Ou é de mim, das minhas limitações intelectuais, mas ainda estou por perceber em que é que o futebol aliena mais do que as "telenovelas", os "prós e contras" ou os "gatos fedorentos".
Eu gosto de futebol, sou um adepto fervoroso do FCPorto [e neste momento, mais do que nunca], e sinceramente, ainda não me dei conta do grau de alienação que ele poderá ter provocado em mim. Bem pelo contrário. Considero que, os nortenhos em geral e os portistas em particular, começaram a aperceber-se melhor da discriminação de que são objecto por parte do Terreiro do Paço através do mundo do futebol. Será necessário citar provas? Elas entram-nos há anos pela casa dentro, é só ver e ouvir [a televisão, por exemplo]. É de tal modo descarada a discriminação e o ultraje que até revolta.
As telenovelas, transportam as mulheres [nem todas, ressalve-se] e também alguns homens para o tradicional mundo côr de rosa onde adoram mergulhar, talvez para esquecer a realidade quotidiana pouco estimulante e nem querem ouvir falar de política. Aí sim, poder-se-à reconhecer algum efeito alienatório mas por outro lado também sedativo para o sistema nervoso.
Os debates políticos e entre políticos, esses sim, são o pior dos alucinogéneos! Mas é importante acompanhá-los, quanto mais não seja, como objecto de estudo para descobrirmos até onde pode ir a vulgaridade humana e a arte de representar fora do teatro. Não há tema mais alienante do que a política, pelo menos, tal como é praticada em Portugal. E para isto, não há remédio que nos valha. A Democracia tal como a concebemos, não é [e está provado] esse remédio, é um placebo com efeitos suporíforos bem mais perigosos do que a paixão pelo futebol! O povo vive cada vez pior e nem as resmas de subsídios de Inserção Social o impede de desprezar o voto. Sim, é verdade que Rui Rio vai continuar na Câmara à custa do eleitorado subsídio-«independente», seguidista e conformista, mas mesmo assim, o povo ainda vive demasiado sob o efeito da hipnose da Democracia.
É impressionante, a facilidade com que algumas pessoas se deixam influenciar! Basta a um papagaio bem falante ir à televisão, usar um vocabulário sofisticado e com ar de pessoa séria, para logo outros papagaios lhe copiarem o paleio. Basta um desconhecido empresário afirmar que precisa de empregados e que ninguém aceita o emprego para imediatamente se concluir que as pessoas não querem trabalhar e que preferem ficar em casa a gozar os lautos fundos da Segurança Social!
A televisão absorve só parte da informação e divulga-a pela metade. Raramente lhe ocorre perguntar [pedindo comprovativos] a tão desafortunados «empresários» qual é o indíce demográfico nas proximidades dessas empresas e os salários que oferecem aos trabalhadores que procuram para se ficar a saber se, atrás de um benfeitor não estará um explorador de carne humana. Ao que começa a constar-se, é isso mesmo que está a acontecer em certas empresas. Há muito patrão sem escrúpulos a tirar partido da pobreza vigente para pagar salários miseráveis, mas essa parte da história já não é tão divulgada...
Até agora, o síndrome da ignorância cívica era o futebol, agora o da pobreza chama-se RSI! Deve ser uma tentação, imagino! Por este andar, ainda vamos ver os políticos a candidatarem-se a estes sumptuosos subsídios! O problema nacional está pois no RSI. Matem os pobres, já! Assim se acabará com a pobreza. O Paulo Portas, irá concordar.

