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12 maio, 2008

É este o momento, Dr. Rui Moreira!

Caro Rui Moreira,

O meu amigo saberá, seguramente, a baixa estima em que tenho a classe política. Nunca o escondi. Pelo contrário, faço sempre questão de o manifestar, e só não faço mais porque não me é possível, porque se fosse, a cadeia seria talvez o local dilecto para onde gostaria de ver muitos a passar boa parte do resto das suas vidas. Não lhes tenho respeito, porque não posso tê-lo.

E contudo, esta nossa democracia é tão utópica e vulnerável, que pode perfeitamente inverter a lógica das coisas e permitir que qualquer um desses senhores tente um dia destes meter-me a mim na cadeia sem que eu tenha cometido qualquer crime a não ser o de escrever o que penso.

O meu país (ao qual suponho ainda pertencer) e sobretudo a minha querida cidade do Porto justificam o risco. Como diz o Renovar o Porto, a nossa cidade tem sido demasiado maltratada.

Apesar de toda esta crispação para com os políticos eu sei que há excepções e essas, respeito-as. Por paradoxal que possa parecer, há até alguns ministros (muito poucos, é certo) que eu sei que estão a dar o seu melhor, mas o problema é sempre de quem os comanda e não é capaz de desenvolver um trabalho coordenado e equilibrado nas múltiplas áreas governativas. O resultado depois, é o caos que se vê. Se há um sector a funcionar bem e seis mal, o resultado é quase sempre fatalmente mau para o conjunto. Por isso me confrange elogiar o trabalho individual.

Posto isto, o que quero dizer-lhe, é que ainda acredito nas pessoas, na sua seriedade, nas suas competências e na sua vontade de remar contra esta maré de desprezo e provocação a que o Porto vem sendo sujeito. E suponho não cometer nenhum erro de avaliação se lhe disser que muitos portuenses acreditam (como é o meu caso) em si, no seu protagonismo natural, sem a tradicional muleta partidária (o que lhe confere, mais respeito) com que o conservadorismo ideológico ajuda a promover líderes sem alma própria.

Terá o meu apoio e decerto também o apoio de outros tantos que subscrevem o meu pensamento. Gosto muito de o ver no "Trio de Ataque", mas acho que poderá ser muito mais útil ao Porto fora do futebol...

Por favor, diga de sua justiça.

11 abril, 2008

O estilo"british" de Rui Moreira em Portugal, resultará?

Bem que gostaria de poder separar o futebol da política e vice-versa. Quanto mais não fosse para contentar os puristas do regime. Mas, como? É impossível. É como esperar que o Serviço Nacional de Saúde se resolva por obra e graça do Divino Espírito Santo e não pelo empenho e capacidade do poder político. Mas, adiante.

Há certas atitudes que custam muito a entender. Entre elas, estão as manifestações episódicas de "indignação" da comunicação social sempre que alguém decide bater-lhe com a "porta na cara".

Já devem ter percebido onde queria chegar. Se não perceberam, eu explico.

As lamúrias de donzela ofendida da RTP, pretensamente por ter sido impedida de efectuar a cobertura da festa de mais uma vitória do campeonato nacional de futebol, são tão cínicas que até parece estarmos a assistir a uma comédia de Fellini (este sim, um grande realizador).
Não é preciso rebuscar demasiado o assunto, para percebermos como é natural e humano fecharmos as portas da nossa casa a quem nos trata mal, a quem passa boa parte do tempo a conspurcar a nossa imagem. Ora, é precisamente isso que tem feito a RTP a Pinto da Costa (directamente e, indirectamente ao Futebol Clube do Porto e à maioria dos portuenses), que originou a recusa do presidente do clube à RTP de ter acesso às comemorações do campeonato. Por quê, afinal tanto espanto?

Nem de propósito (não seria preciso, mas enfim...), escrevi há dias aqui mesmo, um post exactamente sobre a conduta da RTP a criticá-la pelo modo pouco abonatório como abordava as ocorrências do nosso clube.

Como sabemos, lamentavelmente, este é um problema antigo e não apenas com a RTP, também com os outros canais abertos de TV de Lisboa. Só que, com a estação do Estado a questão é mais grave, pelo dever de isenção que tem perante todos os portugueses e não cumpre. Não cumpre, porque é sectária, porque é de sectarismo e injustiça que os regimes centralistas se sustentam.

Na Comunicação Social, está enraizada como um cancro maligno, uma ideia de impunidade que se esconde cobardemente sob o pretexto do "dever de informar". A ideia de que tudo lhe é permitido arrasta-a para caminhos sem códigos nem fronteiras onde todos os limites do razoável são ultrapassados sem se preocupar com os estragos físicos e morais que possa causar na vida das pessoas. Depois, bem, depois - e aqui se manifesta o autismo característico dos poderes -considera-se sempre inocente.

Quando se sente "apertada" por obstáculos susceptíveis de afectar os seus interesses comerciais ou programáticos, a Comunicação Social (sobretudo a televisão), serve-se de alguns comentadores residentes a quem já vendeu a cartilha mestra da verdade corporativa, para a inflaccionar e propagandear. Não será por acaso, que quando falam dos dirigentes desportivos,
metem todos no mesmo saco. São todos maus, Pinto da Costa incluído. E se em grande parte dos casos até podem ter razão, noutros nem tanto, como é o caso de Pinto da Costa. Pinto da Costa é, quer gostem ou não, objectivamente um grande dirigente.

Então, perguntar-se-ão alguns, porque é que o fazem? A resposta é simples: para não terem que lhe reconhecer o mérito. Para tentarem ensombrá-lo, para lhe retirarem brilho. O mais possivel.

Chegados aqui, percebo muito bem, porque é que alguns dos comentadores do Renovar o Porto se sentem um pouco desiludidos com as prestações de Rui Moreira no programa Trio de Ataque,
mesmo que não duvidem do seu portismo. Provavelmente, porque o estilo gentleman de Rui Moreira não é compatível com o nosso país (isto, não é a Inglaterra), com a nossa democracia e muito menos com os seus adversários de programa.

Carlos Daniel, esforça-se (mal, quanto a mim) por ser um moderador isento, mas não é. O tema que seleccionou para começar o último programa (a acusação a Pinto da Costa), quando o F.C. do Porto tinha acabado de se consagrar tri-campeão, desmascarou-o e deitou por terra o objectivo que inicialmente dizia defender, que era o de falar mais do futebol jogado do que das arbitragens.

Definitivamente, não acredito que o Porto dê o passo que falta para sair da teia de complexos e servilismos em que se deixou enredar, com diplomacia. Não dá, é uma ilusão.

A competência e o estilo musculado de Alberto João Jardim, na política, deu resultados, o de Pinto da Costa, no futebol, está à vista. O de Rui Moreira, começo a duvidar. Apesar da grande simpatia e consideração que me merece.

29 novembro, 2007

RUI MOREIRA

Rui Moreira, é sem sombra de dúvida a personalidade eminente da sociedade civil portuense.

Com a sua habitual diplomacia consegue superar em pragmatismo e dinâmica a actividade da classe política regional. É um homem honesto e suficientemente corajoso para merecer a confiança dos cidadãos, mas isso, irá também custar-lhe algumas inimizades.

O dilema, é saber até quando é que sua intervenção na vida pública poderá manter-se sem se sentir "coagido" a filiar-se num qualquer partido político.

No dia em que isso acontecer (se acontecer), perderemos o que de melhor existe na sua personalidade: a autenticidade.

De qualquer forma, a nota positiva que o JN hoje lhe dedica é mais do que merecida.
PS-Aposto aqui e agora, como o estudo que Rui Moreira encomendou à UCP para o aeroporto
de Lisboa não terá a aceitação do Governo, por mais válida que ele seja. Era o que mais
faltava o Centralismo admitir que há quem apresente alternativas às suas propostas
faraónicas fora Lisboa!