É consensual que a força da comunicação social é difícil de domar, mas não impossível. Essa força divide-se por vários órgãos e tem diferentes intensidades, sendo a televisão a que mais influência exerce sobre as audiências. Esses poderes não são inocentes, são até "bem" explorados, mas também são muito consentidos.
Os média, vivem dos mercados, e nós teimamos em querer ignorar que os mercados somos nós. Temos contudo um grande óbice no combate a esses poderes, que consiste na dificuldade em nos unirmos e mobilizar-nos para lutar por grandes causas.
Queixamo-nos, com razão, que temos uma comunicação social sectária, mas continuamos sem perceber que não temos ninguém com idoneidade para a dirigir e controlar, embora não faltem por aí entidades reguladoras sem qualquer serventia prática. Este é aliás um problema extensível a outros sectores, a começar pelos governos e a terminar na própria Constituição. Portugal está desgovernável, e não é de agora. Temos legislação, e não fazemos o principal, que é respeitá-la. Depois, temos líderes de fachada, sem categoria, o que os transforma em inúteis parasitas. Só nos resta uma coisa: a mobilização cívica. Mas até isso rejeitámos, sempre à espera que um qualquer D. Sebastião faça o que nos compete. Assim, não vamos lá.
Queixamo-nos, com razão, que temos uma comunicação social sectária, mas continuamos sem perceber que não temos ninguém com idoneidade para a dirigir e controlar, embora não faltem por aí entidades reguladoras sem qualquer serventia prática. Este é aliás um problema extensível a outros sectores, a começar pelos governos e a terminar na própria Constituição. Portugal está desgovernável, e não é de agora. Temos legislação, e não fazemos o principal, que é respeitá-la. Depois, temos líderes de fachada, sem categoria, o que os transforma em inúteis parasitas. Só nos resta uma coisa: a mobilização cívica. Mas até isso rejeitámos, sempre à espera que um qualquer D. Sebastião faça o que nos compete. Assim, não vamos lá.
Por incrível que pareça, a paixão clubista do futebol provoca reacções de repúdio mais enérgicas do que a própria desonestidade governativa. O povo dispõe-se mais depressa a extremismos por motivação clubista, do que por descontentamento político-governativo. Os governantes sabem-no, e por isso cada vez se preocupam menos em agradar ao povo, deixando cozer em lume brando as querelas entre clubes, porque tal lhes convém. Protegendo e favorecendo o Benfica, deixam uma mensagem proteccionista aos seus numerosos adeptos [eleitores], esperando que essa protecção reverta a seu favor em termos políticos. É neste pé que as coisas andam.
Sendo Pinto da Costa um dos melhores dirigentes desportivos do mundo [não confundir c/ o mais rico], idolatrado pela maioria dos portistas, a relativa apatia com que os adeptos reagiram à caça rija que lhe foi movida pela comunicação social confirma a ideia de que até nas questões do futebol existe uma grande incapacidade de mobilização [e de indignação também], o que significa que a "doença" é mais profunda do que se possa imaginar. No entanto, em fóruns, blogues e nas redes sociais portistas, os adeptos não se cansam de manifestar revolta com a discriminação de que o FCPorto e os seus dirigentes são alvo. Mas a revolta não passa disso. As redes sociais ainda não fazem revoluções... Os portistas estão cobertos de razão quando falam do sectarismo da RTP, da SIC e da TVI, ou quando baptizam com os piores impropérios a imprensa escrita desportiva, mas parecem não querer compreender que os destinatários sabem o que estão a fazer.
Nestas circunstâncias, e à falta de quem coloque ordem na comunicação social, o maior gosto que podia ter, era um dia saber que [todos] os portistas tinham renunciado a participar em debates desportivos e opinar nos jornais que atrás referi, numa inequívoca manifestação de solidariedade para com o clube. Não há forma de compreender por que é que muitos ainda o fazem, e custa-me a aceitar que o dinheiro que recebem por tão inglório serviço domine as suas consciências de homens livres.
Miguel Sousa Tavares, gosta muitas vezes de evocar a condição de homem livre para criticar [muitas vezes sem razão] o FCPorto e Pinto da Costa, mas esquece-se que ao escolher a casa do inimigo [A Bola] para o fazer não está a ser coerente, nem muito menos a defender o clube. Ninguém afecta verdadeiramente quem lhe paga... O que ele faz [além de receber uma boa avença], é contribuir para as vendas do jornal, não para a boa imagem do FCPorto. Pessoalmente, prefiro escolher as minhas companhias e afastar-me das que não me interessam, mesmo em ambientes de trabalho. Não pactuo com gente mesquinha, com estafermos, mas ele convive bem com isso. São opções, formas de estar na vida.
O certo, é que, não é pelos portistas participarem em programas de qualidade duvidosa, nem por escreverem em jornais do mesmo nível que inibe essa gente de continuar a tentar prejudicar o Futebol Clube do Porto. Colaborar com quem me ofende, ou com quem ofende alguém que me é caro, é colaborar com o inimigo. E não importa aqui saber se o inimigo é empresa ou pessoa [as empresas têm pessoas]. E se outros pensam o contrário, é porque pouco se importam de ser como aqueles que oferecem avenças: uns sabujos vendidos.
O certo, é que, não é pelos portistas participarem em programas de qualidade duvidosa, nem por escreverem em jornais do mesmo nível que inibe essa gente de continuar a tentar prejudicar o Futebol Clube do Porto. Colaborar com quem me ofende, ou com quem ofende alguém que me é caro, é colaborar com o inimigo. E não importa aqui saber se o inimigo é empresa ou pessoa [as empresas têm pessoas]. E se outros pensam o contrário, é porque pouco se importam de ser como aqueles que oferecem avenças: uns sabujos vendidos.
Bem diz o ditado: quem gosta de todos, não gosta de ninguém.



