18 outubro, 2015

Yanis Varoufaquis versus coligação PS/CDU/BE


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"Há um debate no interior do PS sobre se deve haver uma aliança com partidos de esquerda que estão a rejeitar as regras do jogo, e alguns deputados estão preparados para que isso aconteça, desde que haja um acordo de que o governo português jogue pelas regras do Eurogrupo. Isto é um problema. Porque são compromissos que não se podem cumprir".

Yanis Varoufakis
(Ex-Ministro grego das Finanças)


Ou muito me engano, ou Varoufakis vai ser o homem a abater pelos economistas do capitalismo selvagem de todo o mundo. Despir, com tanta lucidez e coragem, o manto cínico de uma política económica  injusta como é a do Eurogrupo, poderá custar-lhe caro. Quero acreditar que a consciência dos cidadãos se fortaleça com as suas declarações, nomeadamente aquelas pessoas que o aplaudiram de pé no auditório da Universidade de Coimbra. 

Por cá, as direitas assumidas e tímidas, deixaram cair a débil máscara democrática para começarem a disparar em tudo que não diga ámen com a prole. Até no programa "Eixo do Mal", a Clara Ferreira Alves, mulher inteligente e amiga confessa de Mário Soares, tomou as dores da direita, depois de ter passado o tempo a malhar no governo de Passos Coelho. Já Pedro Marques Lopes, que nunca escondeu os seus gostos conservadores, foi o único que assumiu uma posição democrática, apesar de não acreditar na estabilidade da coligação PS/CDU/BE. Daniel Oliveira, esse, não se escandalizou com a aliança de esquerda, o que para quem militou no Bloco de Esquerda, é perfeitamente normal.

Pedro Marques Lopes, disse e bem, que as pessoas não votam em governos, votam em partidos para as representar no Parlamento. Só depois é que se fazem as contas dos votos para saber qual, ou quais, desses partidos, terão condições para formar um governo minimamente constante . Para mim, não é uma surpresa ver outra vez cair a cara falsa da democracia da direita. É só uma questão de tempo. Habituados que estavam às maiorias PSD (social democracia direitista) e PS (social democracia de esquerda), há políticos de ambos o quadrantes, incluindo do CDS, que parecem ter-se esquecido que a Constituição também faculta aos partidos de esquerda a possibilidade de se coligarem e formarem governo. Não é portanto compreensível o histerismo logo gerado à volta do assunto com a "preciosa" e anti-democrática colaboração da comunicação dita social...  

Naturalmente, conhecendo nós o estado calamitoso em que está a Europa e o próprio Mundo, é extremamente difícil prognosticar o futuro. O próprio ex-ministro das Finanças Varoufaquis sentiu na pele essa experiência, e sabe o que diz. Contudo, apesar de Varoufaquis aconselhar o PS português a não se comprometer com as regras da Zona Euro "por as achar impossíveis de cumprir", as dificuldades que a anunciada coligação de esquerda vai encontrar serão as mesmas que a coligação PàF, mas nenhuma pode garantir-nos certezas. Isto, já para não falar dos sucessivos fracassos no défice e incumprimentos eleitorais (o mais importante) do governo Passos Coelho/Portas.    

Quanto às teorias anti-comunistas e os medos pela sua tradicional rigidez política, (incluindo do Bloco de Esquerda) e que parecem renascidos das cinzas pelos amigos da conjuntura actual, são tudo, menos casuais, e não fazem nenhum sentido. Se qualquer dos três partidos de esquerda não cooperar nesse tratado comum de entendimento (que deverá ser cuidadosamente escrito), estará a comprometer o seu futuro. Nem vejo qualquer sentido estratégico, se por detrás da proposta colaboracionista do PCP e do BE pairar camuflada a intenção de esmagar o PS. Custa-me aceitar que qualquer destes partidos se tenha metido numa empreitada desta responsabilidade sem perceber que o momento não é para brincar à baixa política. O momento é de convergência e de pragmatismo. Tem de ficar claro em que pontos específicos assentam essa cooperação, e durante que período. Todos, devem saber o que os espera. Todos devem saber ao que vão, e o que os aguarda. O mínimo que deles esperam os eleitores (até eu, que não votei), é que, por uma vez, saibam provar-lhes que têm noção do que é o verdadeiro sentido de Estado. Vai ser uma dura tarefa, atrevo-me a dizer, quase impossível. Não tanto por desacreditar na seriedade dos protagonistas, mas porque o terreno está minado a montante, na União Europeia.

Varoufaquis já deu o mote. Aconselhou o futuro governo "a não se comprometer com regras que são fundamentalmente irracionais" . Disse, aos amigos do PS para defenderem um processo de renegociação das regras sensato, democrático e racional".

Cá para mim, ele é capaz de estar a dizer coisas acertadas. Talvez bem mais versadas que as constantes aldrabices de Passos Coelho e Portas.

1 comentário:

F. Couto disse...

Caro Rui Valente,

A malta esqueceu-se da instabilidade criada pelo "irrevogável". Agora é vê-lo com medo da instabilidade de um governo à esquerda.

A mensagem da direita vai passando nos jornais, nas TV's, sempre com o apoio dos do costume (também é para isso que eles lá estão). O PSD parece o SLB tem gente em todo o lado e nas televisões então!!!
O que me impressiona é a cambada de carneiros em que os Portugueses se tornaram. Parece que é tudo rico e que o PCP ou o BE lhes vão tirar direitos. Os que aumentaram a precaridade do trabalho e baixaram os salários, são os da coligação.

Por ultimo e para sossegar os mais aflitos, vejam o que aconteceu na Grécia com o Syriza. Nos países intervencionados não é possível governar à esquerda.

Abraço,

F. Couto