15 março, 2011

Portugal à rasca, ou é rasca?


A mim não me importa que o slogan escolhido para a manifestação soe mal aos ouvidos, o que realmente importa é que tenha sido funcional. E foi. Se foi a Geração à Rasca, os Homens da Luta, os Deolinda ou os três ao mesmo tempo que funcionaram como dinamizadores para o sucesso da grande manifestação nacional de 12 de Março de sábado passado, é quase irrelevante. O que é relevante e triste, é identificar as fontes que a inspiraram: Governo e classe política em geral.  

O Governo desgoverna com competência rara, mas a oposição não consegue dar sinais de poder fazer melhor. O drama maior de Portugal é esse. Temos maus governantes e políticos sem novas ideias. As crises dão-lhes muito jeito. Quando se é incompetente, não há melhor álibi do que uma boa crise, ou então lançar as culpas para o antecessor.

Dos partidos com hipóteses de formar governo, é notória a desorientação própria de quem não está preparado para tomar conta do fardo que é governar o país neste momento ou até noutro qualquer. Porque não há ninguém com coragem e saber para reformular a política e a forma de a exercer. Para que isso acontecesse seria preciso encontrar alguém com uma invulgar capacidade de liderança capaz de apresentar ao país um novo plano reorganizativo da sociedade e uma outra forma de administrar a economia sem fazer muitas ondas, o que é praticamente impossível, devido aos obstáculos que uma classe hiper-conservadora habituada a influenciar o Poder sempre tende a criar. O comunismo faliu. O capitalismo sempre esteve falido mas a espaços, tem a "arte" de criar no povo as ilusões de um futuro melhor. A economia serve-lhe de barómetro: se está em linha ascendente o futuro "existe", se cai é por causa das crises, pouco mais há para dizer. O cículo vicioso não passa disto. Até aos dias de hoje que é assim. Bastaria lançarmos um olhar atento sobre o que é a vida na maior potência Mundial, como são os Estados Unidos da América, para percebermos que os americanos estão longe de constituir uma sociedade equilibrada, independentemente dos seus pontos positivos. As aberrações sociais, são do que há de pior. Não é por acaso que os carros de polícia circulam por todo o lado...

Analistas e politólogos repetem-se nos comentários. Não há vontade de experimentar fazer diferente. Ou se faz ['governa'] como sempre se fez, ou então não se faz. Eu gostava de dizer a essas pessoas que devem passar a ser mais moderados quando tiverem de falar dos maus governos e dos respectivos culpados. É que já cansa ouví-los incluir no lote dos culpados pessoas [como é o meu caso e o de outros] que nunca deram o voto de confiança a esta gente que tem destruído o país, pela simples razão de não lhes reconhecerem méritos para o conduzir. Há sempre que ter em conta aqueles [poucos, talvez] que tiveram a lucidez ou mesmo o instinto suficiente para perceber a mediocridade dos candidatos ao trono. Aliás o próprio sistema eleitoral nos impossibilita de conhecer profundamente os candidatos aos órgãos do poder. Ninguém pode votar em consciência. 

Os salários precários como os pluri-empregos e os recibos verdes, são outras das palavras mais ouvidas nos últimos tempos por gente tida como responsável. Coisas ditas como a mesma naturalidade que o sedento bebe um copo de água. Não oiço porém estas sumidades opinantes aplicarem o pardigma  à prole, ou a eles próprios. Só acredito quando vir o Durão Barroso a guarda de noite, ou o Sócrates a caixa de super-mercado. Antes disso não há paradigma para ninguém...pelo menos eu não o engulo. Além disso é uma vergonha e uma falta de ambição ideológica chocante insistir neste discurso miserabilista. Revela conformismo e uma total falta de solidariedade cívica. Revela também que os muitos anos de estudos "superiores" não bastaram para lhes ensinar que o Mundo é um bocadinho maior que o raio que dista dos próprios olhos ao umbigo.  Com protagonistas ideologicamente tão ambiciosos não é apenas a geração que está à rasca, é Portugal inteiro.   

3 comentários:

dragao vila pouca disse...

«O Governo desgoverna com competência rara, mas a oposição não consegue dar sinais de poder fazer melhor. O drama maior de Portugal é esse. Temos maus governantes e políticos sem novas ideias. As crises dão-lhes muito jeito. Quando se é incompetente, não há melhor álibi do que uma boa crise, ou então lançar as culpas para o antecessor.»

Rui, está aqui tudo.
Já não há pachorra para os ouvir. São os políticos, armados em grandes estadistas, mas sem nível, populistas e demagogos; são os economistas - todos muito bons, mas quase todos já lá estiveram e só fizeram asneiras; na justiça é um escândalo atrás de outro; na saúde, já vamos na guerra entre hospitais, com uns a mandarem doentes para outros, para não gastarem mais; é na educação, onde já não percebo nada de nada, já nem sei o que querem os professores, que tanto se queixam; e é na área social, onde causa mais incómodo, a alguns, uns poucos milhões para o rendimento mínimo, mas não causa incómodo nenhum as centenas de milhões derretidos no BPN e no BPP. Enfim, um Deus nos acuda.

Abraço

Anónimo disse...

http://templododragao.blogspot.com/2011 … silva.html

Ler com ATENÇÃO!!!

Anónimo disse...

Este Sócrates é um anormal, um mentiroso que levou este país à ruína.
Gostaria que ele fosse julgado juntamente com o seu camarada Teixeira dos Santos, por serem uns incompetentes que roubam os portuguêses até ao tutano. O restante é tudo nojo.

O POPRTO É GRANDE VIVA O PORTO