29 setembro, 2017

Se o ridículo matasse



Podem acusar-me de tudo. De ser pouco dado a apreciações surperficiais, de ser dificilmente influenciável, de não me entusiasmar com ninharias, de não apreciar a classe política, de não acreditar em democracias que desprezam a lei, de me marimbar para a economia abstracta, ou de desprezar o politicamente correcto.  Porque tudo isso é verdade. Agora, o que não me podem dizer é que me ando a enganar.

Tenho uma noção realista do país em que vivo. Um país que foi incapaz de se educar, política e democraticamente, e que não soube extrair da liberdade de expressão o seu melhor, como ser criterioso nas escolhas que faz de quem se apresenta como capaz de o governar. Por isso, também é um pouco nossa a culpa, porque alguns (como eu), deixaram de votar por não terem em quem, ou seja, por não acreditarem nas propostas dos candidatos, mas também por não se destacarem muito dos que já conhecemos. Apesar disso, sempre prefiro não votar, do que votar em quem não tem perfil para governar com seriedade e competência.

Como estarão lembrados, escrevi aqui mesmo, ainda há poucos dias, que ansiava por saber os resultados da investigação da PJ no caso dos e-mails do Benfica. Ainda é cedo para isso, mas o facto de saber que houve um juíz de instrução que bloqueou a investigação depois de numa primeira abordagem ter concordado com a procuradora do Ministério Público, pode ser mau sinal. O Benfica tudo fará para atrasar, ou mesmo travar, o andamento do processo, podendo resultar em mais um caso falhado da Justiça, como aconteceu com o caso Sócrates e do Banif. 

Os investigadores estão a ser lesados no seu trabalho e na sua dignidade profissional, e os clubes também, particularmente o FCPorto, que tem sido, sem qualquer dúvida, o mais prejudicado. Em Portugal, a verborreia jurídica é muitas vezes responsável pelo branqueamento dos crimes de corrupção mais gravosos. A Justiça portuguesa não é tão eficiente quanto devia. Qualquer dia, para incriminar alguém só será possível com a presença dos juízes no acto do crime. 

Por esta andar, talvez ainda possamos assistir a um fenómeno insólito, mas muito portuga para provar a autoria de um crime: ver o assassino ligar ao juíz para o informar da arma, da data, da hora e do local, onde tenciona praticá-lo...   


6 comentários:

António Ferreira disse...

Depois de conseguido o TRETA estão a ver que não vai haver PETA, bonito vai ser quando perderem 12 títulos na justiça, pensem só se existisse email no tempo da ditadura não sobrava título nenhum!

O Rui tem razão em tudo o que disse, por pensar o mesmo sou da opinião que tudo devemos fazer tudo para esta questão dos email chegar as instancias internacionais e simultaneamente expor também internacionalmente as nossas instituições, justiça, política etc. para acabar de vez com este cancro da corrupção em Portugal que é um fenómeno transversal que se espalha desde a comunicação social a justiça e a política e que serve aqueles que não tem escrúpulos como o slb. e seus dirigentes prejudicando todos os outros.

Para isto ser possível temos que nos organizar e continuar a lutar mas não nos limitar ao ciber-espaço é necessário outras iniciativas, criar um movimento anti-corrupção que obrigue quem de direito a agir contra os criminosos.

Roque disse...

Eu diria mais, caro Rui Valente, ainda veremos o assassino requerer, o ressarcimento e indemnização à vitima, dos crimes que praticou, por a acusação não ter cumprido na integra os pressupostos juridicos e burocráticos requeridos.

Rui Valente disse...

Caros amigos,

se ainda fosse-mos a tempo, e o pessoal portista alinhasse na ideia, podíamos apelar à abstenção geral nas próximas legislativas, como repúdio ao comportamento dos políticos e do governo perante este escândalo. Mas, palpita-me que os que mais se queixam são os que menos querem fazer para abanar com esta porra de país.

Anónimo disse...

O Clube do regime os corruptos estão sempre a jogar em casa, tudo se rende a eles. Os políticos estão mais empenhados nos votos que em fazer cumprir a lei. Neste país, mais na capital das decisões capital do Império, tudo se resolve pela cor vermelha e aqui é que está o perigo.
Vamos aguardar, graça a Deus que há mais juízes que pensam de maneira diferente que a deste que já marchou para outro lado.

Abílio Costa.

Felisberto Costa disse...

Aqui ao lado a Catalunha dá-nos lições de como lidar com o centralismo, se bem que em Espanha isso nem sequer exista!

Rui Valente disse...

Repugna-me ver aquela malta da capital "preocupada" com a independência da Catalunha, sabendo que são eles, com as suas políticas centralistas e absolutistas, os principais responsáveis pelos movimentos de autodeterminação.

Como é possível serem tão falsos? Será que acham ser modelo para alguém? Pulhas!