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13 maio, 2008

RESPOSTA AO "NORTEAMOS"

Caro José Silva

Nada melhor do que uma pitada de boa disposição para uma troca de opiniões. É com esse espírito que vou tentar responder às suas observações em defesa das mamas da Isabel Figueira que, ao que parece são a sua especialidade. Mas não me levará a mal se lhe confessar que gosto delas mais ao natural... Gostos.
Agora, mais a sério. Quero dizer-lhe que, sem retirar mérito às suas teses mafiosas e aos conhecimentos e revelações resultantes dos seus convívios profissionais sobre os frustrados negócios de fruta de Luís Filipe Vieira, achei-as tão rebuscadas que, a certa altura cheguei a olhar para trás de mim para ver se estaria alguém a tentar corromper-me.
Caro José, esqueça (por agora) as mamas da Isabel Figueira, as acrobacias porno da VIP Carla Matadinho e as feiras internacionais de sexo. Foque o essencial da ideia. O essencial, foi querer avivar a memória dos leitores para uma outra realidade dos nossos tempos tão ou mais aleanatória que o futebol. E fez muito bem falar das revistas da fofoca, da coscuvelhice porque elas também são outro veículo sedativo para a consciência cívica e política dos cidadãos (e cidadãs, sobretudo). Em menor escala, mas são. Portanto faz mal em menosprezá-lo como faz mal ampliá-lo só por se tratar de futebol.
O que é relevante, na minha opinião, é desmistificar este circo mediático à volta do futebol porque ele está presente um pouco na vida de todos nós, só que, nós gostamos de pensar que não, que somos a excepção. Mas não somos. Se não lhe agrada constatar esta realidade, a mim ainda me agrada menos, porque se há coisa para a qual não tenho jeitinho nenhum é para a trapaça.
O que reparo igualmente, é que a fronteira entre um simples acto de gratidão (o tracional presente) e a corrupção ou o tráfico de influências é cada vez mais difusa e perigosa, o que me faz concluir que o problema está no nosso modelo de sociedade.
Lembra-se certamente como era tradicional por altura do Natal ou da Páscoa, os nossos pais ou avós oferendarem ao médico de família um perú ou umas garrafas de wiskie? E então? Obviamente, que a cortesia era também uma forma simpática de procurarmos manter ou aumentar a deferência de tratamento da parte do prendado para connôsco. Mas quem o confessa?
Os tempos mudaram, mas não mudaram tanto como imaginamos e o futebol só porque é mais mediático e suscita paixões não foge à regra. É assim. Mas, por ser assim não vale dizer que está bem que devemos meter a cabeça no buraco e deixar passar as trapacices em branco. Há que denunciá-las, mas todas. Não apenas as do futebol, com zonas de fiscalização e controle "priveligiadas" como fazem com a nossa região e as suas instituições desportivas, porque como diz o António Alves os lisboetas não são mais honestos que nós. E isso é que me repugna e revolta.
Nesse joguinho sujo de ajudar à missa do discurso centralista é que eu me recuso a colaborar e hei-de sempre opor-me. Era o que faltava.
É a sociedade que tem de ser regenerada. Toda. Nós também temos de dar o exemplo e os governantes, todos os exemplos. É também para isso que são governantes e têm poder.
É assim que vejo as coisas.