23 outubro, 2015

Cavaco Silva. O caos é ele


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Se  há  pessoa  de quem  não  gosto  de  falar,  é de Cavaco Silva. É uma figura pela qual nunca nutri a menor  simpatia. Ao contrário do General Ramalho Eanes, também pouco dado a sorrisos, e que talvez por isso não conquistava muitas simpatias, Cavaco está  muito longe de  ter a dimensão de estadista do antigo  Presidente  da  República.   Ramalho Eanes era, antes  de  tudo, um  homem  íntegro.  Nunca  o vimos   entrar   por  caminhos   impróprios  de  um verdadeiro   Chefe de  Estado.  Eanes jamais ousou influenciar os portugueses a votar no partido A ou B, nem nunca cometeu a insensatez de se colocar no lugar de fiador, para convidar o povo a investir no BES, um Banco cuja história recente é conhecida e que a todos nos envergonha. Mas, Cavaco, esse, ousou. Por isso, tenho de falar dele.

Com aquele ar de quem tem o rei na barriga, e de quem treina ao espelho expressões de respeitabilidade, voltou a mostrar ao povo, e até àqueles que pensam como ele, mas têm dois dedos de testa, que nunca devia ter sido eleito para o mais alto cargo da nação. A democracia, tal como é actualmente regida, tem destas ratoeiras. 

Como actor, é possível que Cavaco ainda tenha capacidade para enganar alguns, mas como político deu provas de não ser lá muito inteligente. Cavaco, pode continuar a ensaiar as caretas que quiser, circunspectas, ou subtis, dizer que é pela estabilidade do país, mas nunca terá capacidade para negar que ao decidir empossar Passos Coelho para formar governo tomou uma decisão anti-democrática e sectária. Sabia que ele era assim, mas ainda admiti que lhe restasse um pouco de lucidez. 

Cavaco é daqueles políticos que nunca quiseram mesmo saber do povo para nada, nem dos seus problemas. Para ele, a prioridade chama-se mercado, ou não fosse ele apenas um economista. Com a sua não decisão, só vai atrasar o país, acentuar o alvoroço de pânico nos sistemas financeiros. Vai enfim, fazer exactamente o contrário daquilo que diz defender. A coligação Pàf vai cair, como tudo leva a crer, e Cavaco será responsabilizado pelo arrastamento no tempo, gerado por um provável governo de gestão que só pode acentuar os problemas do país.

Como disse atrás, Cavaco prefere o dinheiro às pessoas. Nunca o conseguiu disfarçar, apesar de bom actor. Só que, não percebe nada, nem de uma coisa, nem de outra... Não obstante, Cavaco sem o saber, acaba por concordar com o perfil que dele acabei de traçar. Senão leiam este trecho das suas declarações:

"Se o governo formado pela coligação vencedora pode não assegurar inteiramente a estabilidade política de que o país precisa, considero serem muito mais graves as consequências financeiras, económicas e sociais de uma alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas."

3 comentários:

Guilherme de Sousa Olaio disse...

Caro Rui Valente,
Assistamos com impaciência a uma estória que começa na Quinta da Coelha e acaba no País transformado na Quinta do Coelho.
E como o comentário já vai longo os meus
Cumprimentos

Rui Valente disse...

Caro Guilherme S. Olaio,

Pode alongar o comentário à sua vontade. Faço gosto em ler as suas opiniões.

Anónimo disse...

Ainda bem que no próximo ano nos vamos ver livre desta figurinha, uma figurinha que foi inventada pelo PSD para política. Nunca conseguiu surpreender ninguém mesmo pela negativa porque era tão óbvio nas suas afirmações e atitudes.
Sai a Dama das Camélias ou Rainha da Inglaterra como queiram, e quem será o próximo Empecilho na presidência! Pior do que este é impossível, mas, este país é fértil em surpresas.

Abílio Costa.