Não vou votar. Sim, é justamente isso que tenciono fazer. Eu não vou votar. E digo isto sem falsa valentia, mas com um sentimento misto de decepção e respeito. De decepção, por me sentir compelido a afastar-me de um direito democrático importante como devia ser o acto de votar, por não confiar na classe política. De respeito, por ter o prazer solitário, mas firme, de confiar mais em mim próprio, do que naqueles que se candidatam e recandidatam a «governar» o país. Desculpem a aparente arrogância, mas eu sou muito mais respeitável que todos estes actos eleitorais. E por quê?
Bem, primeiro porque nunca me candidatei a nenhum lugar público para fazer promessas ao povo sem, sistematicamente, as cumprir. Segundo, e por inerência da razão anterior, por não repetir o logro, como costumam fazer os políticos. E terceiro porque como cidadão do Porto me sinto duplamente traído.
O desprezo que estes velhacos têm dedicado ao Porto, incluindo alguns desta mui nobre cidade, é talvez a maior das razões. Por isso, agora é a minha vez de os desprezar a eles. Serei só eu? Talvez. Agora, já imagiaram qual seria o futuro destes incapazes se todos fizessem o mesmo? Estariam talvez numa empresazita à altura da sua mediocridade a lutar pela vida, com as habilidades que usam na política. No Governo é que nunca teriam lugar.
Mas, há cordeiros, ou gente com excesso de boa fé, ou simples bondade [para não lhe chamar outra coisa, nem ofender ninguém], que apesar de estar a ser tratada como cidadãos de nível inferior, continua disposta a dignificar uma democracia sem dignidade nenhuma. Recorda-me, o medo do pecado que os padres antigamente inculcavam na mente dos crentes, quando alguém ousava raciocinar pela sua própria cabeça, ou apenas contestava a existência de Deus. Hoje, com a política, há muita gente que vai votar por votar, ou porque ainda sentem o zumbido no ouvido dos banhas da cobra a estigmatizar o direito de abstenção.
O voto em branco, é um voto idiota, serve para uma contabilidade inútil e é um acto de subserviência para com um Estado que não merece o respeito dos cidadãos. E eu, tenho o terrível hábito de só respeitar quem me respeita a mim. Que hei-de fazer...

