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03 fevereiro, 2011

Benfica, o símbolo da nossa medíocridade

Na ressaca de uma derrota mal digerida, com o clube que concentra o que de pior há nos portugueses, dou por mim a tentar descobrir por que é que o meu fair-play se eclipsa nas raras vezes que perdemos com ele. 

Apesar da ausência de Democracia, dantes, talvez por não haver televisão, as rapinagens de que eram vítimas os poucos clubes da "província" [para os lisboetas só existe a sua cidade] que lhe podiam fazer frente, eram melhor digeridas, e de certo modo resolvidas com uns profiláticos tabefes no terreno ao(s) autor(es) da afronta [leia-se, equipa de arbitragem] .

E não me lembro, que essas descargas de revolta esporádicas tivessem ferido de morte, ou mesmo provocado a morte a alguém, como aconteceu em plena era da televisão a um adepto do Sporting por mão assassina de um benfiquista. Já sei, já sei, que não há adeptos virtuosos, que o fervor clubístico só difere nos símbolos, mas a rivalidade entre o FCPorto e o Benfica é muito menos inocente que isso. O Sporting, é tal como o Benfica, um clube de Lisboa, também um tradicional rival, mas consegue escapar à antipatia visceral que os portistas nutrem pelo Benfica. E não creio que isso se possa dever apenas ao facto de o Benfica ter um historial mais rico ou por o Sporting nos últimos anos não ter vencido muitos campeonatos. Deve-se, acima de tudo, a uma postura de arrogância e de generalizado desprezo pelos rivais nortenhos do FCPorto. 

O Benfica simboliza a mentalidade centralista, o narcisista a babar-se para o próprio umbigo, o "ou nós, ou ninguém", os moralismos corruptos, as infames conspirações com os consequentes efeitos difusores: o Benfica  dos milhões, o Benfica dos bons chefes de família, enfim... Mas, todos esses maniqueísmos seriam toleráveis se confinados à luz da rivalidade desportiva e se não tivesse por trás a envenená-la  toda uma comunicação social facciosa e muitos políticos oportunistas. O Poder Político, a par do Poder Mediático, são os maiores responsáveis do pós 25 de Abril por terem transformado a rivalidade desportiva numa rivalidade étnica, económica e social.

O Centralismo é da responsabilidade dos políticos. De todos! Dos que governaram e dos que foram oposição. Todos pactuaram com a montagem deste espectáculo miserável, por isso não terão qualquer autoridade moral para abrirem a boca quando os blindados que acompanham a comitiva [autocarros] do Benfica nas deslocações ao Porto forem recebidos à bomba, em vez de ridículas bolas de golfe. Portugal, em termos realistas, está mais próximo do Egipto do que do Principado europeu do Mónaco. A continuar assim, talvez um dia venhamos a comprová-lo no próprio terreno. 

Por isso grito: que morra o Benfica! Morra! Que morra o Centralismo! Morra! 

E que viva a verdadeira raíz nacional: PortoGal! Viva!

26 junho, 2008

Afinal, a águia era um abutre!


O abutre é uma ave repelente. Incapaz de caçar pelos seus próprios meios, depende da sorte de encontrar uma presa vulnerável para se alimentar.

Na Natureza, está no ponto mais baixo da cadeia - é um necrófago. Este facto torna-o repugnante, nojento, para os outros seres vivos - excepto para os outros abutres.
Tem um cérebro diminuto, é lento, desajeitado, incapaz de se alimentar caçando presas que dão luta, e por isso faz uma festança quando apanha alguma coisinha para matar a fome. Quando isso acontece, os abutres juntam-se em bando, desesperam-se por algum bocado de carniça que conseguem subtrair da carcaça, e não raro lutam entre si para saciar a fome. Então é vê-los com aquele ar agressivo, uns contra os outros, com o bico adunco coberto de vísceras, ameaçando de morte o seu semelhante por aquele bocadinho de alimento que nenhum mereceu, que não foi capaz de obter, mas que lhe caiu nas garras por obra e graça do destino.

Está condenado a alimentar-se de restos - se tiver a sorte de os receber, já que não tem talento nem aptidão, já que é um incapaz.

(Remetido por Renato Oliveira)