A vida não é uma coisa fácil, sabemos isso. Nunca o foi. Em Portugal como noutros pontos do globo, quem tiver escrúpulos e se recusar enveredar pela via do compadrio ou da marginalidade, dificilmente terá acesso a grandes facilidades. Contudo, seria gratificante podermos contar com a boa vontade dos governos para tornar o futuro dos jovens minimamente atractivo. Em vez disso, o que é que temos? Demagogia!
A comunicação social deixou de ser um suporte positivo de informação para o público. Pela manhã, mal raia o sol, ligámos a televisão e somos logo massacrados com toneladas de notícias negativas. Mais desemprego,
greves, corrupção, despedimentos, guerras, revoluções, inflacção, negócios falidos, e muito poucas notícias positivas. Chamam a isto civilização.
Se optarmos por mudar de canal, é bem provável desembocarmos num outro qualquer onde figuras públicas procuram passar por figuras de prestígio [leia-se,de competências confirmadas], debatendo a(s) crise(s) e apelando, como manda a moda, ao positivismo. Pelo meio, talvez para conferir alguma "coerência" ao discurso, vão-nos "prevenindo" que o emprego para toda a vida tem os dias contados, o que faz todo o sentido...
E os jornalistas, naquele jeito peculiar de quem se acha actor insubstituível da causa pública,vão dando corda ao populismo dos comentadores,sem se atreverem a confrontá-los com a aberração das suas sábias premonições. Sempre dá menos trabalho fazer as mesmas perguntas, das quais todos adivinham a resposta, do que confrontá-los com a sua mediocridade ideológica e desafiá-los a apresentar respostas sérias.
Seria serviço público sim, se em vez de aceitarem "soluções" simplórias e fatalistas, como essa do múltiplo emprego precário, os jornalistas lhes colocassem questões pertinentes, embaraçosas mesmo, como por exemplo: "não estará o Mundo equivocado sobre o conceito de progresso/produtividade? Afinal, a quem serve uma máquina que produz mais, em menos tempo, se o resultado acaba invariavelmente no desemprego de centenas ou milhares de seres humanos? Que importância terá afinal produzir mais e melhor se, consequentemente, essa "mais valia" acaba invariavelmente por gerar um menor poder de compra das populações? Não haverá que reformular toda esta concepção absurda e atabalhoada de desenvolvimento?
Aceitar placidamente paradigmas de regressão económica e social inconsistentes, sem ao menos os contestar,será contribuir para o progresso da Humanidade? Estarão os líderes mundiais, sem se aperceberem, a exercer discriminação com o próprio progresso? Isto é, existe empenho e capacidade para aperfeiçoar, inovar a tecnologia da máquina e não se é capaz de usar a mesma vontade para melhorar a qualidade de vida dos seres humanos?
Aceitar placidamente paradigmas de regressão económica e social inconsistentes, sem ao menos os contestar,será contribuir para o progresso da Humanidade? Estarão os líderes mundiais, sem se aperceberem, a exercer discriminação com o próprio progresso? Isto é, existe empenho e capacidade para aperfeiçoar, inovar a tecnologia da máquina e não se é capaz de usar a mesma vontade para melhorar a qualidade de vida dos seres humanos?
Colocar este tipo de questões é coisa de que ninguém se lembra, nem os jornalistas. Preferem imitar os políticos: falar, sem dizer nada. Os poderes copiam-se.


