Contrariamente à decisão que tomei de não perder o meu tempo para ver um programa que auto-denominei como o Purgatório dos Políticos, a que a RTP prefere chamar Prós e Contras, ontem, por respeito à temática em questão [as portagens das Scuts], decidi violar excepcionalmente essa regra.
Os testemunhos contra a insólita decisão do Governo, vindos das mais variadas áreas da política e da sociedade civil foram conclusivos, tal a unanimidade que gerou no auditório. Foi uma "victória" sem espinhas do bom senso cívico contra a sobranceria dos incapazes.
Houve, no entanto, uma intervenção que me sinto na obrigação de realçar que confirma o enorme talento e a veia teatral dos "nossos" dirigentes políticos que foi protagonizada pelo Secretário do Estado das Obras Públicas. O homem, perante a esmagadora força da razão que o cercava, manteve-se imperturbável. Conseguiu defender o indefensável como se estivesse a lutar pela causa mais nobre do Mundo. Sócrates, terá registado o esforço para memória futura quando for chegada a hora de recompensar tão abnegado servidor. Talvez, quem sabe, a administração de uma qualquer Mota Engil, para conter a crise...
Chega de brincadeiras. Agora, vou falar sério. O palco para o teatro não pode continuar a ser a Assembleia da República, a Televisão e muito menos o Conselho de Ministros. O paradigma desta forma despudorada e irresponsável de fazer política, dizendo hoje uma coisa e amanhã afirmando o seu contrário, tem de ser irreversivelmente alterado, sob pena de se esgotar a tão desacreditada política. E só há uma forma de o fazer que é, responsabilizando directamente os autores dos embustes. Com pesadas coimas monetárias e irradicação absoluta do desempenho de funções públicas. Pessoalmente, não me sinto honrado com a impunidade destes homens. E não devo estar só na indignação.
Banalizar as mentiras dos nossos mais altos representantes, equivale a estender ao Povo a passadeira da inimputabilidade e do vício. O crime e a violência social também é assim que se forjam.

