23 agosto, 2015

Que FCPorto queremos para este ano? Mais do mesmo?


JULEN  LOPETEGUI

Não há portismo sem sentido crítico. Quero com isto dizer que, como portuense e portista que não se limita a gostar do Porto pelo que faz, ou não faz, o seu clube mais representativo, comunico aos leitores mais sensíveis que não terei esta época a tolerância e a paciência que tive na que passou. Sou censor severo da crítica irracional, ou do assobio estérico, mas nunca deixarei de escrever o que penso para agradar, ou desagradar a alguém.

Durante o decorrer da temporada passada estive sempre com o treinador Lopetegui, nomeadamente quando o deixaram sozinho frente a uma comunicação social hostil ao FCPorto, ignorando o facto de este desconhecer a realidade portuguesa e o relacionamento do nosso clube com os media. Uma falha clara e de algum modo estranha de Pinto da Costa, que nos tinha habituado a atalhar caminho sempre que alguém ousasse prejudicar o FCPorto. E não aceito a desculpa da idade. Se já não se sente com capacidade para dar o corpo às balas, só tem uma solução: é mandatar alguém da sua confiança para o fazer.

Mas não foi só nesse aspecto que estive com Lopetegui, foi também quando toda a gente questionava a rotatividade que ele decidiu aplicar na composição das equipas. Pareceu-me natural e sensato que o fizesse, visto ser tudo novo para ele quando cá chegou. Além de que a originalidade é para mim uma virtude, não um defeito. Há quem goste muito de evocar fábulas como se de matemática se tratasse quando se fala de futebol. Abusa-se delas. Termos como, "no futebol não há nada para inventar" , deviam ser banidos do vocabulário futebolístico, porque ao usá-lo, sem se darem conta, estão a negar a revelação de novos talentos, daqueles jogadores que arrastam multidões ao futebol, como Pélés, Maradonas e Messis. No futebol, como na arte, há tudo ainda para inventar. 

Um ano de adaptação a um clube como o FCPorto, é mais do que suficiente para o conhecer e para ganhar embalagem ganhadora. Um ano, note-se, se levarmos em conta as novas engenharias contratuais em que a necessidade de realizar capital obriga o clube a vender os melhores jogadores e a admitir outros emprestados, com, ou sem opção de compra. Nestas condições, porventura incontornáveis, os riscos de insucesso são maiores, quer para o treinador, quer para o próprio clube. Mas cabe sempre ao treinador (o contratado) aceitá-las, ou não. Se as aceita, já não pode (não deve) defender-se à posteriori de eventuais dissabores com o argumento da perda de jogadores fulcrais. No caso vigente, saíram 7 ou 8, mas entraram outros tantos igualmente promissores. Portanto, para resumir, Lopetegui já não tem margem de manobra para falhar.

Já tinha aqui referido, no jogo de abertura contra o Victória de Guimarães, que ainda tinha visto alguns "vícios" do passado recente. Ontem, voltei a observá-los (para pior), e o resultado foi o que se viu... Em que ficamos: serão os jogadores que não carburam, ou é o treinador que não consegue deles extrair o melhor rendimento? Uma coisa eu sei. No seu sistema de muita posse de  bola, falta o mais importante: pô-lo funcional. É preciso passar bem, evoluindo na direcção atacante com desmarcações muito bem treinadas, com os jogadores a trocarem posições mas com (como agora se diz) critério, ou seja, com objectividade, não na para as linhas laterais (como costuma fazer Brahimi), mas para o centro da baliza. É visível e notório que Brahimi não é um extremo, não gosta de descer o corredor para cruzar, a sua posição no terreno favorita (no meio) está mal explorada.

Queria evitar de entrar pelos campos técnico-tácticos, mas alguma coisa está a falhar neste modelo de jogo de Lopetegui que não consegue pressionar logo pela linha atacante. Os jogadores da frente simulam a aproximação aos adversários quando a bola está em seu poder, mas sempre muito distantes, o que os obriga a recuar (os que recuam), misturando-se com os médios, só passando a controlar o jogo desde esse sector. As probabilidades de roubar a bola aos adversários nestas condições são mais remotas e menos passíveis de sucesso porque raramente conseguem desorganizar e surpreender os defesas. Isto é tão óbvio que até no Dragão pudemos ver várias equipas a pressionar confortáveis. Portanto, sou levado a concluir que esta história da posse de bola e com este estilo de jogo não traduz obrigatoriamente domínio. 

Como já tenho dito outras vezes, esta é a minha percepção do futebol que continuo a ver nas equipas de Lopetegui. Vale o que vale, mas é a minha opinião, aquela que me parece mais realista. Por isso, se Lopetegui não encurtar a distância que lhe falta para olear a equipa e formar os jogadores para uma dinâmica de futebol de ataque produtiva, duvido que tenha paciência para sofrer o que sofri  a época passada (já disse que não sou masoquista). E cheio de razão.


PS-Por favor, poupem-me com a ladainha do "ainda estamos a começar". Já nos chegou que o Presidente decidisse falar quando já nada podia resolver.

5 comentários:

Anónimo disse...

O FCP não é o Barcelona, o FCP merece um futebol mais ofensivo simples e objectivo. Já deu para ver que Lopetegui é obcecado por este futebol rendilhado com muita percentagem de bola mas que na maioria desse tempo é tudo desperdiço.
Este empate com este futebol no jogo da Madeira veio confirmar que é mais do mesmo, lopetegui vai ter muitas dificuldades para ganhar no nosso campeonato, porque não tem um plano B.
Este jogo na Madeira foi uma frustração uma desilusão para a família portista.


Abílio Costa

Rui Valente disse...

Agora, o que me anda a fazer confusão é a ambiguidade comportamental de Pinto da Costa. Quanto a negócios, não nos podemos queixar, mas tratando-se de resultados desportivos e comunicação social (Porto Canal), a conversa é outra, radicalmente oposta.

Anónimo disse...

Rui Valente ainda não deu para entender o que é o Porto Canal para o FCP, o sr Pinto da Costa ainda não se fez entender em relação a esta Estação de Televisão! Se é para ficar como está, fazendo as transmissões dos jogos, e passar o resto a ser uma banalidade.
Nunca se investiu tanto para satisfazer o treinador espanhol, embora saíssem vários jogadores que é o equilibro financeiro do clube, mas outros lhe foram dados de igual o melhor categoria.
O problema do FCP neste momento é que o futebol de Lopetegui, é o mesmo da época passada cheio de problemas no último terço do terreno, se a baliza fosse no centro, outro galo cantaria.
Tenho muitas duvidas para esta época, infelizmente estou pessimista.

Abílio Costa.

Rui Valente disse...

Abílio,

É mesmo muito estranho e incompreensível o comportamento de Pinto da Costa em relação ao Porto Canal. Há muito tempo que parece estar em auto-gestão. É tanto mais estranho quanto o FCPorto é (ao que consta) o principal accionista do canal, pelo que não se entende como um accionista parece não estar interessado num negócio que é seu (será mesmo?). Já me cansa falar daquilo...

Quanto ao futebol, parece-me que os erros dos últimos anos parecem coincidir sempre no mesmo ponto: nos treinadores. Parece-me que Lopetegui foi também um flop.

Anónimo disse...

Que se pode dizer do futebol praticado pelo Porto? É simples... experimentem começar a ver o jogo (pela tv)com ele já a decorrer a algum tempo e ao fim de uns 10 a 15 minutos ainda não se sabe para que baliza está a atacar.
Quanto ao Porto Canal nem merece comentários, é das coisas mais rascas que alguma vez já se viu.

Cumprimentos

A. Martins