20 fevereiro, 2017

Trump, democracia e liberdade

Donald Trump, "democrata", republicano e ditador

Donald Trump  como todos sabemos, está nas bocas do mundo, e não é pelas melhores razões.  Só de olhar para esta figura e atentar na sua linguagem, é o bastante para recearmos que os eleitores norte-americanos tenham guindado ao poder um novo ditador.

A verdade é que, desde que tomou posse não tem parado de intimidar o mundo, incluindo os seus vizinhos mexicanos e canadianos. O mundo é ele, e os USA são agora propriedade sua para anexar ao seu já abastado pecúlio. Muita água pestilenta irá passar debaixo das pontes caso os americanos previdentes não saibam travá-lo a tempo. Os ditadores não custumam dizer ao que vêm, mas este candidato foge ao estereótipo, porque foi eleito "democraticamente". Palpita-me que o tempo não nos fará esperar para termos a certeza.

Um dia destes vimo-lo a destratar a comunicação social numa reunião com 40 jornalistas na Trump Tower. Chamou-lhes hipócritas e mentirosos, entre outras delicadezas. Nada que a mim me surpreenda, porque é verdade. Pena é, que o mundo, incluindo os jornalistas sérios, tenham de ouvir da boca de um putativo ditador a mais unânime e vulgar das realidades. Eles não só mentem como vendem a mentira. Sim, a classe jornalista deixou-se tomar pelo opiómetro do 4º. poder, não soube purgar-se da soberba dos oportunistas e agora tem o que merece, é tratada toda por igual porque nada tem feito para se reabilitar da má fama. Assim, viverá sempre debaixo do estigma da suspeita.

Ando há anos sem compreender as razões para tanta negligência. Entende-se mal que quem exerce seriamente a profissão de jornalista não veja razões para se indignar com colegas que pela sua desonestidade intelectual mancham a reputação de toda classe,  nem consta que tal os encorage a demarcarem-se deles. Em Portugal, este problema não deve ser muito diferente do que acontece noutros países, mas isso não justifica a indulgência, pelo contrário, revela uma cumplicidade corporativa e amoral com os medíocres e um despeito absoluto pelo público. A RTP, como empresa pública de comunicação, é o pior dos exemplos. Sendo empresa estatal, promove o sectarismo em vez da isenção, e alberga nos seus quadros o pior que há no jornalismo. As privadas seguem-lhe os maus exemplos. Não deviam fazê-lo, mas são empresas privadas. 

O que aconteceu aos norte-americanos com a eleição do Trump, pode a qualquer momento replicar-se em Portugal. Os portugueses não são substancialmente diferentes do americano medio, em termos de formação. Gozam de uma comunicação social degradada, corrupta e unipolar e nada ganham com isso. Hoje em dia é muito simples afirmar estas coisas com factos, porque é uma actividade permanentemente exposta ao escrutínio público, por isso fácil de deixar provas.

Não tenho dúvidas que a verdadeira Liberdade será sempre adulterada se continuarmos a avaliá-la como algo incondicional e absoluto. Esta ideia radicalizada de liberdade degenera a comunicação social. A ética e o respeito pelo outros, são o melhor amigo da Liberdade, a melhor couraça para uma democracia forte e idónea. 

A quem servirá então esta deturpação de valores tão importantes, como a liberdade e a democracia? Aos políticos e aos seus laços mercantilistas? Não vejo mais a quem. Por mim, como cidadão livre, não me importaria nada que me limitassem certas "liberdades".

Não creio que nos faça qualquer falta ouvir nas rádios ou nas televisões acusações em directo a outros cidadãos ou instituições, sobretudo sem fundamentação. Para isso há os tribunais e os advogados. Considero altamente indigno e negativo para a classe política permitir a deputados e ex-governantes a liberdade de comentar jogos de futebol. Isso não os aproxima (como alguns malandros dizem), do povo. Não, senhor! Isso vulgariza-os, e descredibiliza a própria política, que deve ser sempre séria e imparcial.

Aplaudiria já, o primeiro partido cujos estatutos vetassem o acesso dos militantes a esse tipo de programas. Contenção cívica exemplar, seria a norma da casa. Ou política, ou futebol, separados. Juntos, nem pensar. Nada destas liberdades fazem realmente falta, nem acredito que seja algo positivo para todos nós, até porque incitam à violência e a fundamentalismos. Isto aplica-se a jornalistas, magistrados, enfim, a todas aquelas funções onde é exigível e recomendável um certo distanciamento público. Se há quem goste deste folclore feito liberdade, arrisca-se a um dia destes ver os próprios juízes como comentadores de futebol...

Há limites para tudo na vida, até para estas liberdades. Cavalgar a onda da anarquia, confundindo austeridade social com condicionamentos à liberdade, é caminhar para o caos com um sorriso parvo nos lábios. É que, se o caos ainda não domina o mundo, pergunto: onde pára a paz mundial?

Pessoalmente, considero perfeitamente possível a imposição de certas regras. A liberdade de dizermos o que pensamos é inegociável, mas casá-la com a calúnia é dispensável. Recuso categoricamente uma democracia ao estilo de Trump, mas o respeito e as boas maneiras podem e devem ser perenes. Em Portugal há muitos Trumps à espera do seu momento. Que ninguém duvide.  

1 comentário:

Anónimo disse...

Este homem é perigoso é um tio Patinhas a precisar urgentemente de tratamento psiquiátrico, é uma figura imprevisível, é um quase parecido como o louco em estado avançado da Coreia do Norte.
Este todo poderoso dos americanos é um actor de Hollywood, que quer fazer um filme de amor, mas vai dar numa grande Cowboyada.

Abílio Costa.