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16 setembro, 2010

Chantagear sim, mas com estratégia...

Adeus ao título?

O medo é directamente proporcional à reacção. E parece-me que o medo que o Benfica tem de já terperdido o campeonato é do mesmo tamanho da reacçãoo clube na sequência da disparatada arbitragem de Olegário Benquerença em Guimarães.

Só assim se explica que o Benfica dispare em todas as direcções e esgote todas as munições* à quarta jornada. O benfica reclama intervenção do Governo. Considera o secretário de Estado do Desporto "persona non grata". Atira-se a Joaquim Oliveira, à Olivedesportos e à SportTV. Pede aos adeptos para não aparecerem nos jogos do Benfica fora da Luz. Admite boicotar a Taça da Liga. Tudo isto para além do óbvio ataque a Vitor Pereira e a Olegário Benquerença.
Ninguém tem dúvidas que Benquerença prejudicou inequivocamente o Benfica com influência no resultado, mas esta estratégia do "atirar em tudo o que mexe" só vai resultar se o Benfica começar a jogar bem [e não joga desde Maio] e se as vitórias aparecerem. Se assim for, a estratégia é eficaz. Se o Benfica voltar a perder, se continuar com jogadores desinspirados e sem a chama da época passada, aí não vai ser fácil encontrar [boas desculpas] e descobrir novos inimigos.

[Crónica de Hugo Gilberto, no JN de hoje]

* O negrito é da minha responsabilidade

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Nota do RoP

Alguém um dia me disse que Hugo Gilberto é portista. Custou-me a crer [e continua a custar]. Mas, se é verdade ou não, pouco interessa, até porque os sinais que vai deixando passar apontam claramente para outra cor clubista, na linha da do seu director, um benfiquista mal camuflado com a camisola do Paredes... Para mim, preferia que fosse apenas imparcial, tanto nos programas que faz, como nas crónicas que escreve. Pelo menos, seria isso que se exigeria de um funcionário do Estado, como é o caso.

A crónica acima transcrita espelha bem a mentalidade perversa que paira na sociedade, onde a fronteira entre interesses e valores é tão ténue tão ténue que até se confundem. Senão reparem: o cronista, em vez de censurar tout court a atitude chantagista e prepotente do Benfica, não,  limita-se a discordar da forma. Ou seja, como ele próprio escreve, a estratégia de atirar em tudo o que mexe será eficaz se o Benfica não esgotar  já todas as munições e ...se jogar bem. Por outras palavras, ou nem por isso:  para o jornalista, tudo o que o Benfica está agora a fazer, como seja, pressionar sem ponta de pudor os árbitros, a Federação, a Liga e o próprio Governo, não é de persi um acto condenável,  mas antes uma estratégia eficaz desde que a equipa jogue um pouco melhor.

Ainda que mal pergunte: que espécie de raciocínio é este? Ético, mercantil ou demencial?

Deve ser por haver  tanta "confusão" nestas luzidias  mentes que certos jornalistas vendem a alma ao diabo. Em nome da eficácia estratégica, seja lá o que isso for. 

01 janeiro, 2009

Rio na liderança II

Algumas pessoas poderão ter pensado que o que eu escrevi aqui foi uma espécie de conversão minha a Rui Rio. Nada mais errado. Foi, acima de tudo, uma crítica à lastimável oposição, principalmente ao PS. Mantenho essa crítica. Continuo a pensar que Rui Rio segue na liderança clara na corrida à próxima eleição para a Câmara do Porto.

Hoje – estrategicamente no dia de ano novo – o JN brindou-nos com uma entrevista a Elisa Ferreira, a mais que provável candidata pelo PS à edilidade da invicta. O que se lê não me traz grande esperança. Além da costumeira declaração de amor ao Porto – pelo menos maior que o que tem a Bruxelas – pouco se extrai de substantivo. A entrevista fica-se pela crítica àquilo que é mais fácil criticar em Rio: a sua cobardia política em relação ao FC Porto e o disparate Metro na Boavista para pagar a pista das corridas de automóveis. Diz também um conjunto de generalidades que qualquer político bem treinado usualmente diz. Quanto a questões importantíssimas como o Aeroporto ou o caso dos fundos europeus destinados às regiões de convergência desviados pelo governo para Lisboa nem uma palavra. Coisas estrategicamente esquecidas pelos entrevistadores. Enfim, uma entrevista que cheira abundantemente a frete do JN e do seu director.