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11 agosto, 2010

O País arde e o Ministro segura a reforma milionária

O Ministro da Administração Interna e Mestre Mação, Rui Pereira, em vez de se dedicar a doutrinas herméticas de interesse público duvidoso, faria bem melhor se revelasse, e explicasse aos portugueses, qual foi  em concreto o plano de prevenção aos incêndios que traçou para este verão e quais as iniciativas concretas que tomou para as pôr em prática.

É uma falta de respeito à inteligência dos cidadãos, passar o tempo a atribuir exclusivamente a terceiros  e a mão criminosa, a responsabilidade pelo flagelo incendiário que todos os anos assola o país de Norte a Sul sempre que as temperaturas sobem mais do que previsto. Se o ano passado Portugal teve, excepcionalmente, um verão mais tranquilo em termos de fogos, não foi devido a qualquer campanha preventiva do Governo, mas sim à ajuda "divina" da mãe Natureza.

Para além dos Corpos de Bombeiros e até das populações, esses sim, os grandes responsáveis pelo combate aos fogos que pagam com a vida a crónica negligência do Governo, em Portugal não há [nem nunca houve], vontade política para encarar este gravíssimo problema com a seriedade e determinação que ele merece. Se os media dão voz ao senhor Ministro para lavar as mãos como Pilatos desta desgraça  nacional, ignorando a raíz do problema, cabe-nos a nós responsabilizar quem tem de ser responsabilizado e acusar quem deve ser acusado. E neste caso, é o Ministério da Administração Interna e respectivo Ministro. 

Deduz-se portanto, que para o senhor Ministro fazer o papel de Calimero, de pregador da moral e  dos bons costumes, seja o suficiente para justificar as reformas milionárias que o futuro lhe reserva, e que a isso, chamará decerto compensação por mérito. Pois eu nego.

Ganhar a vida assim, é uma indignidade! Essas reformas, deviam sim,  ir direitinhas para os Bombeiros, ou para as famílias que os perderam no cumprimento do dever, porque esses, ao menos, são pragmáticos nas suas missões, não reclamam tantas mordomias nem perdem o seu tempo com fantasias maçónicas. Eles usam o fato de macaco e a água, não  os ridículos aventais da maçonaria e nem precisam de ir para a Faculdade para serem competentes e trabalhadores.

Nota:
Pegando nas palavras do Ministro Rui Pereira, mas dando-lhe uma ênfase mais responsável e menos paternalista,  a melhor Homenagem que se pode prestar aos soldados da paz mortos no combate ao fogos, não é apenas clamar bom senso aos portugueses, é, num futuro muito próximo - porque já vem super-atrasado - criar um plano estratégico de limpeza e prevenção aos fogos com todas as consequências que a "ousadia" possa acarretar. É assim que se cultiva a credibilidade. Para discursar, qualquer criança serve. 

13 fevereiro, 2009

Para que serve, esta Procuradoria?

Há dias, em conversa pessoal com o amigo e colaborador do RoP, Rui Farinas, dizia-lhe que não queria "futebolizar" demasiado este blogue, ao que ele me respondeu, certeiramente, para não me preocupar com isso, porque o futebol é tão importante como outra coisa qualquer, e que nunca devíamos desistir de falar em tudo o que nos parecer injusto e relevante para os portuenses. E o Futebol Clube do Porto, goste-se ou não, é a instituição mais agregadora e heterogénea da cidade do Porto.
Pensando bem, não só concordo com o Rui Farinas como considero que a nossa contestação, apesar de frequente e corrosiva, peca por defensiva. Nós, devíamos questionar com mais frequência, os orgãos de soberania e as pessoas que lhes estão ligadas, porque é neles que os portugueses confiam para resolver certos assuntos. Os tribunais, em última instância, apesar de lentos, ainda vão, a espaços, e com alguma dificuldade, impondo a sua justiça. Afinal, neste país desgovernado, também eles sofrem as consequências da bandalhice instalada.
Não será chegado o momento de exigirmos a demissão do Sr. Procurador da República e das equipas de Investigação nomeadas para acompanhar o Processo Apito Dourado? Não está nas barbas de todas as pessoas integras e com algum sentido de decência, o sectarismo e os sinais persecutórios evidentes, demonstrados pela procuradora Maria José Morgado? Será preciso que ela mostre o cartão de sócia do Benfica (se é que o tem), para que o senhor Procurador Geral perceba que ela não tem perfil ético para aquela missão?
Será indispensável evidenciar um elevado quociente de inteligência, para se perceber que há uma manifesta intenção de forjar provas contra Pinto da Costa depois de se recorrer ao testemunho de uma mulher sem escrúpulos como é Carolina Salgado? Por que persistem então em manter a «confiança» nos «testemunhos» de tal pessoa*, o Sr. Procurador e sua estimada adjunta? Por quê? Alguém será capaz de compreender isto, sem duvidar da idoneidade destas pessoas? Aquela velha história do "parecer sério", não se lhes aplica, por quê? Por pensarem que os seus magnanimos estatutos as isenta absolutamente de quaisquer suspeitas? Os tiques salazarentos ainda não desapareceram, meus senhores?
Estão na moda as Petições. Pois então, usemos esse instrumento de cidadania para movermos uma a favor da demissão destas pessoas. Já vai sendo tempo.
*O acórdão assinala ainda que a acusação não teve sequer "o cuidado de purgar os erros técnico-jurídicos, na medida em que articula supostos e duvidosos factos", assim como "também não leva em conta as demais orientações e esclarecimentos dados pelos peritos quando dizem que os erros assinalados não o são".O acórdão dos desembargadores, cujo relator foi Coelho Vieira, acolhe ainda a tese de que não houve qualquer tipo de favorecimento por parte do trio de arbitragem constituído por Jacinto Paixão, Manuel Quadrado e José Chilrito. "Numa perspectiva geral e objectiva, verifica-se que houve erros de análise de lances de jogo para cada equipa" e que "nenhum dos lances que originaram os golos do FCP foram precedidos de erros de arbitragem". Por isso, nunca a acusação poderia deduzir "que os erros de arbitragem são causa adequada do resultado final quando favorecem o FCP e completamente inócuos quando favorecem o Estrela da Amadora".
(Texto parcial dos juízes desembargadores do Tribunal da Relação que ordenaram o arquivo do processo, extraído do Público)