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03 julho, 2009

Pedreira da Trindade na mão dos credores

À ATENÇÃO DA CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO E SUAS EMPRESAS

Como ainda não está online o semanário Grande Porto não é possível estabelecer links da notícia, por isso limito-me a fazer um pequeno comentário à falência do Shopping Trindade Domus Gallery [na antiga pedreira da Trindade], à qual só escaparam um supermercado (por sinal bom), uma cafetaria e uma loja de artigos para cabeleireiro.
Insisto que, até prova em contrário, toda e qualquer iniciativa com vista a dinamizar a vida e a economia do centro histórico do Porto, nunca terá o sucesso esperado sem uma grande e séria requalificação da urbanização residencial. Nem sequer me atrêvo, por respeito a mim próprio e por muita gente que pensa como eu, a chamar requalificação urbana aos biscates avulsos e mal acabados que com dificuldade se podem ver, e o que se vê em muito edifícios com sinais de estarem a ser recuperados, são os painéis de publicidade à Câmara, sem ninguém lá dentro a trabalhar... Eu não compraria [a não ser para especular], uma casa recuperada da Baixa para residir se tivesse ao lado todas as outras a caírem de podres, ainda por cima, sem lugar de garagem, maus acabamentos e a preços portugueses, ou seja, especulativos.
Por esta razão, considero que a ideia de ali instalar uma Loja do Cidadão parece-me a mais viável e de maior utilidade pública, tanto devido à localização, como às características [Dimensão] do edifício. Plantar Shoppings, Hotéis de Luxo, numa zona residencial deserta, pobre e envelhecida, é colocar a oferta de produtos e serviços sem ponderar no mercado que são as pessoas. Se não se acelerar o ritmo, aumentar a área e atender à qualidade da recuperação urbana, todo este tipo de projectos megalómanos não passarão de actos irresponsáveis de gestão do Estado. Não se surpreendam portanto, se daqui a alguns meses outros projectos com características idênticas à do Trindade Domus Gallery tenham o mesmo fim.

14 janeiro, 2009

Urbaclérigos (Grupo Bragaparques), será de confiança?

(Recortes extraídos do jornal Público)
Clique sobre as imagens para ler

Há cidadãos do Porto, alguns até colaboradores de blogues dedicados à vida da nossa cidade, que estão envolvidos no projecto para a renovação da Praça de Lisboa referenciado numa destas notícias.
A partir de agora, ninguém pode dizer que não sabe com quem se está a relacionar. O seguro morreu de velho...

23 outubro, 2008

A renovação do Porto

Rui Valente, o administrador deste Renovar o Porto, lançou há pouco um novo blogue chamado "As Casas do Porto". Pleno de oportunidade, constitui uma espécie de catálogo de prédios do Porto, os bons e as ruínas. Dos primeiros não pretendo falar já que hoje o meu objectivo é referir-me às incontáveis ruínas que juncam a nossa cidade. Impõe-se uma prévia declaração de interesses para não ser acusado de “bota-abaixo” ou de “selvagem e inculto destruidor das belas antiguidades do nosso Porto”. Não que muito me incomodasse qualquer desses epítetos, mas apenas para deixar clara a minha posição na medida em que tornará mais compreensível a minha opinião.

Sou um viciado em povoações antigas e os casarios típicos encantam-me como se fossem uma obra de arte. Suponho conhecer tudo ou quase tudo o que há de interesse em Portugal, e em Espanha já visitei um grande número de antigas e belas aldeias que, tenho verificado, nem muitos dos espanhóis conhecem.

Tenho todavia bem presente um conceito que ouvi há uns anos na TV, da boca de um renomado arquitecto portuense, salvo erro Souto Moura. Disse ele que em Portugal parece haver uma confusão muito grande entre o “velho” e o “antigo”, donde resulta que muitas vezes entendemos conservar prédios, ou conjuntos deles, que são simplesmente “velhos”, no sentido em que para além de estarem degradados, não têm beleza, nem valor arquitectónico, histórico ou de qualquer outra natureza. A conclusão, e essa é de minha responsabilidade, é que a demolição deveria constituir uma solução mais vezes adoptada na renovação da cidade. Demolir muito, sem medo e sem remorsos, o que pressupõe que esta ferramenta fosse manipulada com todo cuidado. Na primeira metade do século passado, o Porto foi vítima de destruição incontrolada e irresponsável, do qual o símbolo máximo é o infeliz Palácio de Cristal. Mas não só, basta consultar as revistas antigas, como o Tripeiro, para encontrar testemunhos de belíssimos prédios ( os tais “antigos” na acepção de S. Moura) que foram demolidos e substituídos por edificações sem qualquer interesse arquitectónico. Não é isso que advogo. Mas, em sentido contrário, será que o estado das quatro freguesias centrais do velho Porto nos dignifica? Será que seremos capazes de levar visitantes ao Porto, nacionais ou estrangeiros, e percorrer qualquer delas, sentindo orgulho do que mostramos? Para mim a resposta é não. Os meus amigos visitantes a quem quero acompanhar em visita ao nosso passado, levo-os a Guimarães onde, aí sim, me sinto orgulhoso de mostrar o que os vimaranenses fizeram no centro histórico.

Tive esperança que aqui as coisas começassem a mudar quando L.F. Menezes quis derrubar as construções na encosta da Serra do Pilar. Pensei que, por arrastamento, o próximo presidente da câmara do Porto ( do actual não espero nada ) fizesse o mesmo do nosso lado. Poderia ser o início de uma nova mentalidade. Aconteceu que uma intempestiva intervenção da Governadora Civil do Porto, em nome não sei de quê, o impediu. Mais uma vez o governo veio meter o nariz onde não era chamado.

Esta questão da renovação urbana do Porto constitui um dos maiores desafios que se põe à cidade, e como tal deveria ser discutido a todos os níveis. A questão do casco antigo da cidade é por si só um problema de grande magnitude e transcendente importância. A resposta a estes complicados problemas é tão difícil que todas as opiniões seriam bem vindas. Não me lembro que esta discussão tenha ocorrido e o que acontece é uma situação confusa e aparentemente inoperante, em que se mudam organismos responsáveis pela renovação, sem critérios objectivos que o justifiquem, parecendo que a principal motivação é uma birra de um autarca que muda apenas por questões de baixa política.

Tenho duas esperanças. A primeira é que os eleitores do Porto (onde já não voto) tenham um assomo de clarividência e se livrem de Rui Rio. A segunda é que o seu substituto(a) consiga terminar um período de oito anos de imobilismo e seja capaz de dar um forte impulso à reabilitação de que o Porto tanto carece para se transformar numa cidade verdadeiramente atractiva .

10 abril, 2008

PENSÃO ALIADOS


Não abundam no Porto e no país, edifícios com a nobreza da actual "Pensão Aliados", degradada e velha.
Não haverá no Porto e no Norte, nenhum Belmiro ou Amorim, disposto a investir na reabilitação desta bela cidade?
Se se esquecessem por uma vez dos telemóveis e dos Centros Comerciais e diversificassem os seus ramos de negócios, o património da cidade agradecia. E eu também.