09 março, 2011

A pirâmide que vai cair de pôdre

A vida não é uma coisa fácil, sabemos isso. Nunca o foi. Em Portugal como noutros pontos do globo, quem tiver escrúpulos e se recusar enveredar pela via do compadrio ou da marginalidade, dificilmente terá acesso a grandes facilidades. Contudo, seria gratificante podermos contar com a boa vontade dos governos para tornar o futuro dos jovens minimamente atractivo. Em vez disso, o que é que temos?  Demagogia!

A comunicação social deixou de ser um suporte positivo de informação para o público.   Pela manhã, mal raia o sol, ligámos a televisão e  somos logo massacrados com toneladas de notícias negativas. Mais desemprego,
greves, corrupção, despedimentos, guerras,  revoluções, inflacção, negócios falidos, e muito poucas notícias positivas. Chamam a isto civilização.

Se optarmos por     mudar de  canal, é bem provável desembocarmos num outro qualquer onde  figuras públicas procuram passar por figuras de prestígio [leia-se,de competências confirmadas],  debatendo a(s) crise(s) e apelando, como manda a moda,  ao positivismo. Pelo meio, talvez para conferir alguma  "coerência" ao discurso, vão-nos "prevenindo" que o emprego para toda a vida tem os dias contados, o que faz todo o sentido...

E os jornalistas, naquele jeito peculiar de quem se acha actor insubstituível  da causa pública,vão dando corda ao populismo dos comentadores,sem se atreverem a confrontá-los com a aberração das suas sábias premonições. Sempre dá menos trabalho fazer as mesmas perguntas, das quais todos adivinham a resposta, do que confrontá-los com a sua mediocridade ideológica e desafiá-los a apresentar respostas sérias.

Seria serviço público sim, se em vez de aceitarem "soluções"  simplórias e fatalistas, como essa do múltiplo emprego precário, os jornalistas lhes colocassem questões pertinentes, embaraçosas mesmo, como por exemplo: "não estará o Mundo equivocado sobre o conceito de progresso/produtividade? Afinal, a quem serve uma máquina que produz mais, em menos tempo, se o resultado acaba invariavelmente no desemprego de centenas ou milhares de seres humanos? Que importância terá  afinal  produzir mais e  melhor  se, consequentemente, essa "mais valia" acaba invariavelmente por gerar um menor poder de compra das populações? Não haverá que reformular toda esta concepção absurda e atabalhoada   de desenvolvimento?

Aceitar placidamente paradigmas de regressão económica e social inconsistentes, sem ao menos os contestar,será contribuir para o progresso da Humanidade?  Estarão os líderes mundiais, sem se aperceberem, a exercer discriminação com o próprio progresso? Isto é, existe empenho e capacidade para aperfeiçoar, inovar a tecnologia da máquina e não se é capaz de usar a mesma vontade para melhorar a qualidade de vida dos seres humanos?

Colocar este tipo de questões é coisa de que ninguém se lembra, nem os jornalistas. Preferem imitar os políticos: falar, sem dizer nada. Os poderes copiam-se.

1 comentário:

Anónimo disse...

Discursos, como este do presidente, faz parte da encenação política. todos fazem, todos dão, mas na verdade fica tudo na mesma.
Eles acabam os mandatos e ficam cada vez mais ricos, e o povo cada vez mais pobre.
Porque é que o PSD não quer neste momento ser governo!?- não é uma estratégia para beneficiar o povo!.. é para beneficiar o partido! dizem eles que ainda não é altura.
Para estes senhores não é o país que está em causa, mas sim os partidos.
São todos iguais: comunicação social, justiça, sindicatos está tudo polítizado e quem paga a fava é o povo.

O PORTO È GRANDE VIVA O PORTO