14 junho, 2019

Uma ave rara, ou mais uma farsa?

Humberto Brito*
Os últimos dias foram pródigos em notícias visando autarcas e autarquias envolvidos num conjunto de práticas de natureza criminal, designadamente atos de corrupção.
Sempre defendi que na vida como na política não somos todos iguais. Contudo, não posso deixar de me indignar contra todos aqueles que, eleitos e legitimados pelo voto popular, mancham a atividade política. Uma atividade que devia ser nobre. Como nobre deve ser o caráter dos que se dispõem a servir os seus semelhantes.
Porque somos eleitos para servir e não para ser servidos. Somos eleitos para defender o bem público e o superior interesse da comunidade. Somos eleitos para servir de exemplo à comunidade.
A classe política nunca mereceu grande aprovação por parte da população. O rótulo de desonestidade sempre esteve colado a todos aqueles que se propuseram contribuir para transformar a sociedade criando melhores condições de vida aos seus concidadãos. Esta sempre foi a minha interpretação da vontade dos homens e mulheres que querem servir a comunidade.
Sempre lutei contra o preconceito de que os políticos são um bando de malfeitores.
Mas hoje, no somatório das notícias vindas a público e das que se avizinham, sinto-me indignado e envergonhado.
Se Portugal precisa de uma operação mãos limpas que seja feita! Que se separe o trigo do joio. Não é possível continuar a trabalhar com a sombra de que somos todos iguais. Que somos todos desonestos. E que se afaste definitivamente a escumalha que se arrasta pela política em jogos de interesse e prática de crimes que a todos enojam! Todos têm a obrigação de denunciar atos ilícitos! Para que haja decoro e decência!Lutei por isso! Lutarei sempre por isso!
A bem do meu concelho. A bem de Portugal!
*Presidente da Câmara de Paços de Ferreira
Nota de RoP: 
Somos um país tão causticado pela mediocridade, e pela falta de valores éticos, que qualquer futilidade nos serve para apelarmos ao orgulho. Entristece-me ouvir alguns portuenses pronunciar esta infeliz palavra com o Ó aberto como se tivessem nascido no sul... Enfim, cada um absorve os sons conforme os ouvidos que tem. Só lhes falta chamar Uscar ao Óscar. Mas, não é de pronúncias que quero falar, é de méritos. Se fôr sincero o artigo acima, se o Presidente da Câmara de Paços Ferreira fôr mesmo um político íntegro, faço-lhe uma vénia por ter a coragem de fazer o que poucos políticos fazem: censurar a sua própria classe. Com absoluta razão.  Mas censurar não chega, este país precisa de ser varrido desta gente, nem que seja à força. 


1 comentário:

  1. “Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm austeridade, nem concepção, nem instinto político, nem experiência que faz o Estadista. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?”

    (Eça de Queiroz, 1867 in “O distrito de Évora”)


    - "Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada económica, a mesmo baixeza de carácter, a mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal" - Eça de Queirós, 1872, in As Farpas

    Luís (O MEU, O TEU, O NOSSO FCPORTO)

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