«Sempre fui contra a Regionalização, porque não vai em nada beneficiar o país. É uma opinião pessoal e toda a gente conhece a minha posição sobre o assunto. Não é por causa de uma eleição que a vou mudar».
Estas palavras foram proferidas pelo monstro sagrado da imprensa nacional, Sua Exa. o Dr. Mário Soares, na cerimónia dedicada ao empresário do Norte Luís Portela, da Bial, e extraídas do semanário Grande Porto. Ora aqui está outro exemplar do visionário político.
O Dr. Mário Soares, tem um ar bonacheirão e de pessoa bondosa, mas já tem idade para perceber que há quem não se contente com as aparências e quem goze de boa memória. Começou por se enganar na nomenclatura do partido que ajudou a fundar, chamando-lhe socialista, coisa que verdadeiramente nunca foi. Primeiro logro. Depois, afundou-se nas contradições doutrinárias desse mesmo partido e nas suas. Pertence a uma casta de políticos que têm de si mesmo uma ideia de valor sobredimensionada. Um confortável sofá numa sala recheada de livros e os óculos a penderem-lhe do nariz são o cenário perfeito para representar o papel de grande estadista mas não chega para convencer alguns [como eu] que tudo o que diz faz lei.
Teria muito mais utilidade, se em lugar de se afirmar anti-regionalista fosse capaz de explicar como é que o Centralismo quase despótico praticado pelo seu partido [e pelo PSD/CDS], é forma de unificar um país e distribuir a riqueza nacional quando os resultados provam rigorosamente o contrário.
Mas, mais do que explicar, seria importante que fundamentasse alguma razão prestável para continuarmos a acreditar na descentralização que foi sempre prometida e nunca concretizada. Já lá vão 35 anos, sr. Mário Soares! Não lhe estou a falar de maturidade democrática porque isso daria pano para mangas, falo-lhe tão só de descentralização! Será capaz de nos informar quantas mais dezenas de anos [já vai para a 3ª], é que "nós" teremos de esperar até que os senhores políticos, classe à qual V. Exa. se orgulha de pertencer, se disponham a ser sérios e a respeitar os eleitores?
Pensando bem, depois de rebobinado o filme da história da sua actividade política, das suas amplas contradições, sou até capaz de acreditar na eventualidade de V. Exa. se ter constituído num péssimo exemplo para a actual classe política e para a boa saúde da própria democracia...

