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29 maio, 2008

Discriminação até na publicidade à Selecção


Este comentário não é tanto para os adeptos portistas, porque esses - por razões óbvias - estão suficientemente esclarecidos, mas mais para aquelas pessoas que vêem o futebol como um fenómeno indicado para gente menor, sem qualquer valia.

Talvez esta presunção de menoridade os surpreenda se começarem a prestar um pouco mais de atenção ao futebol. Talvez se apercebam que no futebol existe uma dicriminação mais ostensiva e despreocupada do que em muitos outros sectores da vida pública. Essa descriminação tem duas faces particulares: a do insulto e da injustiça. Mais adiante explicarei porquê.
O campeonato da Europa está aí à porta e eu, que até gosto de futebol, detesto este folclore primário que a comunicação social lisboeta (não é o país, no seu todo, que domina os media) está a ensaiar junto das populações com o objectivo claro de as alienar mais do que o próprio futebol alguma vez conseguiria. A euforia é tão retrógrada e imbecilizante que os próprios suiços se espantam com tanto fogo fátuo e tratam de acautelar as devidas medidas de segurança para tanto rebuliço.

Os jornalistas lisboetas lembram-me aqueles miúdos (e graúdos) que quando têm um brinquedo novo fazem questão de o exibir aos amigos à viva força. O que eu tenho presenciado da parte de alguns envergonha-me seriamente enquanto português. Devassam a pacatez dos suiços com as perguntas mais parvas e pacóvias que se podem imaginar: "Gosta do Cristiano Ronaldo? Por quê? Não acha que ele é o melhor jogador do mundo? Tem medo dele?" Acha que Portugal vai ganhar o campeonato europeu?

Além disso, teceram considerações pouco simpáticas sobre amaneira de ser dos suiços, só porque não se deixam ir na onda lisboeto-futeboleira da idiotice e estão a tornar-se indelicados com o país anfitrião. Ora, se há coisa que nós podíamos aprender com os suiços era, por exemplo, sermos mais civilizados. Este artigo formidável de Helder Pacheco retrata o pior lado dos portugueses em geral, e dos portuenses em particular, e explica bem as causas. Aconselho vivamente a sua leitura.

Mas, os senhores jornalistas lisboetas (eles sim) totalmente alienados pela selecção, já se imaginam num patamar de superioridade tal que se esquecem que nós somos só o país mais atrasado da União Europeia, entretanto já ultrapassado pelos países caloiros da extinta esfera comunista. Pois que tenham muita paciência, mas eu não sinto Portugal dessa maneira tacanha. Nem quero. É um autentico retrocesso moral e intelectual para os cidadãos ter de ouvir as calinadas pseudo-informativas de profissionais tão rascas. Poupem-nos!

São exactamente os mesmos que ao serviço do neo-colonialismo exercem a tal descriminação de que falei no início, Promovem programas desportivos absolutamente arbitrários onde o direito ao contraditório não passa de uma miragem.

Mas, a crème de la crème da discriminação manifesta-se com fatal evidência também na publicidade. A Modelo (uma empresa do norte) e a RTP criaram um spot publicitário de apioa à Selecção onde constam jogadores como: Ronaldo, Rui Costa, Eusébio, Chalana e Futre. Destes cinco jogadores, todos, à excepção de Ronaldo, jogaram no Benfica e apenas um (que também jogou no Benfica) jogou no Futebol Clube do Porto: Paulo Futre. Nenhum jogador do FCP mereceu da FPF esta distinção publicitária, nem o exemplar Victor Baía!

Repugnante discriminação esta. Oxalá um dia seja feita justiça e tenham de pagar caro as afrontas que continuam a fazer-nos.