Mostrar mensagens com a etiqueta Corrupção. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Corrupção. Mostrar todas as mensagens

12 abril, 2012

Tudo gente séria...

Não é por nada, mas gostava de adivinhar o ritmo cardíaco do Presidente da República depois de confrontado com as notícias, ou com os artigos de opinião - baseados em factos -, como os enunciados na crónica aqui abaixo do Jorge Fiel.  Falei do ritmo cardíaco, e não como seria mais indicado, da consciência, porque, ao contrário do coração, a consciência é mais difícil de sondar, sobretudo em pessoas com o perfil altivo e  a cara de pau de Cavaco Silva.

Se estivesse no lugar do Presidente, eu que algumas vezes peco por me levar demasiado sério e por gostar de pagar as minhas contas, já teria feito um pedido de explicações aos responsáveis por estas notícias, caso fossem falsas, ou, a serem verdade, como tudo aponta que sejam,  ter-me-ia já demitido. O drama é que eu sou apenas o cidadão Rui Valente, praticamente um desconhecido, e ainda por cima honesto, tanto quanto é possível sê-lo numa sociedade com uma ancestral tradição desonesta como a nossa, enquanto pessoas como o PR investem tudo no estatuto, incluindo a própria honestidade.

Penso não me enganar se disser que a política é a melhor escola para se aprender a controlar as emoções e transmitir uma imagem de integridade e competência nem sempre condizente com o perfil dos alunos. Talvez por isso a política seduza mais os visceralmente oportunistas que os bem intencionados. Pelo menos é assim que vem acontecendo. Não viria mal ao mundo se a espaços pousassem na política estes paraquedistas, se o regime em que vivemos fosse uma democracia a sério, mas até ela sucumbiu à génese trapaceira dos portugueses. Percebe-se assim por que é que os políticos se sentem tão confortáveis neste esboço de democracia, e por que é que consideram as eleições livres [até ver...] a única ferramenta prestável para provar ao mundo que Portugal tem um regime democrático, e porque não estão interessados em criar outras...

Outro [mau] exemplo: numa Democracia [escrevi com maiúscula de propósito] a valer, seria impossível que Mário Lino não tivesse já sido julgado e punido por ter interferido activamente enquanto Ministro das Obras Públicas nos negócios de uma entidade pública como a REFER e tentado influenciar [e desautorizar] o responsável por essa empresa para beneficiar uma outra privada [a O2 de Manuel Godinho]. Mas o que vai acontecer [podem escrever o que digo] é que Mário Lino vai ter apenas o "incómodo" de algumas deslocações ao tribunal - para simular o funcionamento da Justiça -, para passados uns penosos mêses [ou anos], sair imaculado...

«A gaja é que o está a segurar», dizia o sucateiro ao cúmplice da REFER, referindo-se a Ana Paula Vitorino, ex-secretária de Estado dos Transportes, que foi resistindo às pressões do Ministro Jamais e mantendo no cargo o Presidente da REFER...

Meus senhores, será preciso um desenho para concluirmos quão rasteira e marginal é a nossa classe política? Eu respondo: é! Sabem por quê? Porque a comunicação social não sendo burra, às vezes gosta de passar por burra ou - o que é mais intolerável -, de fazer de nós burros. Mas a resposta não é essa. A resposta é: pousada a poeira do caso Face Oculta, vamos todos ver de novo o ex-Ministro Mário Lino a opinar sobre a seriedade de outros como ele, mas de partidos diferentes, e o murcão do povo a ouvir.

26 outubro, 2010

Corrupção: Portugal na 32.ª posição entre 178 países

Portugal surge na 32.ª posição no quadro dos 178 países analisados pela Transparência Internacional (TI) quanto à percepção da corrupção, quando em 2009 aparecia em 35.º lugar, que foi o pior ranking de sempre para o país desde 2000.

No relatório anual da organização não-governamental, intitulado "Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2010", Portugal mantém-se como um dos países da Europa Ocidental em pior posição do ranking anual sobre a percepção da corrupção, embora tenha melhorado ligeiramente em relação ao ano passado.

Leis "herméticas", um aparelho de Justiça que "não funciona" e resultados "nulos" no combate à corrupção são as razões apontadas pela TI para explicar a má posição de Portugal no ranking anual sobre percepção da corrupção.

Paulo Morais, da representação portuguesa da TI, disse à Lusa que "nos últimos anos Portugal piorou muito", afirmando que "o ovo da serpente está na legislação confusa e que gera ela própria corrupção".

Leis "invariavelmente herméticas e cheias de regras que ninguém compreende e excepções por forma a obedecer muitas vezes a este ou aquele grupo" e, "o pior de tudo", leis que atribuem "um ilimitado poder arbitrário a quem as administra" são as principais razões, defendeu.

Paulo Morais acrescentou que o aparelho da Justiça "não funciona" porque "não há uma actuação sistemática de combate à corrupção". "Tem havido aqui e além alguns assomos de aparente vontade de combater" a corrupção, afirmou, salientando, no entanto, que tiveram "resultados praticamente nulos".

O responsável da TI em Portugal disse que "mesmo os organismos mais recentes têm sido praticamente nulos quando não, muitas vezes, contraproducentes".

Paulo Morais classificou o Conselho Português para a Prevenção da Corrupção como um "organismo governamentalizado" e a Comissão Parlamentar Contra a Corrupção como "uma inutilidade absoluta", com "resultados práticos praticamente nulos".

"Os próprios parlamentares mais relevantes nessa Comissão eram eles próprios muito ligados a grandes grupos empresariais, o que obviamente não ajuda no combate à corrupção", argumentou.

Segundo referiu, o relatório da Transparência International foi elaborado por "um conjunto de sábios independentes", tem diversas fontes e corresponde em 60 por cento a visões externas sobre Portugal e em 40 por cento a opiniões manifestadas em Portugal.

"Obviamente, quando a percepção da corrupção ao longo dos anos indica que os valores da corrupção estão a aumentar e a qualidade da democracia por essa via está a diminuir, isso corresponde a um aumento real da corrupção", frisou.

A Transparência Internacional é uma organização não-governamental que tem como principal objectivo a luta contra a corrupção. Foi fundada em Março de 1993 e tem sede em Berlim. É conhecida pela produção anual de um relatório no qual se analisam os índices de percepção de corrupção dos países do mundo.

[Fonte: Público]


Nota do RoP:
Como me sinto orgulhoso! O que é preciso é optimismo...

20 novembro, 2008

Os senhores Ministros

Nem queiram imaginar a dimensão das vantagens para a economia nacional, dos investimentos feitos por ex-governantes no estrangeiro, especificamente, em off-shores! É melhor nem pensar, para não sermos acometidos por um enfarte do miocárdio...
Dias Loureiro, ex-ministro da Administração Interna (imaginem), juntamente com José Oliveira e Costa, ex-líder do BPN e da SLN, adquiriu e sediou, em Porto Rico (não confundir com o Porto, pobre), duas empresas "tecnológicas", onde investiu cerca de 56 milhões de euros, à socapa das autoridades, escapando assim às contas das mesmas. Mas, calma, tudo isto será, como é costume em Portugal, devidamente esclarecido, o que, em bom português, quer dizer, devidamente branqueado. É só uma questão de tempo. O tempo, é para os políticos, a lixívia da consciência.
Mais "divertido" ainda (mas, não surpreendente), é o partido do Governo, que devia ser o primeiro a exigir o apuramento imediato das responsabilidades, ter inviabilizado as audições parlamentares acerca da bronca BPN, com a sempre eterna carta do baralho "legalista" (desculpa), de a mesma se encontrar sob investigação judicial. As investigações judiciais em curso, não sendo tão poderosas como a lixívia do tempo, constituem uma espécie de tira-nódoas prévio, que complementa e potencia a lavagem. O Governo, está a imitar a história do gato escondido com o rabo de fora e por alguma(s) razão deve ser...
Obviamente, que perante este espectáculo permanente de degradação moral ao mais alto nível, não haverá ao cimo da terra, nenhum chico esperto, mesmo clonado de Einstein, que me persuada a aceitar compatibilidades entre funções políticas e empresariais, sem se arriscar a levar com o rótulo de vigarista e corrupto!
Pois, foi isso mesmo que, segundo informa o Público de hoje, na página 3, fez Dias Loureiro quando submeteu em Abril de 2002 à apreciação da Assembleia da República esta questão, por pretender manter-se ligado simultaneamente a altos lugares administrativos de várias empresas com os de deputado, "em regime de não exclusividade" (belo argumento, não?).
Isto, dizem eles: é legal, é democrático. Pois eu direi, é pouca vergonha, é crime travestido de mérito e elitismo!
Senhores juristas e magistrados, por favor, imponham a Lei. A Lei, é a persuasão impositora do bom senso quando alguém não é capaz de o praticar por si mesmo. Numa Democracia de verdade , a Lei, nunca pode ser anti-democrática. Não o será, apenas e se, não for cumprida, seja quem for o prevaricador.
Tal como está, pode até conduzir o país a novas ditaduras.