O Porto e a grande região Norte do país precisam urgentemente de se demarcar dos partidos políticos existentes. Não adianta continuarmos a reclamar pelos nossos direitos legítimos ou por justiça porque, da esquerda à direita, os partidos já deram provas sobejas de não se comoverem com os nossos problemas. O crescente desprezo a que temos sido votados nestes últimos 20 anos pelos vários Governos, quer pelo PSD, quer pelo PS, quer mesmo pelos partidos da oposição, não nos deixa outra alternativa: temos de fundar um novo partido político assumidamente vocacionado para o Norte de Portugal.
As nossas motivações são muitas, e profundamente legítimas, porque o Governo continua apostado em ignorar-nos, em penalizar-nos mais do que em nos apoiar. Portanto, temos de esquecer definitivamente o Governo, o Presidente da República, e os partidos da oposição, porque também eles se mostram acomodados e contaminados pelo carreirismo profissional. A história da actriz [ou lá o que ela é] Inês de Medeiros, e as suas absurdas remunerações de transporte para manter residência em Paris, são a mais recente prova da falta de pudor que assolou a classe política. Teremos de esquecer rapidamente estes protagonistas e encontrar outros, mais sérios e mais empenhados.
A decisão de portajar as SCUTS, exclusivamente no Norte, precisamente a região que os Governos ajudaram a empobrecer, os desvios do QREN para a capital, a região mais rica do país, a redução do investimento público, a concentração de eventos culturais e desportivos, e o desvio de outros para Lisboa , extravasaram os limites da decência. Perderam-nos todo o respeito. Só temos, portanto, uma forma de o recuperar: organizando-nos cívica, legal , e politicamente, gerando um grande Movimento coeso e solidário para defender o NORTE de Portugal. Assim mesmo, sem papas na língua nem medos de bichos papões inexistentes. Afinal de contas só estamos a reclamar o que nos têm roubado impunemente. O povo do NORTE tem toda a legitimidade para estar descontente, decepcionado, revoltado mesmo com a forma discriminatória como continua a ser tratado. Estamos em Democracia, garantem-nos. Então, escolhámos nós próprios quem queremos e como queremos governar-nos.
Não nos iludemos. O futebol, não foge à regra. O que estão a fazer ao FCPorto e aos clubes do Norte em geral [embora com menor impacto, por serem clubes mais pequenos], não é apenas uma consequência de rivalidades desportivas, vai muito para além. Estão a empobrecer-nos não só económica como socialmente. Querem roubar-nos a nossa identidade. Nós somos de uma região historicamente ligada às primeiras raízes do país, e não podemos permitir, só porque se estabeleceu em Lisboa a capital, que ela nos retire o direito ao progresso e à autonomia. Chegou a hora de sermos nós a decidir o nosso destino. Procure-mo-lo daqui para a frente. Continuemos a denunciar as arbitrariedades, mas acompanhemos atentamente a coisa pública, colaboremos abertamente em novos projectos que eventualmente nos possam interessar. Não permitamos que nos dividam, criemos um partido novo. Organizemo-nos.
PS-Aproveite o tema para responder à sondagem plasmada na coluna à sua direita
PS-Aproveite o tema para responder à sondagem plasmada na coluna à sua direita

