nem à actividade que desempenham. Bem pelo contrário, torna-os, decorrentemente, cumplíces das asneiradas que muitos dos seus colegas praticam afectando toda a sociedade.
Criticar construtivamente um colega de profissão, explicar com seriedade e rigor, os aspectos negativos do seu trabalho ou das suas atitudes, pode ajudá-lo a corrigi-lo, melhorá-lo até, e a evitar também que a crítica se estenda genérica e indiscriminadamente a toda a classe. No entanto, não é isso que habitualmente acontece. Do mais irrelevante ao mais alto escalão hierárquico, a reacção óbvia, quase instintiva é defender o colega. Isso, sucede, mesmo quando alguém é acusado de crimes hediondos, como, por exemplo, os de pedofilia. E, quando o fazem de forma espalhafatosa, usando o mediatismo das televisões e jornais (como aconteceu no caso Casa Pia), agrava mais a situação.
Ocorreu-me esta realidade, depois de ter ouvido num canal de Tv (o Porto Canal) o treinador Mário Reis, homem, por sinal afável e simpático, falar sobre Jesualdo Ferreira do jogo de ontem no Dragão, do FCPorto com o Sporting, tentando sempre desculpabilizá-lo, opostamente às críticas que eram dirigidas telefonicamente ao treinador portuense por alguns adeptos portistas pela forma como conduziu a equipa azul e branca. Mário Reis, escolheu o caminho mais cómodo, que foi resumir o descontentamento dos adeptos ao facto de não terem vencido o jogo.
Francamente, considero esta maneira de analisar a reacção do público, não só pouco original, como um modo nada respeitável de aceitar e menorizar a opinião de quem, afinal, contribui mais para que o negócio do futebol não acabe, ou seja: os adeptos.
Sem pretender entrar em detalhes de tácticas e técnicas, do jogador A ou B, creio não dizer nenhuma asneira, se afirmar que o maior defeito de Jesualdo é não conseguir transmitir segurança aos adeptos e aos próprios jogadores.
A forma como os jogadores jogam, com lançamentos em profundidade algo anárquicos, é extremamente desagradável o que obriga todos os sectores da equipa a esforços acrescidos. Mesmo quando a equipa marca e está em vantagem, o público sente-se desconfortável, porque o sistema de jogo que Jesualdo privilegia, permite que o adversário (seja ele qual for) jogue à vontade até à grande área portista, onde os jogadores já em desespero de causa, procuram defender conforme podem. Não é à toa que agora, quase todas as equipas marcam no Dragão.
Isto acontece, sobretudo quando o FCPorto joga no seu estádio e tem de assumir as despesas da casa com ataque planeado, que é sistema para o qual Jesualdo não sabe, ou não quer, talhá-lo. Jesualdo Ferreira é um treinador de contra ataque, mas sem grande beleza, sem rotinas consistentes. A beleza que ocasionalmente podemos apreciar, deve-se mais a iniciativas individuais dos jogadores, do que a rotinas de jogo da equipa. Para esse estilo de jogo, o Coo Adriaanse fazia bem melhor. Também não defendia bem, mas atacava dando espectáculo, e os jogadores eram muito disciplinados (até, o Quaresma!).
Finalmente, outro aspecto que me irrita em Jesualdo, é a sua falta de pro-actvidade com os jogadores enquanto o jogo decorre. Quando as coisas não estão a correr-lhe bem, não sabe comunicar para dentro do campo em tempo útil, e procede às substituições quase sempre tardiamente e muitas vezes completamente incompreensíveis, como fazer entrar os jogadores a poucos minutos do fim. Eu não consigo entender isto.
Aconteça o que acontecer, mesmo que o FCPorto volte a ser campeão (o que começo a ter dúvidas), ninguém me convence da qualidade do futebol que este treinador é capaz de produzir.
Os adeptos, não querem ópera (como alguns patetas dizem), se quisessem, não seria num estádio de futebol que a iriam procurar... Querem só futebol, e do bom, de preferência. Se há alguém a quem devemos elogiar, face à qualidade do espectáculo que lhe tem sido oferecido por Jesualdo, esse alguém, são os portistas, que continuam a encher o estádio.
Cabe ao treinador recompensá-los pela paciência...