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12 julho, 2010

Carlos Daniel é incompetente

Ainda há muito boa gente que se deixa cair numa boa trapaça. Outra há, que, por inconfessáveis conveniências, finge que nelas acredita. Portugal [pelo menos este Portugal postiço e descaracterizado do pós 25 de Abril], é fértil em produzir dogmas, e muitos portugueses - por tradição avessos a aprofundar a natureza das coisas -, limitam-se a repetir os dogmas que alguém lhes transmitiu contribuindo inconscientemente para o marasmo da nossa vida política e social. Depois, como tudo se mantém como antes ou pior, queixam-se junto do vizinho mais próximo que também pouco mais faz do que limitar-se a ouví-los ou do que  retribuir os lamentos, sem procurar esclarecer o interlocutor das verdadeiras causas desse marasmo. É a típica preguiça intelectual do português médio. A factura a pagar por esta preguiça a jusante, tem de ser inevitavelmente elevada. E é!

Estivesse eu enganado, decerto que há muito Portugal teria avançado consideravelmente os processos reorganizativos da sua administração territorial com benefícios para todos, incluindo para os habitantes da capital. Mais do que a crise económica e financeira internacional, foram, e continuam a ser, os anti-regionalistas, e sobretudo os pró-anti regionalistas [perigosa espécimen de cidadão mais próxima do vulgar traidor] os maiores responsáveis pelo definhamento do Norte. Eles estão aí, de novo, dispostos a lutar para que tudo fique na mesma. Por favor,  caros leitores, não sejam ingénuos, não se deixem outra vez assustar com os cíclicos receios pseudo-patrióticos pela integridade nacional, porque é unicamente neles que reside esse perigo, em mais parte nenhuma. As hostilidades, entre portugueses, já foram abertas por eles, há longos anos e de várias formas.

O futebol, as rivalidades clubísticas que outrora, paradoxalmente, não passavam de uma sadia competitividade desportiva, é hoje usado como símbolo de discórdia entre cidadãos do mesmo país e aproveitado para instigar ressentimentos e guerras entre o Norte e o Sul. Para tal, têm contribuído a maioria dos órgãos de Comunicação Social cujo alinhamento editorial se continua a pautar por critérios de informação profundamente centralistas. O que é centralista, divide, fractura, semeia o ressentimento. Logo: o divisionismo. O perigo, está aqui, à nossa frente, não vale a pena procurá-lo na Regionalização que ainda nem sequer existe... É pois, uma traição, um acto cínico de anti-patriotismo continuar a lançar para a Regionalização falsos estigmas de desintegração nacional, quando as opiniões de altas personalidades de países regionalizados como a Espanha dizem [e provam] exactamente o contrário.

Mesmo assim, o extremismo centralista vigente podia ter sido refreado caso os media tivessem a dirigí-los pessoas altamente qualificadas que soubessem introduzir-lhes hábitos de comunicação democráticos, principalmente os estatizados, como a RTP. 

A RTP tem como Director de Informação um homem que tudo tem feito para discriminar negativamente o Futebol Clube do Porto, na mesma medida que discrimina positivamente, o Benfica. Eu, tê-lo-ia já demitido caso fosse seu superior hierárquico, ou se calhar, talvez não, porque dificilmente deixaria que as coisas chegassem ao ponto intolerável a que chegaram. São imensos os reparos de indignação na blogosfera portista pela discriminação que a RTP [e não só, já sabemos] vem usando com o seu clube, e têm toda a razão, porque esses parasitas estão também a ser sustentados com o produto dos seus impostos. 

Não faltam exemplos deste descricionarismo, porque eles são imensos. O último, tem a ver com o desinteresse manifestado pelo acompanhamento do estágio do FCPorto na Alemanha, para onde  a RTP decidiu não enviar qualquer equipa de reportagem ou passar alguns jogos de preparação da equipa como fez com o Benfica e Sporting. Isto, é inadmissível, num estado de direito, a sério! Pergunta-se: para que servem Primeiros Ministros, Presidentes da República e respectivos assessores, se todos fecham os olhos a esta pouca vergonha? Só se disporão a despertar da hibernação cívica a que se remeteram depois  da violência consumada? E que tal, para variar, se Suas Exas. se dignassem preveni-la dedicando um pouco mais de atenção aos órgãos de comunicação social, e a algumas crianças crescidas que indevidamente os dirigem?

Fica, desde já, aqui escrito. Quem tiver o azar de passar os olhos pelo que aqui se escreve, poderá ter a certeza que, quando falar da Regionalização e se lembrar de soltar os naftalínicos fantasmas da desintegração nacional, será automaticamente baptizado de Miguel de Vasconcelos. E será como potencial traidor que o avaliarei. Fim de citação.


Ps-Este post foi enviado em e-mail para: conselho.opiniao@rtp.pt  
 

03 fevereiro, 2009

Azelhices ministeriais

Vem hoje a Efacec (no Público) queixar-se da fraude em que o Governo PSD/CDS (2002/2005) a envolveu, com supostas contrapartidas para a nossa indústria, pela compra de submarinos e helicópteros para as forças armadas, alegando que o trabalho que desenvolveu nesse sentido durante 4 anos, foi completamente nulo.
Esta empresa nortenha diz, ter realizado 24 projectos industriais para as empresas vendedoras do equipamento militar, e que nenhum deles foi aproveitado.
As declarações do Director da Efacec Internacional, testemunham, uma vez mais , que uma boa propaganda dos governantes nem sempre são prenúncio de boas notícias. Os governantes fazem muito alarido na anunciação de projectos. Garantem mais valias, entre as quais se destaca a criação de novos postos de trabalho, que é o principal "engodo" para adormecer a populaça, mas nem sempre as cumprem.
À época deste "negócio", era então Ministro da Defesa, Paulo Portas, um homem que tem chapado no rosto a boémia da dolce vita, mas que ainda assim, chega para convencer alguns papalvos para lhe "reconhecerem" méritos de "estadista". Depois, quem se lixa são os outros (como eu) que nem lhe dariam chance para gerir um quiosque. Resultado: dos 200 milhões de euros de expectativa de negócios que a Efacec previa realizar em contrapartidas, nem um cêntimo!
Tudo isto, porque, esta gente da política nacional, a única coisa que aprendeu a fazer, foi desculpar-se daquilo que não sabe fazer, e nunca a assumir as respectivas responsabilidades. Tudo isto, porque estes governantes são incapazes de negociar de forma cuidada e firme, todas as garantias que dificultem o incumprimento dos acordos aos seus parceiros de negócio.
O responsável da Efacec diz, com toda a razão, que existe falta de visão estratégica de todos os governos. Como é possível, tanta irresponsabilidade, e continuarmos a ver estes meninos a pavonearem-se nos corredores do Poder e darem pareceres na Assembleia da República? O crime, de facto, compensa! Permitir a livre circulação a estes pardais, é um atentado à Democracia.
Dizia há dias o escritor portuense Mário Cláudio que: a Democracia está doente. Eu digo que está morta. Que nasça outra. Depressa.