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05 outubro, 2009

«Gamelas»

É famosa a elasticidade mental do político. Seria porventura uma importante qualidade se essa elasticidade fosse usada com prioridade para proveito dos eleitores, e não, como acontece ordinariamente, em benefício próprio.
Com a elasticidade mental fazem de tudo, até substituírem-se à própria natureza. A alteração ao rumo das marés, por exemplo, é um dos seus pratos favoritos. Por um lado, apreciam que lhes sejam reconhecidas competências e dignidades que, por natureza muitos não têm. Por outro, quando lhes dá jeito, gostam de se colar ao nível e aos gostos do Zé Povo, como acontece [agora] em campanha eleitoral. Dão beijos, dançam, riem, abraçam, e até os estruturalmente antipáticos conseguem esboçar um sorrizinho amarelo...
Elisa Ferreira [já o disse aqui], foi infeliz desde o 1º. dia em que decidiu candidatar-se à Câmara do Porto, e já expliquei também porquê. Agora, com a derrota "partilhada" - mas não assumida, claro -entre PS e PSD, podia retirar dividendos do facto, e recuperar algum fôlego desperdiçado na fase de arranque da candidatura arrumando de vez com a veleidade de Rui Rio sonhar em ganhar um novo mandato na Câmara da Invicta. Mas não, Elisa ainda não aprendeu que em política é preciso medir muito bem as palavras, para não serem mal interpretadas e aproveitadas pelos adversários como trunfo, porque poderá ser determinante para ganhar ou perder umas eleições.
Estou certo que, quando, no mercado do Bom Sucesso, se saiu com aquela da "gamela" e de "estar sossegadinha em Bruxelas a ganhar mais", ela não queria menorizar o trabalho dos deputados no parlamento europeu, porque estaria a falar mal de si própria, antes de falar mal dos seus colegas, até porque é reconhecido o excelente trabalho que aí tem desempenhado. Mas a verdade é que nestas ocasiões os adversários políticos tratam de tentar "provar" de que é pela boca que o peixe morre, e agora, tanto eles como a própria comunicação social agarram-se à "gamela" como cão a osso.
Ora, é aqui onde quero chegar quando relaciono a elasticidade mental dos políticos com as "marés". Porque não há nenhum que não pense e ambicione em voz baixa o mesmo que Elisa falou em voz alta[na gamela]. Qualquer adversário político de nível superior não cometeria a imprudência de se aproveitar da ingénua gafe de Elisa Ferreira para tentar transformá-la numa oportunista aventureira, porque ao contrário de muitos, não se projectou da política para a sociedade civil mas sim, o contrário.
Alguns de nós estarão lembrados dos louvores públicos que recebeu pela sua competência na vice-presidência da Associação Industrial Portuense. Foi daí que a foram buscar para a política, o que pode querer dizer estarmos perante uma pessoa competente mas sem o dão típico de fingir dos políticos tipo.
Quando Rui Rio usa argumentos esquerda/direita para definir a cultura [foi afinal ele próprio quem o fez, ao aludí-lo], remete para o subconsciente adormecido dos portuenses a cultura Laferiana, sistematicamente submissa ao lucro imediato do feirante e às modas lisboetas. Alguém o viu sorrir tanto como no programa dos Gatos Fedorentos? É ali, em Lisboa que Rio se sente como peixe em água.
Pois, desta vez vou fechar os olhos e esquecer o PS, esquecer a droga dos partidos e as opiniões publicadas. Vou votar em Elisa Ferreira, vou perdoar-LHE os tirinhos nos pés, para, pelo menos, dar o meu pequeno contributo para a ordem de despejo da Câmara Municipal do Porto, a Rui Rio.