06 fevereiro, 2017

FCPorto, um enigma a decifrar no fim do campeonato

Garra e união, é a grande virtude desta equipa do FCPorto

Fiquei, como é natural, agradado com os três pontos conquistados pelo FCPorto ao Sporting. É muito importante, neste momento, acumular pontos para não deixar outra vez descolar o Benfica e manter a diferença mínima, de forma a deixar o adversário sempre sob pressão. Com esta victória, afastamo-nos mais 3 pontos de um habitual candidato ao título, um rival de qualidade, igual, ou mesmo superior (por que não dizê-lo) ao actual primeiro classificado, podendo assim continuar a alimentar esperanças legítimas para lutar pelo campeonato até ao fim.

A par do resultado do jogo, valeu a entrega dos jogadores em toda a primeira parte, com destaque para os golos e a exibição surpreendente do estreante Soares, e para as soberbas defesas de Casillas, responsáveis pela manutenção da victória. Já não gostei nada da reacção tardia de Nuno Espírito Santo ao domínio do Sporting em toda a segunda parte, que precisou de sofrer um golo para mexer na equipa. 

Talvez seja esta flutuação repetida de métodos e comportamentos, que não inspira confiança a muitos adeptos. E isto, contraria o falso paradigma conhecido por treinadores de bancada, até porque não deve haver na Europa temática mais conhecida e entendida pelo povo, que o futebol. Até os espectadores intelectualmente mais ineptos, acabam por perceber de futebol, quanto mais não seja pelos muitos anos que passam a acompanhá-lo. Deixemo-nos de tangas proteccionistas, porque, tal como para se ser sério é importante parecê-lo, a competência também se revela frequentemente nas aparencias. 

A juventude do plantel não pode justificar sempre a lentidão do seu crescimento. Além disso, não estamos a falar propriamente de adolescentes, mas sim de rapazes com idade maior e já barbados com obrigação de assimilarem as recomendações do técnico rapidamente. Nuno, deve mesmo desafiá-los, motivá-los e responsabilizá-los no processo de crescimento, e sempre com um elevado grau de exigência. Mas também deve ensinar-lhes o que eles ainda não sabem e corrigir-lhes o que ainda fazem menos bem. Há aspectos que demoram a ser melhorados.

A apetência e o sentimento de medo pelo remate, por exemplo, já deviam estar resolvidos. Ainda há jogadores que preferem delegar noutros essa responsabilidade. Não duvido que isto seja relativamente simples de resolver, só falta é incutir-lhes essa confiança. Para isso existem os treinos à porta fechada e muita persistência. Aliás, nem se percebe por que outras razões hão-de ser sempre os treinos secretos (salvo, antes dos jogos). Ainda não se instalou no grupo a rotina de pressionar os adversários, nem tão pouco a gestão da posse e troca de bola em momentos de vantagem no marcador. Todos estes aspectos levam o seu tempo, só que não pode estender-se ad aeternum sem que a evolução se torne evidente.

Há jovens jogadores da equipa B do FCPorto que podem vingar na principal, e outros que tendo também essa possibilidade nem sempre acrescentam aquele must que o prenunciem claramente. Fala-se no talento de João Graça como medio de construção, e é verdade, mas pessoalmente acho que lhe falta fibra para se afirmar como marca "à Porto", porque frequentemente desaparece do jogo.  Vejo no brasileiro Galeno muito potencial e vontade de crescer. É rápido, tecnicamente evoluído e bom rematador. Mais recuado, temos o Inácio (também brasileiro), com boa técnica e com características ofensivas muito promissoras. Depois, temos os portugueses Diogo Dalot, Verdasca, Areias, Rui Pires e todos os outros que neste grau máximo da formação já deviam ter outra capacidade para abordar a bola na hora do remate, mais espontânea e destemida.

Não se entende - apesar da juventude - que ainda manifestem tanta parcimónia a chutar à baliza. Continua a perder-se muito tempo (e oportunidades) para surpreender os defesas, aflorando com toques e mais toques a bola até se decidirem a chutar. Neste patamar de formação já deviam ter estes hábitos mais padronizados, e a isto não pode estar alheia a nossa eterna dificuldade em marcar golos (mesmo a nível nacional). É preciso fazê-los crescer precocemente, ou seja, transmitir-lhes as manhas (boas) dos mais adultos, o sentido de oportunidade, antes da experiência que advém do tempo. A isso, chama-se jogar por antecipação, evoluir antes dos outros. Quem pensar que isto é contra-natura, engana-se. É assim que se faz a diferença.

Não sou treinador, nem de bancada, nem de computador. Apenas penso à minha maneira. Tão só. E gosto muitoooo! de (bom) futebol...     

      

1 comentário:

Anónimo disse...

Marcamos cedo e tudo correu nos conformes ao FCP. Soares a verdadeira surpresa, generoso e eficaz. Casillas estava lá, nos últimos minutos do encontro.
O treinador do FCP foi ousado na primeira parte, sem meio campo com passos longos para velocidade de Corona e Soares por essa razão é que o Sporting teve mais posse de bola a meio campo.
Agora na 2ª parte a ganharmos por 2-0 NES só mexeu dando mais força ao meio campo, quando sofremos o golo! É o problema deste treinador não lê o jogo, tem poucos planos, ou seja, damos quase sempre meia parte ao adversário. É caso para dizer é novo e não pensa.

Abílio Costa.