"Fiquei sem crónica". Foi assim que Graça Franco iniciou o seu artigo no Público de hoje que, por estar reservado aos assinantes do jornal, com muita pena minha não posso aqui reproduzir. Mas valia a pena ler. Não é que o artigo acrescente algo de novo, mas confirma o que escrevi ainda há dias sobre alguns circunstanciais defensores da ética na comunicação social. Só com uma diferença, é que a jornalista (por motivos óbvios) apontou as espingardas para "o guarda fiscal" que é como quem diz, para o Dr. Azeredo Lopes (responsável pela ERC), e eu fiz mira para o Comandante da Guarda, o Dr. Pinto Balsemão!O que Graça Franco escreveu, com visível indignação, foi uma denúncia explosiva do que de mais ordinário a SIC (do Dr. Pinto Balsemão) continua a produzir em matéria de programas, ditos "recreativos". Eu não vi, nem vou ver, acreditem, mesmo que seja para melhor poder avaliar, porque é inútil. Já sei do que a casa gasta. Mas se vos disser que no referido programa se estimulam e "divertem" as pessoas com perguntas de alto nível moral e cultural, como (reprodução da cronista): "por 250 mil € seria capaz de manter relações homossexuais?". Outras: "já traiu o seu marido?", "já bateu na sua mulher?".
Exemplos de programas de "alta qualidade"? "Mais programas de história natural, documentários pesquisados «de forma adequada», notícias que abordem «assuntos caprichosos» de forma justa e séria, melhores comédias «inovadoras» ... e menos telenovelas, ou «exploração de exibicionistas vulneráveis» [em reality shows]", afirmou o responsável máximo da SIC.
Perante isto, apenas me ocorre levantar esta questão: da tripolar faceta da personalidade de Pinto Balsemão, em qual delas podemos nós acreditar? Na de ex-Primeiro Ministro? Na do mais alto «responsável» de um grupo empresarial de comunicação social privada? Ou, na do declamador de discursos moralistas para estrangeiro impressionar?
Afinal, estaremos nós a falar de uma, ou de três pessoas ao mesmo tempo?
PS-As aspas colocadas («») nalgum do fraseado (a vermelho) de Pinto Balsemão são da minha responsabilidade, porque não faço a mínima ideia o que querem dizer.

