Com a Europa doente, é certo e seguro que Portugal só pode estar em estado de coma. Esta, é daquelas certezas que muitos portugueses dispensariam de bom grado. Se por cá temos sucessivos mantos de névoa lançados sobre os escândalos da Freeport, Casa Pia, BCP/BPN e tantos outros, em França há um ministro do Trabalho a contas com branqueamentos de capitais, enquanto em Itália o povo se "orgulha" de ter como 1º. Ministro um glob-trotter em escândalos sexuais. Sinais dos tempos, institucionalmente pornográficos...
Lá, como cá, a história será preenchida de páginas com factos dignos dos mais sofisticados filmes de ficção, nos quais a gerações futuras vão poder despreocupadamente inspirar-se. Há os Sarkozy em França, os Berlusconi em Itália e os Soares em Portugal. Todos eles, sem excepção, terão garantido um lugar na História dos respectivos países sem terem feito grande coisa para o merecerem. Refiro-me a acções relevantes, como a boa governação e zêlo na estabilidade dos povos, não a serviços extra, hard-core, ou por aí...
Só para termos uma ideia da visão mundana e das aptidões político-estratégicas do "nosso" animal sagrado de eleição - o «monstro» Mário Soares -, teria bastado ouví-lo opinar sobre a próxima revisão Constitucional em entrevista conduzida pela Constança Cunha e Sá na TVI24, para retirarmos quaisquer dúvidas sobre a sua consistência ideológica e firmeza cívica. Pois [pasme-se!], o «monstro» sagrado dos media, garantiu à entrevistadora, que em Portugal não existe o centralismo! É verdade, se Soares o disse, é porque sabe do que fala [ele sabe sempre...], e nós que aguentamos com o centralismo durante 36 anos, somos todos uns idiotas. Taxativo. Mas, Soares não se ficou por aqui, manifestou-se contrário à revisão da Constituição, alegando que o documento mais importante da República era dos mais avançados da Europa, e que por isso não se lhe devia mexer, excepto [imaginem!] manter a Regionalização na gaveta!
Há muito, que Mário Soares deixou de me surpreender. Ele não é o homem bonacheirão que aparenta. A capa fica-lhe bem, mas a cabeça não condiz com ela. Só assim se compreende que continue a defender José Sócrates.

