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23 abril, 2012

Esquerda e direita em Portugal são diferentes apenas na ideologia não nos homens

Nos tempos que correm, em que lamentavelmente os assuntos de carácter passaram para o plano da insignificância, não se notam de facto grandes alterações entre as políticas de esquerda e de direita. Apesar disso, continuo profundamente convencido que ideologicamente existe uma grande diferença entre ambas, e que é decisiva. Enquanto a esquerda tem falhado sucessivamente pela incapacidade dos seus líderes resistirem aos "encantos" da direita que se define claramente como pró capitalista, esta é por tradição secular, avessa à humanização das sociedades. A direita apenas mantém  a aparência democrática porque, em tese, ainda existem partidos de esquerda, o que não quer dizer propriamente que a esquerda se tenha orientado consistentemente por valores humanistas.

Por outro lado, a direita só contempla o humanismo nas suas práticas políticas quando se sente eleitoralmente ameaçada pela esquerda, o que contribui para a confusão "ideológica" entre ambas. Mas a direita não tem ideologia, tem uma cartilha económica e financeira, cujo objectivo supremo se resume à acumulação rápida de capital, com os menores custos, sendo o desemprego o mais dramático de todos, contrariando por completo a fama ardilosa que lhe tem valido alguns votos, de ser geradora de postos de trabalho. Entre um cidadão e uma máquina, a direita não hesita em eleger a máquina, desde que tenha garantido mais lucro, nem que para isso tenha de despedir cem pessoas. Isto é assim, e quem tiver dúvidas, só prova duas coisas: ou beneficia directamente com esta situação, ou é intelectualmente limitada para compreender o que está à vista de todos e então precisa de viver outra vida para chegar a essa conclusão...

Seja como for, a esquerda moderada, onde tem pontificado o Partido Socialista tem sido, ao longo do seu tempo de vida, uma decepção permanente, tanto quanto está no governo como quando é oposição. Isto porque nunca teve líderes à altura de lhe devolver a génese ideológica que a identifica(va) e que a podia fazer descolar definitivamente da direita e do perigo de se fundir e confundir com ela. 

A este propósito deixo-vos este singelo exemplo: a página "Política" do JN de domingo apresentava uma foto grande do actual Presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, a reclamar [agora] a autonomia do Norte e a Regionalização quando ainda há poucos mêses, durante o mandato de Sócrates, dizia que não ser oportuna a Regionalização...  

Se há coisa que me repugna nestes políticos, é a profunda falta de respeito que demonstram pelos cidadãos e pela sua memória, para manterem um discurso quando o seu partido está no governo e outro quando estão na oposição. Esta mudança de discurso é tão brusca e flagrante quanto provocatória, e devia ser suficiente para os eleitores riscarem de vez da cena política este tipo de gente que faz gala de os enganar as vezes que forem precisas apenas e só para se manterem agarrados ao poder. E neste aspecto concreto esquerda e direita, são iguais. E por quê? Porque quem as representa é gente sem carácter, sem ideais e intelectualmente desqualificada.

Por isso, e uma vez que esta democracia não contempla meios simples e eficazes para os eleitores se livrarem destas "pragas", não vejo outra forma que não obrigar os políticos a assinarem um contrato com força jurídica que dê garantias aos cidadãos de cumprirem as promessas feitas em campanhas eleitorais. Ou seja: tal como é praticado pela banca quando queremos aceder ao crédito para adquirir um bem, devíamos exigir dos políticos garantias bancárias e prazos mínimos para realizarem os projectos de governo. Com os bens pessoais hipotecados, talvez esta garotada começasse a formar uma ideia mais séria do que é ter sentido de responsabilidade e de Estado. A não ser assim, bem podemos [como diz Pinto da Costa] esperar deitados que eles vão continuar a fazer de nós eternos palermas.

16 fevereiro, 2012

São mesmo rascas, estes gajos!

À medida que os anos avançam e a democracia definha, os partidos portugueses parecem apostados em competir por baixo, pelo troféu da vulgaridade. Perderam de tal modo o respeito aos cidadãos que já agem como se estivessem sozinhos no mundo, num enorme ring, idêntico àqueles que mostram mulheres desmioladas a chafurdarem na lama, a agarrarem os cabelos umas às outras. Além do sexo, a diferença entre uma coisa e a outra, está na linguagem. Elas, exibem os corpos e emitem gritos histéricos, eles, os políticos, soltam diarreias verbais, qual delas a mais nauseabunda, usam gravata, e são esteticamente chatos.

Não seria muito grave se a falta de nível dos avençados da política se ficasse por aqui, e soubessem compensar os disparates verbais com boas medidas de gestão governativa. O problema, é que, a boca, ou o que se diz através dela, é uma espécie de ante-câmara do cérebro que serve, na maior parte dos casos, para prevenir o ouvinte do grau de inteligência do falante. Por isso, não tenhamos ilusões, pela boca, morre mesmo o peixe. Só é pena - e digo isto com toda a sinceridade -, é que o realismo do ditado não seja expresso literalmente... Se a democracia não protege os cidadãos de governantes facínoras e irresponsáveis, então que Deus se lembre deles e os afaste do convívio entre os vivos, caso contrário são eles que nos matam a nós.

O artigo que se segue, de Fernando Santos, director do JN, é elucidativo. Esta gentinha, da política não quer mesmo nada com as coisas correctas, com a honra e o rigor. Fica-se sempre pelas meias-tintas. Até com a corrupção gostam de brincar! Como brincam com a Constituição, adaptando-a aos interesses da clã [ou, será Klan?] que detém o poder.

Rui Valente



Corrupção e GPS até 150 euros

Coloque a sua imaginação a duzentos à hora. Suposição: tem o pedido de licenciamento de uma obra entupido num serviço do Estado dos muitos de cujo parecer depende. O funcionário, erguendo o pescoço por entre uma quantidade infindável de processos, acaba amolecido e por prometer retirar o seu dossiê do amontoado graças a um GPS dos baratinhos com que lhe acena - prendando-o mesmo. Eureca! O tipo é diligente, preenche um formulário a dar conta da recepção da prenda - inferior a 150 euros - que nunca mais o desorientará a caminho do infantário ou da casa dos sogros e continua impávido e sereno à espera, fora dos trâmites normais, de ser diligente para o próximo cidadão exasperado com a burocracia.


Um cenário assim, através do qual se trafica influência a preço de saldo, faz sentido? Não, não, não. Três vezes não.


Perante tamanha negativa, só pode ser de espanto a preparação de uma lei-quadro, anunciada pelo Ministério da Justiça, "para a criação de um Código de Conduta e Ética para a Administração Pública", susceptível de chegar um dia destes à mesa do Conselho de Ministros.


O pressuposto é estapafúrdio. O Ministério coloca preto no branco a ideia de que "este Código de Conduta estabelece que as ofertas de bens recebidas em virtude das funções desempenhadas deverão sempre ser registadas e não exceder o valor máximo de 150 euros". Ou seja: de algum modo dá o visto bom à "transumância", embora estabelecendo-lhe um preço (deduz-se não ficar consagrada em letra de lei uma dedução de IVA destinado a encher os cofres do Estado).


Pugnar por uma sociedade bacteriologicamente pura poderá ser do domínio do virtual. Não deve é deixar de ser um objectivo a perseguir, só possível se em nenhuma circunstância se abrirem linhas de fuga de princípios inegociáveis. E o tráfico de influências é hoje um flagelo para o qual é uma estupidez estabelecer graduações.
Assim como assim, o país já vive em demasia sob o espectro da afamada cunha para tudo e mais alguma coisa. Fica difícil entender como é possível alguém estar a equacionar a hipótese de formalizar brechas - a oferenda caricatural de um GPS é transmissível a um estojo de beleza para a madame funcionária pública ou companheira do decisor ou de quem lhe leva os papéis ou mete em sistema informático os processos carecidos de deferimento. E se alguém tem dúvidas sobre o jeitaço, basta imaginar a profusão de prendas possíveis a troco de 150 euros incluindo a nova moda aberta a tudo, a dos cartões ou cheques--prendas!


Está a ser engendrada uma lei absurda, em contraponto ao estatuto disciplinar dos trabalhadores da Função Pública, que prevê a pena de despedimento para funcionários que, "em resultado da função que exercem, solicitem ou aceitem, directa ou indirectamente, dádivas, gratificações, participações em lucros ou outras vantagens patrimoniais, ainda que sem o fim de acelerar ou retardar qualquer serviço ou procedimento".


Decididamente, convém fazer abortar um tremendo disparate - este indesculpável e sem direito ao argumento do memorando da troika para funcionar como guarda-costas. Viabilizar as prendas só agravará o último estudo elaborado no âmbito da Comissão Europeia e segundo o qual 97% dos portugueses consideram a corrupção um dos grandes problemas do país...
[do JN]


Nota de RoP:
Este artigo fez-me lembrar um episódio ocorrido nos anos sessenta numa pequena cidade do norte da França, onde tive a "infeliz" ideia de deixar uma gorjeta a um empregado de café pensando que estava em Portugal. Qual foi o meu espanto quando o homem com toda a dignidade agradeceu, mas recusou a "simpatia"... Eram outros tempos, mesmo em França, mas de qualquer maneira, registei a atitude. 

 

27 maio, 2011

E porque sou nortenho, a minha alternativa é...


                                                                  ...PDA/MPPartido do Norte!
Que Portugal está de rastos, só não vê, quem não quer. Que Portugal tem um primeiro ministro irresponsável e compulsivamente aldrabão, só quem for ingénuo, ou dever favores ao Partido Socialista, é que não o reconhece. Agora, o que muitos talvez não estariam à espera, é que no seio de todos os  partidos da oposição, não emergisse um único, com um projecto de governo  credível e inovador, capaz de conduzir o país a bom porto. Naturalmente, que esta não é a opinião daqueles que estão habituados a conviver com a hipocrisia, e a ver nela virtudes que por inconfessáveis razões só eles descortinam. Mas, não é a esses oportunistas que me dirijo, é para quem ambiciona mais para o país e o quer governado por pessoas realmente idóneas e com dimensão humana bem mais convincente que aquela que, sistematicamente, nos vem sendo imposta  no cardápio das campanhas eleitorais.   

Se Sócrates não presta, Pedro Passos Coelho não serve. Se Paulo Portas não é apenas uma versão mais sofisticada de Sócrates, então não faço ideia do que seja Paulo Portas. Dos outros partidos, como já aqui escrevi noutros artigos, pouco mais resta que a clássica contestação  ao Governo. Ideias programáticas para se constituirem como alternativa, é que não há meio de apresentarem. Limitam-se a fazer aquilo que o cidadão comum já faz, ou seja, constatar factos. Ainda não perceberam [ou não querem perceber] que têm de fazer muito mais. Nós, comuns cidadãos, fazemos quase o mesmo, ou até melhor, e não recebemos nada por isso, nem temos cadeira na Assembleia da República... 

Mas não se pense que é sob a influência dos media que percepciono a impreparação de Passos Coelho,  - porque os media também não são de fiar -, é pelos sinais que de facto ele vai deixando cada vez que abre a boca. Além disso, Passos Coelho, revelou não estar apto para escolher a entourage necessária a uma nova imagem. Passos Coelho é novo, mas apesar disso, começou a pré-campanha rodeado de velharias e incompetentes, quando foi buscar Eduardo Catroga para debitar sentenças economicistas sobre os PEC's e a entrada do FMI. Um erro crasso, para quem precisava de arrancar bem... Segundo erro: foi ao baú desenterrar um assunto já resolvido, e que ainda por cima serviu [sem grande sucesso, diga-se], de arma política a Paulo Portas, que foi  a questão da legalização do aborto, já referendada. Que diabo, está assim tão estéril de projectos o PSD para ir às velharias levantar este não problema? Não, não serei eu que desperdiçarei o meu voto nestes protagonistas.

Pobrezinho, mas honrado, é no Partido do Norte que eu vou votar. Nem mais. Primeiro, porque é o único cuja programação visa os interesses do Norte, e o único que se propõe colocar na agenda do dia a Regionalização. Segundo, porque é um Movimento novo, sem resquícios do passado. Terceiro, porque me sinto parcialmente responsável por encorajar Pedro Baptista a avançar. E por último, porque não confio nos partidos do arco do poder. Já lá estiveram, e não mostraram nada!

Além de mais, o meu voto no Partido do Norte, não será um simples voto de protesto, será essencialmente, um voto na restauração democrática.

27 fevereiro, 2011

Povo burro

Custa-me afirmá-lo, porque também nasci em Portugal, mas o povo deste país sofre mesmo de um baixíssimo quociente de inteligência. Este povo ainda não percebeu que não lhe vale de muito imitar a chico-espertice da classe política porque nunca poderá contar com o mesmo protectorado do Estado, nem tão pouco com a defesa de advogados caros. Este é um povo burro e com a dignidade dos vermes, caso contrário nunca Sócrates teria na vida sido 1º. Ministro, nem Cavaco, Presidente da República.

Temos o que merecemos?  Talvez alguns tenham, não todos. Eu, pelo menos - desculpem-me descartar-me das multidões -, não tenho, porque nunca dei [nem darei] o meu voto de confiança a este tipo de protagonistas. E orgulho-me muito disso, ainda que pouco possa fazer com esse orgulho para alterar o rumo da realidade, que é o que mais me deixa frustrado.

Sócrates, um mentiroso compulsivo, não se cansa de espalhar as provas da aversão que tem pelo rigor, e pela honra e, contudo, mantem-se no Poder, "cheio" de optimismo... Ontem, deu mais uma cambalhota de 180º às promessas que fez no passado remoto e recente para impingir ao povo do Norte mais uma desculpa básica para renunciar à reforma administrativa do Estado, que é como quem diz, à Regionalização, alegando a sempre "utilitária" crise. É uma peta antiga, infantil, mas para um povo sem brio nem orgulho como o nosso, a peta ainda pega. Isto explica de per si o total descaramento, a completa falta de respeito que os políticos demonstram pelos eleitores e Sócrates não será seguramente o último. Outros se lhe seguirão, vão ver. No horizonte político não se vislumbra ninguém com capacidade para inverter esta tendência, com a agravante de o "exemplo" ser copiado por uma classe empresarial arcaica e oportunista.

Como eu gostava de viver num Norte Unido, que fosse capaz de se organizar e de lançar ao mais profundo desprezo os próximos actos eleitorais, deixando completamente  vazias as urnas de voto.  É isso mesmo. Sou um sonhador, eu sei, mas pela minha parte garanto-vos que farei desse sonho realidade.

Ah, pois...há o Movimento Pró Partido do Norte. A esse irei acompanhá-lo e apoiá-lo até ao fim. Depois, veremos se tenho ou não razão...

04 junho, 2008

"A porca da Política"

Esta imagem satírica da autoria do famoso Rafael Bordalo Pinheiro, devia ser uma realidade de um passado distante, de uma ditadura remota. Mas, não é. Continua em "democracia", perfeitamente actualizada e carregada de um simbolismo ainda mais pertinente...
Ela permite-nos inúmeras reflexões, incluindo a de questionarmos a mais valia desta democracia e destes políticos em comparação com os processos e manhas do anterior regime. Não há grandes diferenças.
Se pelo menos esta espécie de "porcos" permitisse transformá-los em verdadeiros leitões...
Senão, vejamos como reza uma das muitas definições ideárias sobre a Democracia:
"As democracias protegem de governos centrais
muito poderosos e fazem a descentralização do govêrno a nível regional e local, entendendo que o govêrno local deve ser tão acessível e receptivo às pessoas quanto possível."
Está-se mesmo a ver que é assim é. Tudo gente séria...