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29 agosto, 2011

País positivo. Sorria, por favor...

  • "País muito desigual nas águas"
  • "Pais vão pagar totalidade dos livros escolares"
  • "Português morre em mais um acidente em Burgos"
  • "Século XXI foi tempo mais negro da sinistralidade"
  • "Dono de restaurante agredido fica sem 4000 euros"
  • "Ladrões deixam taxista sem carro"
  • "Saúde em dívida com as misericórdias"              
  • "Mata mulher a seguir ao casamento do filho"      
  • "Assassinada com oito tiros por querer trabalhar"
  • "Duo destrói janela para assaltar casa"                
  • Gás-pimenta causa pânico em restaurante"           
  • "Renault investiga furtos dos Mégane"    
  • "Morte acidental anulou a prova desportiva"
  • "Polícia sem lugar no novo mercado"     
  • "Caçador morto pela própria arma com um tiro acidental"
  • "Estaleiros precisam de investimento estrangeiro"
  • "Praia em alvoroço para encontrar criança"
  • "IP4 de Amarante a Mirandela sem posto de abastecimento"
  • "Foguetes de aniversário provocam 3 feridos"
  • "Portugal vai importar mais alimentos este ano"
  • "Porto, Aveiro e Braga com 45% das falências totais do ano"
Nota de RoP

O JN de hoje, enchia as suas páginas com estas notícias. E, das duas, uma: Ou, as Directorias dos jornais odeiam, de facto, as boas-novas, ou elas não existem, e se existem ficam inapelavelmente esmagadas pelas más.

Em que ficamos? São os portugueses que são pessimistas, ou são os nossos governantes que os tornam assim?      


08 fevereiro, 2011

Gaia anda, o Porto espera

«Gaia afirma-se como concelho atractivo para a habitação, o turismo, a ciência, as novas tecnologias... O Porto - bem mais fácil de vender internacionalmente - não espera por Godot mas por alguém que, nos meandros do poder governamental e político, nacional e regional, ponha o serviço à cidade tripeira e ao país acima de mesquinhos interesses partidários.

[Alfredo Barbosa, in I]»

Obs.
O Porto "bem mais fácil de vender", não vende. Como não, se não tem um vendedor [leia-se, Presidente da Câmara] à altura.


03 julho, 2009

Felicidades, para o semanário "Grande Porto"!

Apesar das minhas reticências quanto ao êxito do novo semanário regional "Grande Porto" colocado hoje nas bancas dos jornais, não quero deixar de saudar o primeiro dia de vida e desejar-lhe muitos e felizes anos de existência. Mais do que politicamente correcto, para um portuense ou qualquer anti-centralista, é uma obrigação fazê-lo.
Mas [lá estou eu a ser "picuinhas"], para o primeiro dia de vida começa mal. Acalmem-se os mais precipitados, porque vou explicar porque digo isto, apesar de não ser meu costume criticar só por criticar.
Quase todas as semanas tenho o prazer de ter, pelo menos uma vez, uns agradáveis minutos de conversa com o nosso colaborar Rui Farinas, pessoa de quem me tornei rapidamente amigo pela sua maneira de ser, frontal e inconformado. Hoje, foi um desses momentos. Porque a conversa para aí nos conduziu, a dado momento o Rui Farinas lembra-me que era esta sexta-feira que saía o jornal "Grande Porto" e pergunta-me se eu o tinha visto na tabacaria, dado já lá ter ido comprar o Público. Disse-lhe que não sabia, até porque me esqueci que era hoje o dia de lançamento.
Já depois de me ter despedido do Rui, fui à tabacaria dar uma espreitadela para ver se descobria o semanário, e foi aí que comecei a torcer o nariz. Não havia meio de o encontrar. Até que perguntei à menina se dispunha do expectantemente "anunciado" jornal, ao que me respondeu que sim, ainda que com pouca convicção. Mas, lá o conseguiu descobrir bem escondido na estante colocado no extremo oposto ao da entrada...
Numa primeira impressão, não me desagradou o aspecto e quanto ao conteúdo ainda é cedo para retirar conclusões significativas. Um pequeno detalhe, que agradará seguramente a muitos leitores [incluindo ao próprio R. Farinas, porque sei o que pensa sobre o assunto], é o da página de programação de TV incluir, finalmente, e pela 1ª. vez na história da imprensa "nacional", uma coluna dedicada ao Porto Canal! Outro detalhe interessante: a colaboração do António Almeida Felizes, autor do blogue Regionalização.
Sabemos que os critérios de exposição de produtos de uma loja, pautam por priorizar a componente comercial, o que se vende melhor, e colocá-los nos locais com maior visibilidade, mas não deixa de ser um sinal de ignorância por parte da gerência do estabelecimento, não dar instruções aos seus empregados no sentido de posicionar o jornal em lugar destacado, de mais a mais, tratando-se de um jornal, novo e regional!
É nestes pequenos-grandes pormenores que se "percebe" a mentalidade da neo-classe empresarial [e sobretudo política], nortenha no que concerne à produção regional. Curiosamente, pude ler ontem num saco de um certo hiper-mercado famoso qualquer coisa como isto: "Prefira produto nacional, compre em tal parte". Eu só gostava de saber o que passa pela cabeça de alguma gentinha virulenta que vive e nasceu no Porto para terem medo de dizer: compre melhor, compre produto regional! Só o efeito pernicioso do centralismo e suas influências podem explicar estes "medos". Mas, se é disso que se trata, o que podemos nós pensar de uma democracia que gera fenómenos desta natureza, bem mais vincados e aterradores do que no tempo da outra senhora?
Não seria tudo tão simples, se os fiéis à Ordem Imperial, fizessem rapidamente as malas, rumassem todos a Lisboa e nos desamparassem a loja?

23 março, 2009

Jornal de Notícias, irreconhecível

Paulatinamente, com a naturalidade de quem está habituado a escolher o que come, e não, tudo o que me põem no prato, fui deixando de ler o Jornal de Notícias. No princípio, como qualquer pessoa que dá importância aos afectos das raízes, fui resistindo à tentação de uma brusca ruptura com um jornal que sempre me habituei a associar ao Porto, mas, à força de tanto ser contrariado pelas suas políticas editoriais submissas e centralistas, não tive outro remédio senão deixar de o ler.
Devo dizer, que este "deixar de ler", para ser correctamente interpretado, é extensível ao verbo composto "deixar de comprar", o que, para a facturação de um jornal, é substancialmente diferente, e mais sério. Se, a este facto, juntarmos a possibilidade de procedimento igual ao meu, poder já estar a ser seguido por muitos outros leitores, o problema complica-se.

O que me confrange mais, quando assisto ao definhar consciente (ou inconsciente) de um jornal como o JN, é mais a adulteração do próprio jornal e a falta de respeito por todos quantos contribuíram seriamente para ele ser o que foi e já não é, do que, por quem hoje nele trabalha. Neste momento, apenas lamento que pessoas, já de vetusta idade, como o Hélder Pacheco e o Germano Silva (e outros), que tanto contribuíram para o conhecimento da história do Porto, estejam a ser apanhadas nesta ratoeira montada por oportunistas sem escrúpulos, em que foi transformado o Jornal de Notícias. Daí, ter também alguma dificuldade em imaginar o estado de espírito destes homens em relação ao que está a acontecer numa casa que foi sempre mais deles, do que de quem agora manda nela.
Como dizia há dias, o nosso amigo e colaborador Rui Farinas, aqui num post: «Roma não paga a traidores!». Foi inspirado por esta sábia frase, que não me deixei impressionar com o destino de muitos jornalistas do JN agora no desemprego. Por quê? Porque assistiram impávidos e serenos à descaracterização do JN, todos estes anos, sem se imporem, sem se revoltarem, até ao dia em que levaram um pontapé no traseiro e foram postos na rua. Então aí, já se lembraram de lançar uma petição a favor da preservação e sobrevivência do Jornal de Notícias... Esqueceram-se, foi de esclarecer os leitores, a que Jornal de Notícias se referiam eles, se ao de outros tempos, se ao de agora, e se a eventual recuperação dos postos de trabalho nas mesmas condições bastaria para aceitarem continuar a lá trabalhar.
Acho patética esta nova mentalidade que pariu uma noção da ética e da dignidade orientada exclusivamente pelo dinheiro do ganha pão. Há pessoas que assimilaram uma ideia completamente distorcida do que é o direito à indignação e do preço que ele tem. A rejeição de algo que transcende os nossos níveis de tolerância e nos distingue do homem ordinário, tem um preço, normalmente elevado, e é preciso estar disposto a pagá-lo, para a merecermos. Será que os jornalistas agora despedidos tiveram a coragem de o fazer? Será que, quando o caminho desvirtuado do jornal começou, souberam unir-se e opôr-se a ele?

O JN de agora, só serve mesmo para contar histórias de faca e alguidar, e de processos com «apitos» para mouro entreter. O JN, está a afundar-se cada dia que passa, mais e mais. E, para ser sincero, era mesmo capaz de assinar uma petição para exigir a demissão imediata de toda a Administração e respectiva Direcção, e ver até que ponto o jornal ainda tem salvação.