08 agosto, 2016

Uma cidade que não é um lugar


Image de Uma cidade que não é um lugarDe cada vez que partimos do Porto levamos a cidade inteira no coração.
De cada vez que voltamos, sentimos que mudou, sendo a mesma em todo o seu esplendor.
Como diz Agustina Bessa Luís: “Vivo aqui, mas o Porto não é para mim um lugar; é um sentimento”, partilho em absoluto as suas sábias palavras. O Porto tem essa magia dos sentimentos, cresce connosco e liga-nos sem nos prender.
Um destes dias, perguntaram-me quais os cinco lugares que mais gosto no Porto, a ideia era responder sem pensar demais. A minha resposta foi: Avenida dos Aliados, todo o Centro Histórico, a Cantareira, o Parque da Cidade e a Pérgola da Foz, se fosse preciso referir mais lugares, teria muitos para referir, estes desenham um possível itinerário que tenho o privilégio de habitar quase diariamente, nem que seja de passagem.
Se eu tivesse de fazer um jogo da Glória, a casa nº 1, a da partida, seria a Av.dos Aliados, onde actualmente nos sentimos como se estivéssemos na sala de estar da cidade. Ali, ouvimos grandes concertos, brindamos a passagem do ano, tantas e tantas coisas, até vemos futebol, sentados no chão com as estrelas no céu a brilhar.
Este texto tinha como primeiro título: Juntos e Aliados, e iria começar com o relato do dia 10 de Julho, em que pela primeira vez estive sentada na placa da avenida, a ver um jogo no meio da multidão, entre palavrões típicos de desconhecidos e genuinamente tripeiros. Juntos e Aliados, era esse o sentimento maior, que unia os portugueses naquela noite quente de Verão. A vontade colectiva de vencer parecia incendiar o céu.
Precisei de todos estes anos para me sentar ali, a fazer algo pouco usual, ver futebol no meio da multidão e sentir uma cidade vibrante na sua afortunada diversidade, uma cidade sem complexos e extremamente viva.
É curioso como um lugar de passagem se transforma num lugar de estar e como regressando ao seu estado habitual, retoma as dinâmicas sem nada perder.
O Porto é não é um lugar, o Porto é uma forma de estar.
(Isabel Barros/Porto24)

4 comentários:

Deacon Blue disse...

Caro Rui,

Eu nao sou nada.
Sou um pobre desconhecido que para aqui anda.

Mas deixe que lhe diga o seguinte!

Enche-me de orgulho ser desta cidade e emociona-me profundamente este tipo de posts, estas fotos, meu deus....

Sinto que somos diferentes, que temos alma e uma marca.

Pedigree? é isso?? ;)

Um grande e emocionado abraço por aquilo que aqui faz e que me toca particular e profundamente.

Nao esquecendo os habituais participantes que leio com muito gosto!

Deacon Blue

marujo88 disse...

Muito bem a nossa cidade é inigualável, cada vez que saio do Porto sinto que vou perder um pouco de mim, mas no regresso a alegria de voltar compensa tudo o que perdi durante a ausência. Viva o Porto a cidade mais linda do mundo.
Abraço
Manuel da Silva Moutinho

Anónimo disse...

Quem escreve assim é Tripeiro. A cidade tem cheiros, tem sabores, tem beleza carago...
O Porto tem rio tem mar e tem gente sem pimenta na língua mas franca e gentil hospitaleira.
A cidade tem o estádio do Dragão, fortaleza do FCP que é simplesmente um dos melhores clubes europeus e o famoso néctar que é o vinho do Porto.
Biba o Porto.

Abílio Costa.

Rui Valente disse...

Deacon,

nós somos o Porto! E você faz parte dele.

Um abraço a todos!