03 agosto, 2016

O que os jornalistas não vêem


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O calor do verão provoca em parte considerável da população uma certa tendência para relaxar, para impormos a nós próprios algum distanciamento da realidade. É natural, e nesta época, até se recomenda, porque se estivermos à espera que o país político nos surpreenda, no que respeita a justiça e prosperidade social, bem podemos morrer de desespero (da monarquia, à república salazarista, mais os 42 anos de democracia teatral, não passámos da mediocridade). 

Como não tenciono morrer deseperado, sigo essa tendência relaxante procurando divertir-me tanto quanto a vida mo permite sem que isso me torne desleixado com o que vou observando.

Não fôra as intermináveis aberrações da acção centralista e das discriminações daí decorrentes que me absorvem completamente o tempo (e os tópicos), podia variar um pouco mais os textos do Renovar o Porto. Não me caem os parentes na lama se assumir que o centralismo e a corrupção intelectual por si gerada tornaram-se quase numa "obsessão" para mim. Talvez seja uma forma de compensar o modo ocioso e pouco resiliente com que outros nortenhos encaram este grande problema... Adiante.

Foi esta pequena notícia do JN e outras lembranças que motivaram o post de hoje. A primeira observação não recai na notícia em si mesma, mas mais no papel passivo de quem a escreve, até porque já não é a 1ª.vez que isto acontece no mesmo local. O que quero dizer é o seguinte:  estará devidamente sinalizado o local de acesso à ponte D. Luís para quem vem de carro e não conhece a cidade? Contemplará essa sinaléctica as dificuldades inerentes a condutores idosos, com visão e a audição limitadas? Eu não sei, porque ainda não tive oportunidade de confirmar, mas ao que tenho visto por essas estradas fora, não me custa nada acreditar que haja ali qualquer falha.

Tendo viajado recentemente um pouco por toda a parte, entre as regiões do Douro e  Minho, fiquei ( uma vez mais) estupefacto com o desmazelo da sinalização rodoviária. Até mesmo em Viana do Castelo, vindo da antiga estrada nacional, é um problema, uma salgalhada tanto para quem quer ir para Norte como para Sul. Chegando à cidade pela antiga ponte Eiffel o condutor depara-se com uma profusão de pequenos sinais, colocados uns sobre os outros a distâncias irrisórias de segurança ao mesmo tempo que é confrontado com bifurcações à direita e à esquerda sujeito a provocar um acidente só porque não tem condições de segurança para escolher a rota pretendida. São tantas as situações deste tipo que dá para ficar com a ideia real do desleixo a que foram votadas a antigas estradas nacionais e para termos a certeza que isso só pode acontecer para nos obrigar a optar pelas vias com portagens. O condutor que optar pelas auto-estradas sistematicamente pode não se incomodar com esta situação, mas se quiser usufruir da beleza das paisagens, em vez de prazer, terá pesadelos, e na pior das hipóteses, acidentes.

É por estas e por outras que tenho muita dificuldade em olhar para o país com optimismo. Nós não nos adaptamos à ordem, às regras, temos sempre de estragar tudo. Fazem-se auto-estradas, degradam-se as estradas e  respectiva sinalização. Constroem-se novos e amplos postos dos CTT, e logo se espreme o espaço que fôra concebido para melhorar a qualidade de serviço e o conforto de utentes e funcionários para lá encaixar uma papelaria. O mesmo aconteceu com a Loja do Cidadão e com a Metro do Porto. Tudo começa bem, mas raramente continua nessa onda. São a porcaria dos políticos e os seus eternos saltos de videirinhos sem escrúpulos, que  não nos fazem avançar. E com um povo acrítico que se masturba de patriotice futeboleira, não sairemos tão cedo desta pocilga.


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