24 abril, 2011

Sem regiões Portugal definha

Tenho sido pouco assíduo no 'acincotons' nos últimos dias porque tenho andado de mala às costas. De passeio. Eu, que nunca gostei de "vestir" uma de turista, por cinco dias pus-me enquanto tal.

Por imperativos vários ando de "seca para meca" e ando agora por terras da Galiza, em Vigo. É surpreendente o que estes galegos fizeram nestes últimos anos. A cidade rejuvenesceu, juntando o que era antigo ao novo e mesclando os tempos e as memórias. Toda esta zona sofreu bastante - económica, física e psicologicamente - aquando do derrame de crude do "Prestige", em 2002. Hoje parece recuperada e com a auto-estima em alta. Apesar da crise, do subprime, do colapso económico baseado na construção civil.

Mas no Estado Espanhol há outra realidade: as regiões autónomas deram um sangue novo e um vigor imensos a toda a esta zona da Península. Portugal, centralizado, sem sequer regionalização administrativa, é hoje uma aberração na Europa, em que o Estado Central tudo decide e em tudo se imiscuie.

Não há elites locais, nem pensamento regional, nem opiniões públicas à escala dos pequenos espaços. Tudo gira em torno de Lisboa e (nalguns casos) do Porto. Aí estão os órgãos (únicos) de poder. Aí estão os meios de comunicação social de massas (ainda que poucas), aí estão os "fazedores de opinião", focados apenas na realidade que conhecem.

Historicamente sempre tem sido assim e continua. Espanha, com regiões fortes, aguenta os embates da história e corporiza as diferenças, assentes no pulsar das regionalidades e das autonomias. Portugal vegeta nas mãos de meia dúzia de profissionais do saque, a coberto dos partidos que todos conhecemos, que se erejem como os únicos que valem, os únicos que sabem, centralistas e centralizadores, sugadores de todas as forças e de todas as energias. Portugal está exangue. A esta gente o devemos.

(PS incluído é claro, para quem a regionalização sempre tem sido algo em que não acredita. Os amores de Capoulas Santos que, no primeiro momento, deixa cair a "paixão", é igual a quase tudo em que o PS toca - acaba por ser destruído, conspurcado e envolto na teia dos interesses particulares e de grupo. Tem sido sempre assim. Quanto muito, quando falam da regionalização, querem que ela seja mais uma farsa meramente administrativa, com pouca representatividade e menor democraticidade ainda. Sem alma e sem espírito. Quanto ao PSD idem idem, aspas aspas. Não é por acaso que os dois partidos são os responsáveis pelo atoleiro para onde nos levaram).

Carlos Júlio
[in blogue Regionalização]

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