![]() |
| Abraço de gratidão |
A paixão pelo futebol - diria antes -, a paixão pelo nosso clube é tão irracional que em determinados momentos até consegue colocar adeptos do mesmo clube uns contra outros. No entanto, basta ganhar mais um campeonato para todos esquecerem as divergências, ainda que seja até à temporada seguinte e tudo recomeçar novamente.
Estas picardias entre "irmãos" de clube nem sempre são desprovidas de sentido, nem traduzem a irracionalidade típica das paixões. Se o problema se resumisse a isso, as divergências limitar-se-iam a incompatibilidades próprias dos diferentes temperamentos e educação que caracteriza as pessoas, e tudo se resumiria a uns pontuais arrufos. O problema fundamental é social. Há adeptos que confundem o direito legítimo de pensar diferente, de criticar ou louvar, com a vaidade extrema de se julgarem donos da verdade, e é aqui que as coisas se tornam mais feias.
Na blogosfera há dezenas, senão centenas, de sites e blogues ligados ao FCPorto, sendo sem dúvida o Dragão até à morte, do Manuel Vila Pouca, um dos mais populares e participados do universo azul e branco, o que lhe confere alguma autoridade democrática para o podermos considerar um dos mais equilibrados e combativos na defesa daquilo a que agora se chama portismo. E não é por me ter tornado seu amigo que o afirmo. Ele sabe bem que nem sempre estou de acordo com as suas opiniões, embora na maior parte das ocasiões haja uma grande convergência de ideias.
Outros blogues existem que também têm feito um trabalho importante pela causa FCPorto, como o Viva o Porto Carágo, e muitos mais [que me escuso a citar para não ferir susceptibilidades], mas outros há ainda que, não obstante o seu portismo, assumem uma postura crítica com o clube demasiado reactiva à mais ligeira brisa de instabilidade, só comparável à dos nossos adversários directos, o que explica em parte as discordâncias que atrás referi. Numa sociedade profundamente desigual como a nossa, pautada pelo elitismo e pela vaidade de certas classes, tradicionalmente dadas ao auto-elogio e à discriminação com base em meras futilidades, essas reacções não escapam ao futebol. E é talvez também por combater esse tipo snobe de "portismo" que o Dragão até à Morte tem o maior número de acompanhantes na blogosfera portista.
Outros blogues existem que também têm feito um trabalho importante pela causa FCPorto, como o Viva o Porto Carágo, e muitos mais [que me escuso a citar para não ferir susceptibilidades], mas outros há ainda que, não obstante o seu portismo, assumem uma postura crítica com o clube demasiado reactiva à mais ligeira brisa de instabilidade, só comparável à dos nossos adversários directos, o que explica em parte as discordâncias que atrás referi. Numa sociedade profundamente desigual como a nossa, pautada pelo elitismo e pela vaidade de certas classes, tradicionalmente dadas ao auto-elogio e à discriminação com base em meras futilidades, essas reacções não escapam ao futebol. E é talvez também por combater esse tipo snobe de "portismo" que o Dragão até à Morte tem o maior número de acompanhantes na blogosfera portista.
Aqui chegado, e porque fui [e continuo a ser] um crítico de Victor Pereira, enquanto líder e treinador, manda a justiça que lhe agradeça a conquista de mais um campeonato - embora tenha deixado fugir prematuramente a Champions e a Liga Europa -, porque o objectivo principal foi atingido. Mas, se não aprecio Victor Pereira enquanto treinador, nutro por ele uma enorme simpatia enquanto pessoa. As palavras de gratidão e o forte abraço que Victor Pereira trocou com Pinto da Costa espelham um grande carácter e um sentimento hoje infelizmente em vias de extinção que é a gratidão. Tenho a certeza que Victor Pereira é um grande Homem, que é um portista valente e sério.
Se um dia Victor Pereira puder, ou souber, associar a estas grandes virtudes a da liderança, então mudarei a minha opinião sobre as suas competências, porque vou ter muita dificuldade em esquecer a irritabilidade que algumas das suas opções em certos jogos me causaram.
Se um dia Victor Pereira puder, ou souber, associar a estas grandes virtudes a da liderança, então mudarei a minha opinião sobre as suas competências, porque vou ter muita dificuldade em esquecer a irritabilidade que algumas das suas opções em certos jogos me causaram.


