14 fevereiro, 2018

Para lá das 4 linhas há a dignidade de um clube a defender

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Hoje, há jogo grande no Dragão, um jogo em que mais uma vez o FCPorto vai ter de se superar para levar de vencida o milionário Liverpool. Não será a primeira vez que tem de lutar contra estes tubarões, nem será certamente a última. Vamos todos acreditar nas capacidades do treinador e dos jogadores que, mais do que nunca, têm de jogar muito concentrados e confiantes. Eu, confio nesta equipa e em Sérgio Conceição. Vai ser difícil, mas acredito numa boa surpresa. 

Posto isto, retomo o assunto do costume, que é a dinâmica vigarista do polvo encarnado que nem as investigações em curso da PJ consenguem travar.

O Benfica continua a beneficiar da colaboração de todos os canais da capital com o desplante do costume. A SportTv criou um novo programa para o efeito com um nome muito "sugestivo" (Juízo Final), só possível num país onde a Lei mais parece o banco do Victória de Setúbal a levar pancada do tresloucado Fávio Coentrão.  Estas artimanhas nem sequer deviam ser permitidas por lei, porque são criadas exactamente para gerar mais confusão nas arbitragens sempre para benefício do clube do regime. Mas, estamos em portugal (com letra minúsculas).

Esta nova xico-espertice vermelha foi ontem debatida com propriedade pelos comentadores do Programa Universo Porto da Bancada, deixando outra vez no ar aquele sentimento misto de vazio e impotência habitual. Os comentadores do UPBancada expressam-se bem, argumentam com seriedade, e com a isenção possível de quem fala em causa própria.  Porém, fazem-no, obedecendo a uma estratégia demasiado defensiva, reduzindo factos graves a simples protestos, na vã expectativa de serem bem sucedidos na consideração dos destinatários. Ora, sinceramente, acho esta estratégia fraca, e um tanto infantil na frequência e no estilo. Ou os nossos comentadores têm boa fé a mais, ou sofrem de uma ignorância enorme sobre a realidade do país onde vivem, se é que ainda acreditam  que os destinatários se regenerem quando não têm nada para regenerar, porque lhes falta bom senso e isenção.

Já cansa falar sempre do mesmo, e ainda mais cansa constatar a estagnação na objectividade do programa, se não querem perceber que tanto a FPF como a Liga e respectivos departamentos, estão empenhados em não reagir e ignorar o que lá é exposto, por mais escabroso e incómodo que isso seja.  Está visto que é essa a estratégia. Se não fosse, já tinham agido de outra maneira. O intuito é óbvio, é tentar descredibilizar o FCPorto, tanto quanto fôr possível. Na minha opinião, é chover no molhado continuarmos a levantar questões a auditores decididos a fazer da surdez uma estratégia. Admito mesmo que seja propositada para provocar reacções explosivas à comunidade do FCPorto para justificar castigos pesados... Tudo é possível. Daquela gente tudo se pode esperar, sendo que desse "tudo", a malvadez supera a sensatez.

Nesta interpretação, acho ser preciso ir mais longe, beliscar o que ainda há do brio pessoal dos altos representantes do Estado visto que, como salta aos olhos, do brio institucional já sabemos do que a casa gasta... O que me parece despropositado é que o FCPorto, e neste caso o programa Universo Porto da Bancada, continue a protestar optando por um contexto recreativo quando devia ser de índole constitucional, levar o caso ao Governo.

Que sentido faz num Estado de Direito, arrogante e pouco fiável como o nosso, chamar a PSP, se formos assaltados, se nem uma estação de televisão os convence a obedecer à chamada? Não aparece hoje, nem amanhã, nem passado 8 mêses, que é exactamente o tempo decorrido entre o início das queixas ao CA, e CD da Federação, apresentadas no programa Universo Porto da Bancada, e o dia de hoje. Começa a ser patético andarmos tanto tempo a "chamar a polícia"* (8 mêses) não por telefone, nem por email, mas através do Porto Canal, sem a polícia dar sinais de vida, e mesmo assim insistir-se no pedido de socorro. Isto é tão grave quanto os casos comuns em que devido à ausência da Justiça se promove a justiça pelas próprias mãos. Não chega berrar pelo fogo, é perioritário atacar o fogo se os bombeiros estão ausentes. E importa destacar, quando falamos de justiça pelas próprias mãos, que não estamos a falar de casos individuais, falamos de um clube com milhões de adeptos espalhados pelo território que já foi várias vezes provocado em alguns estádios adversários, que de um momento para o outro pode reagir de forma agressiva por se sentir marginalizado. Não chega elogiar-lhes a tolerância, o  civismo, importa persuadir o  Estado a ajudá-los de forma activa, caso contrário ainda vamos assistir a uma catástrofe (mais uma,a juntar aos incêndios).

O país é mal governado, e não é de agora. Há corrupção na vida pública e privada, e não é pouca. Por este andar a tendência é para crescer. Ainda assim, temos uma Constituição, à  qual sempre podemos recorrer quando os poderes intermédios não cumprem a contento as suas obrigações.

É muito estranho que no seio da SAD portista não haja alguém que ouse recorrer ao documento mais importante do Estado apenas para reclamar coisas tão simples e tão poderosas como o direito de repelir a discriminação e a injustiça.

Enfim, tanta parcimónia,num país dito democrático é incompreensível. Tem dias que me imagino na África do Sul do apartheid, tal é o medo de quem não o devia ter.

PS-"Chamar a Polícia", neste caso, pretende dizer reclamar junto do Governo, até porque os emails foram entregues à Unidade Nacional da PJ contra a corrupção.

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