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03 março, 2014

Paulo Fonseca chegou ao fim da linha. Esticá-la será um erro.

"É inadmissível o que aconteceu?"
Mas, Paulo, é inadmissível para quem?
Não sou dos que gostam de malhar em alguém que já está por baixo, como é o caso de Paulo Fonseca. Contudo, será prudente lembrar que a obstinação nem sempre é amiga do sucesso, e Paulo Fonseca, não obstante ter colocado o lugar à disposição a Pinto da Costa, terá de compreender que não tem mais condições para aceitar a confiança que o dirigente portista lhe vem dando. Naturalmente, devia ser o próprio Presidente o primeiro a reconhecer que desta vez se equivocou e não forçar a continuidade de um treinador psicologicamente debilitado e que tem dado provas evidentes de não saber treinar, e ainda menos liderar, o grupo de trabalho que lhe foi confiado. O facto de haver alguns jogadores que até nutrem simpatia pelo treinador (como é o caso de Jackson Martinez), pouca expressão terá na sua capacidade de liderança. Por vezes, é preferível um maior distânciamento com os jogadores desde que compensado com uma forte liderança técnica e mental. Ora, liderar é algo que Paulo Fonseca não tem dado sinais de saber fazer, quer para o exterior, quer para os próprios jogadores que devem ver nele mais "um gajo porreiro" que o homem a quem têm de ouvir e obedecer e que os pode guindar a grandes victórias.

Antes da responsabilidade de Paulo Fonseca, há a responsabilidade maior da Direcção portista, incluindo do seu homem principal, Pinto da Costa, que não teve o esmero (ou/e a sorte) do costume na escolha do treinador. Talvez o sucesso - em cima da linha da meta - com decisões idênticas no passado recente (Victor Pereira e outros) tenha gerado em Pinto da Costa um excesso de confiança, ou talvez um atraso inusitado na resolução destes assuntos possam explicar a desorientação actual no clube. Seja como for, algo desta vez falhou, disso parece não haver dúvidas. Sendo verdade que as chamadas chicotadas psicológicas nunca foram solução para casos desta natureza, o certo é que considerando a incapacidade flagrante de Paulo Fonseca para lidar com os problemas da equipa - até porque ele próprio é parte deles -, o argumento de "ainda se poder ganhar qualquer coisa" esta época também não colhe, porque o homem, sem o assumir abertamente, já se deu por vencido em várias ocasiões e os jogadores, sem o dizerem, também já não acreditam nele. Portanto, Pinto da Costa não pode continuar a assobiar para o ar, insistindo na manutenção de um treinador mentalmente derrotado que só pode é contagiar ainda mais os jogadores e alastrar a crise a todos os sectores do clube, incluindo o Porto Canal.

Por isso, nesta situação seria tolerável investir numa solução de recurso em alguém que pudesse restaurar os índices de confiança aos jogadores e reformular todas as noções técnicas e tácticas de treino, de forma a ajudar os jogadores a sair desta desorientação e desmoralização colectiva. Não sei como poderá travar-se esta nau desgovernada se não se perceber que o piloto não sabe, ou já não quer mais navegar. Que Paulo Fonseca não pode continuar sem se correr o risco de deitar tudo a perder, isso é que não pode.