
Bem que gostaria de poder separar o futebol da política e vice-versa. Quanto mais não fosse para contentar os puristas do regime. Mas, como? É impossível. É como esperar que o Serviço Nacional de Saúde se resolva por obra e graça do Divino Espírito Santo e não pelo empenho e capacidade do poder político. Mas, adiante.
Há certas atitudes que custam muito a entender. Entre elas, estão as manifestações episódicas de "indignação" da comunicação social sempre que alguém decide bater-lhe com a "porta na cara".
Já devem ter percebido onde queria chegar. Se não perceberam, eu explico.
As lamúrias de donzela ofendida da RTP, pretensamente por ter sido impedida de efectuar a cobertura da festa de mais uma vitória do campeonato nacional de futebol, são tão cínicas que até parece estarmos a assistir a uma comédia de Fellini (este sim, um grande realizador).
Não é preciso rebuscar demasiado o assunto, para percebermos como é natural e humano fecharmos as portas da nossa casa a quem nos trata mal, a quem passa boa parte do tempo a conspurcar a nossa imagem. Ora, é precisamente isso que tem feito a RTP a Pinto da Costa (directamente e, indirectamente ao Futebol Clube do Porto e à maioria dos portuenses), que originou a recusa do presidente do clube à RTP de ter acesso às comemorações do campeonato. Por quê, afinal tanto espanto?
Nem de propósito (não seria preciso, mas enfim...), escrevi há dias aqui mesmo, um post exactamente sobre a conduta da RTP a criticá-la pelo modo pouco abonatório como abordava as ocorrências do nosso clube.
Como sabemos, lamentavelmente, este é um problema antigo e não apenas com a RTP, também com os outros canais abertos de TV de Lisboa. Só que, com a estação do Estado a questão é mais grave, pelo dever de isenção que tem perante todos os portugueses e não cumpre. Não cumpre, porque é sectária, porque é de sectarismo e injustiça que os regimes centralistas se sustentam.
Na Comunicação Social, está enraizada como um cancro maligno, uma ideia de impunidade que se esconde cobardemente sob o pretexto do "dever de informar". A ideia de que tudo lhe é permitido arrasta-a para caminhos sem códigos nem fronteiras onde todos os limites do razoável são ultrapassados sem se preocupar com os estragos físicos e morais que possa causar na vida das pessoas. Depois, bem, depois - e aqui se manifesta o autismo característico dos poderes -considera-se sempre inocente.
Quando se sente "apertada" por obstáculos susceptíveis de afectar os seus interesses comerciais ou programáticos, a Comunicação Social (sobretudo a televisão), serve-se de alguns comentadores residentes a quem já vendeu a cartilha mestra da verdade corporativa, para a inflaccionar e propagandear. Não será por acaso, que quando falam dos dirigentes desportivos,
metem todos no mesmo saco. São todos maus, Pinto da Costa incluído. E se em grande parte dos casos até podem ter razão, noutros nem tanto, como é o caso de Pinto da Costa. Pinto da Costa é, quer gostem ou não, objectivamente um grande dirigente.
Então, perguntar-se-ão alguns, porque é que o fazem? A resposta é simples: para não terem que lhe reconhecer o mérito. Para tentarem ensombrá-lo, para lhe retirarem brilho. O mais possivel.
Chegados aqui, percebo muito bem, porque é que alguns dos comentadores do Renovar o Porto se sentem um pouco desiludidos com as prestações de Rui Moreira no programa Trio de Ataque,
mesmo que não duvidem do seu portismo. Provavelmente, porque o estilo gentleman de Rui Moreira não é compatível com o nosso país (isto, não é a Inglaterra), com a nossa democracia e muito menos com os seus adversários de programa.
Carlos Daniel, esforça-se (mal, quanto a mim) por ser um moderador isento, mas não é. O tema que seleccionou para começar o último programa (a acusação a Pinto da Costa), quando o F.C. do Porto tinha acabado de se consagrar tri-campeão, desmascarou-o e deitou por terra o objectivo que inicialmente dizia defender, que era o de falar mais do futebol jogado do que das arbitragens.
Definitivamente, não acredito que o Porto dê o passo que falta para sair da teia de complexos e servilismos em que se deixou enredar, com diplomacia. Não dá, é uma ilusão.
A competência e o estilo musculado de Alberto João Jardim, na política, deu resultados, o de Pinto da Costa, no futebol, está à vista. O de Rui Moreira, começo a duvidar. Apesar da grande simpatia e consideração que me merece.