Mostrar mensagens com a etiqueta Fonte: JN. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fonte: JN. Mostrar todas as mensagens

18 março, 2011

F.C. Porto é o melhor líder do campeonato desde há 38 anos

O actual F.C. Porto, de André Villas-Boas, é o melhor líder do campeonato português de futebol dos últimos 38 anos, desde que o Benfica, de Jimmy Hagan, chegou à 23.ª jornada da Liga 1972/73 só com vitórias.

Para o mesmo número de jogos é preciso recuar quase 40 anos para assistir a uma "performance" tão elevada. Na época, sob a orientação do inglês Jimmy Hagan, o Benfica chegou à 23.ª jornada com um pleno de vitórias e até ao final dessa temporada viria a ceder dois empates - o primeiro na jornada seguinte, com o F.C. Porto -, terminando a prova invicto, com 28 triunfos.

Esta época, o F.C. Porto - que até se pode sagrar campeão dentro de duas jornadas no Estádio da Luz -, cumpre o melhor percurso desde há longos anos, com 21 triunfos e dois empates (com Vitória Guimarães e Sporting, ambos fora).

Na sua primeira época ao serviço dos "dragões" e em tão curta carreira de treinador - foi observador de José Mourinho no F.C. Porto, Chelsea e Inter Milão e treinou a selecção das Ilhas Virgens Britânicas -, Villas-Boas quer também fazer história.

Já esta semana o médio portista João Moutinho disse que um dos objectivos dos "dragões", cada vez mais perto do título, é chegarem ao final da época sem qualquer derrota, igualando a proeza do Benfica em 1972/73.

Em toda a história da Liga de futebol apenas o Benfica conseguiu terminar o campeonato sem derrotas e não só nessa época.


18 outubro, 2010

Podia ser sobre o Orçamento



Vejo-os na televisão e nos jornais, ouço os seus débeis lamentos nas rádios. Filas espessas de gente submissa, resignada a pagar as estradas que os políticos tinham jurado "que se pagavam a si mesmas". Indecorosamente, o Estado força-os a longas esperas que fazem lembrar as filas que matizavam o Leste europeu antes da queda do Muro de Berlim para conseguirem comprar o aparelho, a única forma de pagar as portagens agora inventadas. Há gente que passou ali a noite. Outros revelam que já lá têm ido dias e dias seguidos mas em vão. E ainda há os que dizem ter chegado ali de madrugada para poderem conquistar as senhas que, ao entardecer, lhes presentearão o privilégio de serem esbulhados electrónica e quotidianamente pelo Estado. Recordo, envergonhado, a imagem de um homem que saiu da loja da Via Verde ostentando um riso que escancarava desmesuradamente a dentadura e agitando o aparelhinho diante das televisões como se tivesse ganho uma medalha de mérito - não percebeu, nem nunca alcançará, certamente, que o seu gesto apenas despertou escárnio por parte de quem manda ao contemplarem como os seus desmandos mais arbitrários são tão pronta e alegremente obedecidos.

O Estado nem se preocupou em disfarçar a sua imensa falta de respeito pelas pessoas. A muito anunciada venda de aparelhos nas estações dos CTT só aconteceu na sexta-feira. Os dispositivos electrónicos esgotaram, desmentindo as profusas declarações prévias dos comissários que o Governo enfiou nas múltiplas entidades que foram cúmplices nesta charada. Um desses "boys" teve até o topete de afirmar que "não estavam a contar com tanta afluência de público"! Ou seja, após anos de ameaças e de muitos meses de preparação ainda não sabiam, nem sequer aproximadamente, quantos automobilistas iriam precisar dos malfadados dispositivos?...

Os políticos da região, mesmo os que ainda protestaram em Junho, abstiveram-se agora de liderar as reclamações. A Comunicação Social nortenha apenas conta com este jornal e com a RTPN como representantes nacionais - o resto, apesar dos seus méritos, é totalmente ignorado de Aveiro para baixo. Os movimentos de protesto contra as portagens ignoraram, canhestramente, que a base de todo o problema nas Scut entre Aveiro e Caminha reside na proverbial falta de consideração do poder por tudo o que não afecte a pacatez dos interesses de Lisboa - cada vez que ouvia falar num buzinão na A28 /29 ou na rotunda dos Produtos Estrela era-me difícil conter uma paradoxal e sofrida vontade de rir. Como se aqueles que mandam se importassem com as barafundas e o trânsito emperrado a centenas de quilómetros dos seus roteiros habituais. Querem eles lá saber disso! Se, ao contrário, os buzinões e as marchas lentas acontecessem na capital, se os protestos furiosos sucedessem em frente aos gabinetes dos decisores, aí sim, eles temeriam os efeitos do seu desprezo pelo país. E bastaria que existisse uma recusa massiva a pagar as portagens para que os planos governamentais aluíssem como um castelo de cartas...

Mas não, os protestos esgotaram-se numa lógica enclaustrada , lesando prioritariamente os cidadãos que já estavam a ser alvo da injustiça das portagens. Foi tudo em vão - e o centralismo obteve uma espantosa vitória.

As pessoas entre Aveiro e Caminha acabaram por aceitar a sua imerecida punição de forma apática, quase bovina. Ninguém sabe ao certo quanto vai pagar. Mas o Poder ficou a saber que pagaremos o que eles quiserem e quando e como eles o definirem. Primeiro no Norte e no resto do país depois. Desembolsaremos taxas, impostos, multas, portagens, coimas, impostos sobre impostos, emolumentos, e tudo o mais que ocorrer na prodigiosa imaginação dos políticos e dos tecnocratas. Pagaremos sem rebuço, dóceis, de chapéu na mão, como eles tanto gostam.

A multidão anestesiada que matinalmente se amontoava nas filas para conseguir pagar aquilo que nunca lhes deveria ser exigido, espelha, infelizmente, o país que somos e já sem hipótese de remédio à vista. É a ilustração perfeita para o adágio com que o rei D. Carlos nos definiu há mais de um século: "Um país de bananas governado por sacanas".

05 março, 2009

Carolina outra vez suspeita de mentir

Ministério Público detecta indícios de falso testemunho em queixa-crime apresentada contra antigo namorado

A principal testemunha do Apito Dourado vai ser alvo de mais um processo por falso testemunho. Em causa estão as datas de recepção de mensagens ameaçadoras por parte de um ex-amigo. "Má-fé", acusa o Ministério Público.

Carolina Salgado queria apresentar uma queixa contra Paulo Lemos, um amigo conhecido após a ruptura da relação com o líder do F. C. Porto e com quem acabou por incompatibilizar-se. Ao ponto de Lemos ser a principal testemunha no processo em que é acusada de crimes de autoria moral de incêndio dos escritórios de Pinto da Costa e do advogado Lourenço Pinto.

Assim, a 11 de Abril de 2008, formalizou denúncia no piquete da directoria de Lisboa da PJ, por ameaças e injúrias, aludindo a 44 mensagens de telemóvel cujo envio data do segundo semestre de 2006. Nessa ocasião, garantiu que só dias antes teve conhecimento do teor das mensagens, armazenadas num telemóvel avariado e que, até então, nunca mais utilizara. A data de conhecimento das alegadas ameaças e injúrias é pormenor fulcral, uma vez que, tratando-se de crimes particulares e semi-públicos, há um prazo de seis meses para a denúncia.

Isto é, se Carolina tivesse dito que teve conhecimento das mensagens na data em que foram enviadas, o processo seria arquivado, por ter decorrido mais de ano e meio após os factos.

O caso foi enviado para o DIAP do Ministério Público do Porto. Só que, durante a investigação, a procuradora Teresa Morais descobriu que, afinal, Carolina terá tido conhecimento das mensagens na data em que foram enviadas por Lemos. Terá, por isso, faltado à verdade aquando da denúncia (ver ficha).

Por esta razão, o caso acabou arquivado, por caducidade do direito de queixa. A magistrada concluiu que tal denúncia - apresentada dois dias após o ex-amigo ter voltado a fazer acusações contra Carolina às autoridades - terá estado inserida numa estratégia de defesa no processo dos incêndios. O objectivo seria descredibilizar o autor material do ilícito, alegadamente a mando da ex-amiga, que acabou acusado, apenas, por crime de dano.

A agravar a situação está o facto de Carolina ter sido outra vez ouvida pela GNR, no Alentejo, onde agora vive. Como testemunha, a queixosa disse confirmar "na íntegra" a denúncia.

"Considerando que, como bem sabia, parte dos factos alegados não correspondiam à verdade e porque estamos perante uma outra conduta (autónoma), extraia certidão e todo o processado e remeta aos serviços do Ministério Público no Tribunal de Fronteira para procedimento criminal [...] pelo crime de falsidade de testemunho", pode ler-se no despacho, a que o JN teve acesso, aludindo a uma "denúncia de má-fé".

Contactado o advogado de Paulo Lemos, Luís Vaz Teixeira, explicou ao estar a ponderar "procedimento judicial autónomo" contra Carolina. "A minha cliente prestará todos os esclarecimentos em sede própria. E nessa ocasião constatarão que em momento algum prestou falso testemunho", disse, ao JN, José Dantas, o advogado de Carolina Salgado.