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06 junho, 2011

Rescaldo eleitoral

Tem absoluta razão  Pedro Baptista, em afirmar que se "se vivêssemos numa democracia   real, derrotaria com facilidade Aguiar-Branco do PSD, Assis do PS, Ribeiro e Castro do CDS, João Semedo do BE e Honório do PCP, porque todos eles, tendo descoberto nas últimas semanas os encantos do Porto eleitoral, nunca abriram a boca no parlamento, nem quanto ao roubo dos fundos do QREN desviados para Lisboa, nem quanto à situação de ser o Norte Litoral a única região a pagar as SCUT..."  E como não havia de ter razão, se o que ele diz corresponde a uma realidade concreta, orfã das "muletas" de uma comunicação social oportunista e desonesta, que consegue esta coisa paradoxal, que é manter próximo do poder os três partidos [PSD, PS e CDS] mais responsáveis pela gravíssima crise que o país atravessa?

Pois é. Mas, apesar disso, inexplicavelmente, continuará a haver quem olhe de soslaio para os pequenos partidos, sobretudo para aqueles que não conseguiram votos suficientes para terem direito a um lugar no Parlamento... Logo, estas declarações de Pedro Baptista, sendo correctas e factuais, nem sequer vão ser reproduzidas nos jornais gratuitos, porque a máquina de propaganda centralista não o permite, abafando assim as vozes incómodas ao regime. Foi a fórmula que o regime encontrou de praticar actos pidescos, prescindindo dos métodos demasiado grosseiros da polícia política de Salazar, passando assim por democrático... 

Segundo o jornal "i", o PDA/MPPNorte, obteve 4601 votos, colocando-o à frente do POUS com 4531 [o Público inverteu estas posições], o que é manifestamente inexpressivo, embora um bocadinho melhor do que muitos esperariam, tendo em conta a abissal desigualdade de meios comparados com os outros partidos.

A "classificação" por cidades do Movimento que ousou fazer despertar da "amnésia geral" político-partidária o tema da Regionalização, ficou assim ordenada:


  1.  Porto .................     com    2217 votos 
  2.   Braga.................      com     592 votos
  3. Aveiro..................    com     397 votos
  4. Açores.................     com    371 votos
  5. Viana do Castelo.....  com    195 votos
  6. Guarda .................    com    200 votos
  7. Bragança.................  com    143 votos 
  8. Vila Real................   com     122 votos
Total......................    4237 votos

De destacar, os cerca 41% de abstencionistas que, contrariamente às opiniões de certas autoridades [para mim pouco credíveis], são para respeitar e reflectir... Foi "apenas"  o "partido" mais votado!

Considero um direito, tão legítimo como qualquer outro, rejeitar pura e simplesmente o acto eleitoral. A incapacidade para um novo partido se afirmar no actual cenário político nacional, por mais meritórios que sejam os seus projectos, justifica-o plenamente.

Que o diga, o Movimento Pró Partido do Norte. Intelectualmente, isto, não é democracia, é sim, uma tentativa de encaminhar gente adulta de regresso ao estado infantil, .

29 maio, 2011

O terrível fantasma da abstenção

Tento compreender, sem contudo evitar alguma estupefacção, com a ideia, quase obsessiva, que certa gente continua a ter  contra a abstenção. E não se pense que se trata de  quaisquer pessoas, são pessoas com alguma notoriedade social, e até política, como aquelas que hoje no JN deram a sua opinião sobre a evolução abstencionista em Portugal, desde o 25 de Abril.

Antes de explicar a minha estranheza, interessa revelar o ponto em que concordo com essas pessoas. Tem a ver com a importância de manter bem vivo o hábito de votar, e de o transmitir às novas gerações, lembrando-lhes pedagogicamente os  50 anos de ditadura em que o povo foi impedido de o fazer livremente. Partindo deste "preâmbulo", depois, caberá a cada um, decidir o timing em que deve, ou não, votar. E essa decisão, incluirá, naturalmente, o voto em branco e... a abstenção. E por quê? Porque, o voto em branco, para constituir um efectivo sinal  de protesto, do género "eu quero votar, mas não me revejo nos partidos concorrentes", teria de ser consequente. Isto é, teria de desencadear uma série de acções/reacções conducentes a uma outra iniciativa, a um resultado concreto. Ora, não é nada disso que acontece. O voto em branco, é apenas um gesto, um registo, bem menos dissuasor que um sinal de sentido proibido no trânsito rodoviário ! Nestes casos, quando o infractor é apanhado pelas autoridades, ainda arrisca uma coima, agora votar em branco não tem qualquer consequência para os maus governantes.  

Perante tamanha inocuidade democrática, o cidadão [como já tem acontecido comigo], tem todo o direito de se sentir coagido com a prática de uma acção [votar] para a qual frequentemente não vislumbra qualquer sentido, com a agravante de até se sentir usado por preconceitos políticos.

É por estas e muitas outras razões, que discordo completamente de pessoas, como o Arqº. Alcino Soutinho que chegou ao cúmulo de considerar a abstenção "falta de inteligência" e [cito] "um acto estúpido!". Como assim? Não será o contrário?

Enquanto certas figuras falam da Democracia como se de um bicho de estimação se tratasse, procurando assim, parecer mais democratas que os outros, eu não me canso de argumentar sobre a premência de a aperfeiçoar e fortalecer. Mas, para isso, é preciso fazer algo mais que votar. A Democracia não pode ser tratada como o motor de um automóvel que para funcionar basta ligar a ignição. E o que os eleitores têm andado a fazer com a Democracia, votando em pessoas, partidos políticos, ou em branco, é tratá-la como um carro cuja ignição já não trabalha, mas que se insiste em ligar. Digam-me, será isto inteligente? Quantos de nós já não teriam afastado Sócrates [e outros] do poder? E, quem sabe, quantos prejuízos para o país não teriam sido evitados, se isto fosse possível?

Além de mais, se o voto do cidadão é fundamental para o bom funcionamento da democracia, e serve para eleger governos, também devia existir um processo célere e económico de os demitir, sempre que  se revelassem incompetentes ou corruptos. Se o cidadão pode e deve votar, porque acredita num determinado programa de governo confiando ao respectivo líder os destinos do país, devia igualmente poder votar, para lhe retirar confiança, quando e sempre que tal se justificasse. Isso, sim, seria votar democraticamente, e em segurança, com enormes vantagens para a economia do país.

Quando pessoas fazem declarações públicas, apenas porque gostam de ser politicamente correctas, sem pensar devidamente, acabam por dizer futilidades pouco convincentes. A ideia que fazem passar, é que votam porque parece bem votar. No fundo, parecem querer dizer que, apesar de tudo, de todas as crises e más governações, a coisa não os afecta muito. Mas, talvez fosse bom lembrarem-se que a Democracia foi concebida para estar ao serviço de toda a população, e não só de uns poucos...

06 outubro, 2009

Entrevista de Lobo Xavier a Elisa Ferreira

O jornal Público de hoje saiu com uma entrevista de Lobo Xavier (CDS/PP) a Elisa Ferreira que teve lugar no carismático café Majestic. Em determinado ponto da entrevista Lobo pergunta a Elisa:
- Como vê a crítica generalizada à ideia de que se candidatou à Câmara do Porto mas construiu primeiro uma rede para que, se as coisas corressem mal, não ficar totalmente desprotegida?
Resposta de Elisa:
- A CDU e o PS consideraram que não havia problema nenhum, e havia até algumas vantagens em candidatar a Câmaras pessoas que também eram candidtas ao Parlamento europeu. Outros pensaram de outra maneira. Cada Partido escolheu a sua estratégia.
Começa aqui o erro que muitos políticos cometem, que consiste em orientar sistematicamente as suas estratégias pelo parecer dos partidos sem procurarem antes sentir o pulso à opinião e ao sentir das populações. Pessoalmente, e como disse no post anterior, estou disposto a "perdoar" a Elisa Ferreira a gafe política de não ter renunciado ao cargo europeu e apostar tudo no Porto. Mas, pergunto-me se outros portuenses estarão na disposição de fazer o mesmo.
Descontando o cancro local dos eleitores portuenses que votam em Rui Rio a pensar no Benfica ou no trampolim em que o amigo Presidente pode vir a tornar-se para darem o grande salto das suas carreiras profissionais ou empresarias, Elisa Ferreira com um pouco mais de experiência vencia Rui Rio sem grande dificuldade. Rui Rio só é querido pela elite mais hipócrita e interesseira da nossa cidade. Alguns dos seus "ilustres" apoiantes são autênticos saltimbancos de "luxo".
Repare-se quem circula já em torno da sua candidatura:
Paulo Portas [o verdadeiro artista, «amigo» de mercados em épocas eleitorais], que nunca quis saber do Porto para nada. Miguel Veiga, um «distinto» e rico advogado «do Porto» que tem da cultura uma noção muito snob e privada, e a recém derrotada líder do PSD, a cinzentona Manuela Ferreira Leite. O que é que esta gente tem a ver com as gentes do Porto? Nada! Não passam de demagôgos. E porventura, assim mesmo, Elisa pode vir a ter muitas dificuldades para reconquistar esse pôvo.
Terminei a leitura da interessante entrevista perguntando cá para os meus botões em quem é que Lobo Xavier irá votar nestas autárquicas...

20 março, 2008

As perguntas que nunca se fazem antes das eleições

Antevendo a prosápia habitual dos Presidentes de República em vésperas de eleições, parece que já estou a ouvir Cavaco Silva a pregar: "portugueses, não deixeis de cumprir o vosso dever de cidadania e ide votar!"

Se lhe pudesse responder, far-lhe-ia esta singela pergunta:

  • Sr. Presidente, posso votar à condição?

Não quer, mas se o Sr.Presidente quisesse saber qual era a minha condição, dir-lhe-ia:

  • Eu só voto, Sr. Presidente, à condição do meu voto servir para meter na cadeia certos políticos em quem um dia confiei e me traíram!