| "É inadmissível o que aconteceu?" Mas, Paulo, é inadmissível para quem? |
Antes da responsabilidade de Paulo Fonseca, há a responsabilidade maior da Direcção portista, incluindo do seu homem principal, Pinto da Costa, que não teve o esmero (ou/e a sorte) do costume na escolha do treinador. Talvez o sucesso - em cima da linha da meta - com decisões idênticas no passado recente (Victor Pereira e outros) tenha gerado em Pinto da Costa um excesso de confiança, ou talvez um atraso inusitado na resolução destes assuntos possam explicar a desorientação actual no clube. Seja como for, algo desta vez falhou, disso parece não haver dúvidas. Sendo verdade que as chamadas chicotadas psicológicas nunca foram solução para casos desta natureza, o certo é que considerando a incapacidade flagrante de Paulo Fonseca para lidar com os problemas da equipa - até porque ele próprio é parte deles -, o argumento de "ainda se poder ganhar qualquer coisa" esta época também não colhe, porque o homem, sem o assumir abertamente, já se deu por vencido em várias ocasiões e os jogadores, sem o dizerem, também já não acreditam nele. Portanto, Pinto da Costa não pode continuar a assobiar para o ar, insistindo na manutenção de um treinador mentalmente derrotado que só pode é contagiar ainda mais os jogadores e alastrar a crise a todos os sectores do clube, incluindo o Porto Canal.
Por isso, nesta situação seria tolerável investir numa solução de recurso em alguém que pudesse restaurar os índices de confiança aos jogadores e reformular todas as noções técnicas e tácticas de treino, de forma a ajudar os jogadores a sair desta desorientação e desmoralização colectiva. Não sei como poderá travar-se esta nau desgovernada se não se perceber que o piloto não sabe, ou já não quer mais navegar. Que Paulo Fonseca não pode continuar sem se correr o risco de deitar tudo a perder, isso é que não pode.

