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30 abril, 2008

"Provocação" II a Rui Moreira

Penso não errar muito se disser que o post anterior do nosso amigo Rui Farinas, lançado em forma de repto ao Dr. Rui Moreira, corresponde às expectativas de muitos portuenses que vêem nele um potencial candidato à liderança de um hipotético movimento político regional. O potencial existe, falta é conhecer a disponibilidade do respectivo portador.

Faço minhas as palavras de Rui Farinas, mas gostaria de acrescentar um pequeno apontamento.
O Dr. Rui Moreira é já uma figura pública da cidade, de prestígio, e tem o privilégio de recolher a simpatia (e a empatia) de um grande número de portuenses, o que, diga-se, não é trunfo a desprezar caso esteja nos seus horizontes avançar para outros "vôos" para além da Presidência da Associação Comercial do Porto.
Ainda ontem, na entrevista de Pinto da Costa à revista "VISÂO" (esgotada em muitas livrarias), este dizia que gostaria de apoiar um candidato independente da esfera partidária à Câmara Municipal do Porto ou a qualquer outro organismo que viesse a ser criado para defender os interesses da cidade. Acrescentou também que tinha prefêrencia por alguém, mas não chegou a mencionar o nome (até podia ser Rui Moreira, não sei).
Creio que o momento é o indicado e a oportunidade está criada, falta apenas saber se Rui Moreira quer. Se quiser, talvez esteja na altura para avançar. Mas claro, a decisão cabe-lhe só a ele.

02 abril, 2008

RUI MOREIRA, SERÁ O LÍDER QUE O PORTO PRECISA?

Aqui, neste espaço de cidadania, e onde quer que seja nunca escondi o profundo descrédito que a classe política me merece. Tenho portanto, plena consciência que esta postura não é propriamente simpática para quem me leia e viva directamente ligado à actividade política. Mas paciência, é o preço a pagar por quem nela se envolve levianamente e se lança para uma fogueira (a política) sem antes ponderar que é para apagar os incêndios (resolver os problemas do país) que a população lhe delega poderes.

Por conseguinte, as minhas críticas não são gratuitas nem derivam de fobias preconcebidas, são o resultado de uma longa e sucessiva desilusão pelos resultados práticos conseguidos, que são, como é reconhecido, paupérrimos, o que, aliás, está bem à vista.

Aparentemente, esta forma contínua, meio "inquinada" de analisarmos a política e os políticos pode levar os cidadãos a um descrétido crónico, o que será gravíssimo, mas isso só dependerá dos próprios políticos e do tempo que levarem a restaurar a própria imagem e a alterar esta péssima situação.

Pela minha parte, ainda não perdi totalmente a fé. Não tanto nos partidos políticos, mas mais concretamente na vontade dos (alguns) homens. Oiço pessoas, defenderem a tese de que "só com os partidos é que a democracia faz sentido", e por princípio até estarei de acordo com a redundância, mas o problema é que são certos homens quem frequentemente desvirtuam os ideários políticos traçados e raramente aqueles que os honram sobrevivem às pressões do aparelho e têm coragem para as denunciar.

Mas, como diz o povo, "o mundo dá muitas voltas", estranhas voltas... É caricato, anedótico até, vermos agora um partido político (PSD) a queixar-se da televisão estatal (RTP) acusando-a de manipular a opinião pública e de monopolizar noticiários em favor do partido do Govêrno (PS).

Esta reacção, prova bem o quanto os partidos vivem afastados do eleitorado e dos seus reais problemas. Não fora assim, já teriam há muito tomado posição idêntica para situações de arbitrariedade noticiosa tão ou mais gravosas do que as que agora motivam o seu descontentamento.

Nós sim, os portuenses e nortenhos em geral, temos muito mais razão de queixa da RTP do que o PSD! Porque nós, nem sequer beneficiamos da alternância da informação como os partidos beneficiam da alternância do Poder. Nós andamos a sofrer esta acintosa descriminação desde sempre - e para pior - cada dia que passa!

Por arrasto de uma macro-centralização dos media na capital, vem tudo o resto. A cultura, as obras públicas, o desporto, o empresariado, enfim, todas estas vertentes, em Lisboa, gozam de uma visibilidade e de uma promoção que o resto do país, incluindo a sua 2ª. maior cidade, não tem.

A isto, chama-se concorrência desleal, mas com a agravante de ser praticada e desenvolvida pelos partidos do Poder, pelas instituições que mais a deviam condenar, incluindo o agora "choroso" PSD.

O Dr. Rui Moreira (que já nos honrou com o seu comentário), pessoa que me inspira confiança, e cujo trajecto acompanho com especial interesse, tem sido a única excepção à regra neste marasmo de secundaridade a que se remeteram as figuras mais destacadas da região em relação à doentia centralidade de Lisboa.
Como quem não quer a coisa, lá vai promovendo alguns debates de interesse regional, encomendando estudos de âmbito nacional (ex.alternativa ao aeroporto da OTA), etc.,etc. Já é muito, comparativamente a "outros" com mais responsabilidades e obrigações.
Tenho a convicção que inúmeros portuenses (e portistas) gostariam de o ver a tomar as rédeas de outros destinos que não apenas os da Associação Comercial Portuense, porque mostra potencial para muito mais. É um homem sério (tanto quanto é possível ser-se sério neste mundo onde tantos interesses se cruzam e conflituam), tem carácter, é educado, com grande capacidade de comunicação e o perfil indicado para gerir conflitos, que é coisa que Rui Rio não tem, nem nunca terá.

Só falta mesmo, é a oportunidade e essa, não pode ser desperdiçada. Até prova em contrário(e espero nunca a ter) , Rui Moreira terá a minha confiança e o meu total apoio.