Mostrar mensagens com a etiqueta Regiões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Regiões. Mostrar todas as mensagens

17 maio, 2012

"Eles estão-se marimbando para o interior do País"



“Encerramento de tribunais incentiva justiça pelas próprias mãos” .

O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, acusa o Governo de tomar medidas cegas que prejudicam as populações do interior do País. O responsável esteve em Bragança, na passada quinta-feira, no âmbito da Semana da Tecnologia e Gestão, organizada pelo Instituto Politécnico de Bragança. 

Em entrevista ao Jornal NORDESTE, Marinho Pinto tece duras críticas ao Governo. “Põem os interesses dos grupos e das suas clientelas urbanas acima dos interesses de todo o País”, lamenta o bastonário.

Jornal Nordeste (JN) – Considera o encerramento de tribunais, anunciado pelo Governo, prejudicial para o distrito de Bragança e para a região de Trás-os-Montes? 

Marinho Pinto (MP) – Não é só para a região de Trás-os-Montes que é prejudicial, é prejudicial para o próprio País. Porque isto tem como primeira e principal consequência gerar um sentimento de abandono nas populações. 

As pessoas sentem-se abandonadas pela justiça e vão ser tentadas a encontrar formas de fazer a justiça que o Estado lhes nega, através destas medidas puramente economicistas. As pessoas vão passar a fazer justiça pelas próprias mãos. 

Imagine no caso de Vinhais, se encerrarem o Tribunal as pessoas vão ser julgadas em Bragança pelos crimes que decorreram em Vinhais e isso não produz o efeito preventivo que produziria se fosse julgado no local onde foi cometido o facto. É essa a função do julgamento e da sentença, é prevenir a prática de futuros crimes. 

É pura demagogia, é pura mentira, dizer que os custos dos tribunais são insuportáveis. A maior parte dos custos dos tribunais do interior até são suportados pelas Câmaras e os que não são passariam a sê-lo, porque as Câmaras estão dispostas a suportar esses custos. É um benefício enorme para a população poder ter a justiça no seu concelho. 

O que o Governo deveria fazer era criar tribunais nos concelhos onde não os há, porque todas as localidades que têm dignidade para ser sede de concelho deveriam ter pelo menos um juiz de competência genérica.

JN – O encerramento de tribunais poderá não avançar? 

MP – Isso depende do povo deste País. Se as pessoas se resignarem e aceitarem as medidas que lhe têm vindo a ser impostas, os Governos fazem tudo que lhes consentem. Se o povo não deixar, não avança, porque o povo é soberano.

JN – E acha que o povo está resignado? 

MP – Acho que sim. Senão vejamos. O actual partido político deitou abaixo o anterior governo, porque ele ameaçava cortar os subsídios de férias e Natal. Prometeram que não fariam isso se fossem eleitos, fizeram-no e as pessoas não reagiram.

As pessoas estão a aceitar o apelo do Governo e estão a emigrar. O que está a acontecer é que as pessoas estão a aceitar isto como uma inevitabilidade e não é. Nós podemos escolher o caminho do País, e não é só nas urnas, é também nas ruas, através de manifestações pacíficas, que façam sentir a nossa indignação e a nossa revolta contra estas medidas.

JN – Que consequências pode ter para esta região o apelo feito pelo Governo à emigração?

MP – A principal consequência é o atraso, é o desaparecimento de muitas aldeias no País. E é esta política que está a ser feita por aqueles betinhos e aquelas betinhas de Lisboa que chegaram ao Governo.

É uma política de terra queimada contra os verdadeiros interesses das populações do interior do País. Eles estão-se marimbando para o interior do País, eles sempre viveram nos meios urbanos. Põem os interesses dos grupos e das suas clientelas urbanas acima dos interesses de todo o País e isso é criminoso e vai ter consequências terríveis no futuro do País. 

[do blogue Regionalização]

13 julho, 2009

As cinco Regiões

Em entrevista ao Grande Porto, o prof. Valente de Oliveira diz a certa altura, a propósito da regionalização, que defende e sempre defendeu o modelo das cinco regiões. Por uma questão de escala, por um lado, e por outro lado porque, segundo diz, uma das funções da regionalização é "promover o equilibrio inter-regional" atendendo a que "Portugal tem uma disparidade grande entre Litoral e Interior, e uma das atribuições regionais deverá ser tentar esbater essas assimetrias".

Até aqui de acordo, só que pessoalmente sempre fui contra as cinco regiões, e não é tão douta opinião, contraditória, que me vai convencer. Considero as cinco regiões, no caso muito provável de ter de haver um referendo, como o caminho mais rápido e eficaz para o país não ser regionalizado pelo menos nos 10/15 anos mais próximos. Dispenso-me de repetir os argumentos em favor desta tese.

Pergunto apenas se na hipótese de haver uma região Trás-os-Montes e Alto Douro e uma região Beira Interior, deixará de ser possível combater as tais assimetrias regionais. Não será mais eficiente e lógico separar o Litoral do Interior, deixando este tratar da sua vida autonomamente, em vez de ficar dependente da "generosidade" e boa vontade de centros de decisão que poderão ter uma irresistível tendência de copiar os tiques centralistas do Terreiro do Paço? Alguém pode garantir em boa fé que isto não acontecerá?

Outra frequente objecção à criação de sete ou oito regiões é aquilo a que chamam a inexistência de "massa crítica". Não entendo porque motivo este factor é ignorado no caso do desabitado Alentejo, que toda gente está de acordo que constitua uma Região, e no entanto passa a ser importante para impedir a criação de Regiões no Norte e Centro interiores. A "massa crítica" não convence como argumento válido.