Clubes e adeptos torcem por final no Minho, mas falta o aval federativo
Está a ganhar forma a ideia de que a final da Taça de Portugal, a disputar a 16 de Maio, entre o F. C. Portoe o Chaves, possa ser realizada fora do Estádio Nacional. Para já, os flavienses movimentam-se para que o local seja mudado para Braga ou Guimarães.
Os flavienses já manifestaram o seu interesse, através de uma petição na cidade, em que manifestam o desejo de assistir à final num estádio mais perto, mais concretamente o de Braga.
O próprio presidente do clube, Mário Carneiro, reconhece que o interesse do seu emblema é jogar fora do Jamor: "Para os atletas e alguns associados, pode haver algum simbolismo na ida ao Jamor, mas que interessa jogar num estádio despido de público? Por isso, entre o simbolismo e a necessidade, nesta altura de crise, os adeptos optam pela poupança de despesas".
O líder flaviense refere que já "houve um contacto exploratório com o F. C. Porto", acreditando que os portistas se vão manter coerentes com o que pensam em relação a este tipo de finais e aceitar a proposta.
Só depois do entendimento é que os dois clubes comunicarão à FPF o desejo de mudar de local, uma iniciativa que pode ser acolhida pela direcção federativa.
Para já, o F. C. Porto não tece qualquer comentário sobre essa matéria, ficando a aguardar melhor oportunidade.
O problema é que a decisão tem de ser tomada com urgência, pois a entidade governamental responsável pelo Jamor já vai começar a fazer despesas de manutenção e de arranjo do recinto, tendo em vista o jogo da final. Esta já está, oficialmente, marcada para o dia 16 de Maio, às 17 horas.
Sendo assim, a FPF tem de dar uma resposta, em tempo, favorável ou não, aos pedidos que lhes cheguem às mãos. O JN apurou que o presidente federativo, Gilberto Madail, é contrário a qualquer mudança, atendendo a que se deve "respeitar o peso da tradição".
Aliás, recorde-se, a título ilustrativo, que, nas 68 finais anteriores, o Estádio Nacional ganha claramente, com 56. Excluindo as sete primeiras edições, que se repartiram pelos campos das Salésias e do Lumiar, só por cinco vezes o local não foi o Jamor.
Assim, em 60/61, 75/76 , 76/77 e 82/83 foi no Estádio das Antas, no Porto, e em 74/75 foi no Estádio de Alvalade, em Lisboa, onde o Boavista bateu o Benfica (2-1). Curiosamente nas três finais nas Antas, o F. C. Porto só venceu uma, ao Braga, tendo perdido com o Leixões, uma, e com o Benfica, outra. Em 76, no mesmo palco, o Boavista derrotou o Guimarães.
MANUEL LUÍS MENDES

