Carros de matrícula estrangeira. Uns arriscam a multa e continuam a utilizar as SCUT mesmo sem dispositivo, outros tentam cumprir e como não o conseguem alugar o dispositivo optam pelas estradas nacionais, porque temem ser multados.
A cobrança de portagens nas SCUT está a abalar portugueses e a afectar estrangeiros, em particular os galegos que utilizavam frequentemente a A28, a Norte Litoral. As escassas informações, os poucos dispositivos electrónicos de matrícula (DEM) à venda e os valores de caução aplicados estão a afastar muitos do nosso país.
Disso mesmo deu conta ao JN Jorge Passos, um dos responsáveis pelos movimentos de utentes contra as portagens, que pela proximidade com Espanha (Viana do Castelo) mais tem seguido este problema.
"Nota-se que há menos carros espanhóis nas nossas estradas", afirmou Jorge Passos, "o que era previsível".
"Acompanhei todos os pedidos do Eixo Atlântico para que se encontrar uma solução para a venda de dispositivos, mas sem sucesso", acrescenta.
Além disso, "os estrangeiros, especialmente os galegos, quando chegam tentam comprar o DEM nos CTT ou no posto de combustível em Valença, e não conseguem, pois só no posto de combustível de Viana é que têm e como eram poucos foram vendidos todos".
Esta dificuldade foi sentida pelo casal Estevez, que ontem, sábado, se deslocou ao IKEA, em Matosinhos. Tinham planeado esta viagem e tentaram comprar um DEM, mas "estavam esgotados nos CTT, não conseguimos comprar e para evitar ser multados acabamos por fazer um outro percurso, andamos perdidos e perdemos muito tempo, isto não está certo", lamentavam.
Outra postura teve Sandra Sá, que vive com a família em Tui e não se importou de percorrer a A28 mesmo sem ter o dispositivo. "Não sei de nada, não há informação nenhuma como pagar, portanto vamos continuar a circular na SCUT", garantiu esta portuguesa que reside em Espanha, acrescentando : "Espero que o Governo me mande a carta".
Entretanto, os empresários espanhóis quiseram saber junto da União Europeia se Portugal estaria em incumprimento por levantar obstáculos "à livre circulação", ao obrigar os carros de matrícula estrangeira a terem um dispositivo para circular nas SCUT. De acordo com o "El Pais" a Direcção- Geral de Transportes da Comissão Europeia admitiu que "há indícios" disso mesmo.

