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09 julho, 2010

Lobos com pele de cordeiros

Os espanhóis José António Lopez, Conselheiro da Presidência da Junta de Castela e Leão e Alfonso Valenzuela, conselheiro da Presidência, Administração Pública e Justiça da Junta da Galicia , foram convidados pela CCRN para opinar num seminário sobre a Regionalização sem saberem que uma grande parte dos anfitriões não estava ali para os ouvir, mas para fingirem que os ouviam. 

Este convite, está na cara, não passa de mais um embuste centralista para atrasar o processo da Regionalização. É fundamental denunciar  esta estratégia para tentar travar a dinâmica de um Movimento cívico com fortes possibilidades de afirmação nacional. Como há dias escrevi, daqui em diante vão multiplicar-se os "programas/debates" sobre a causa regional, vão levantar-se novos fantasmas e  inventar-se novos perigos separatistas. 

Não há nada mais previsível do que o criminoso voltar ao local do crime.  Os centralistas são os criminosos, os locais do crime os media, e  a Regionalização a vítima. Já está a acontecer. Tudo, o que destes protagonistas vier, não vem por bem. Não tenhamos a menor dúvida.

Das declarações de José António Lopez, queria destacar estas:  Em Espanha, ditadura é igual a centralismo,  democracia é igual a descentralização. Eu gostaria de acrescentar que em Portugal, também. Só com uma grave diferença entre as realidades dos dois países: é que em Espanha a ditadura é passado, em Portugal está a acontecer. Mesmo decorridos 40 anos após a morte de Salazar. Quem melhor que os nortenhos, o poderá confirmar?

Ps-É da maior importância acelerar a dinâmica do Movimento PPNorte. Não tarda, teremos a tribo pró-anti regionalista invadindo tudo  quanto é comunicação social centralista para "debater" a Regionalização e quando dermos por ela ainda vão dizer que fomos nós que chegamos depois...

22 abril, 2010

Iniciativas regionais com benefícios internacionais, em Aragão

O Governo de Aragão é o principal impulsionador de um projecto que prevê aproximar a Península Ibérica do resto da Europa através de um túnel ferroviário de 40 quilómetros debaixo dos Pirenéus, precisamente na zona onde eles são mais altos.
Para isso, foi criada a Fundación Transpirenaica, da qual fazem parte o Governo regional e 19 parceiros entre associações empresariais e comerciais e as duas principais centrais sindicais espanholas (Comissiones Obreras e UGT).

A justificação para este investimento radica na constatação de que a travessia daquela cordilheira está congestionada porque só pode ser feita pelas suas extremidades mediterrânica e atlântica. Segundo os dados mais recentes, mais de 20 mil camiões cruzavam diariamente a fronteira hispano-francesa, o que dá uma média de sete veículos pesados por minuto em Irún e La Junquera. E quem já viajou pela auto-estrada que liga San Sebastian a Irún e Bordéus depara-se com um muro contínuo de camiões.

Quanto ao caminho-de-ferro, só 4,5 por cento das mercadorias que cruzam a fronteira entre Espanha e França são transportadas por comboio (entre Portugal e Espanha essa percentagem é de quatro por cento). Pela fronteira de Irún-Hendaya passam todos os anos, sobre carris, 1,9 milhões de toneladas de mercadorias e por Cerbére-Port Bou 2,5 milhões. Em ambos os lados, as infra-estruturas estão congestionadas e também não é de esperar que a linha de alta velocidade em construção entre Barcelona e a fronteira francesa venha resolver o problema, uma vez que se destina essencialmente ao tráfego de passageiros e não de mercadorias.

Natalia Blásquez, directora da Fundación Transpirenaica, diz que para evitar o colapso a solução passa por um corredor ferroviário de grande capacidade no qual possam transitar entre 40 e 50 milhões de toneladas anuais, aproveitando os nós logísticos de Saragoça, Madrid, Toulouse, Bordéus e o Levante espanhol. Mais: tal projecto seria decisivo para se poder escoar para o resto da Europa os tráfegos provenientes dos portos de Sines, Lisboa e Algeciras.

Para já, a Comissão Europeia escolheu-o como um dos 30 projectos prioritários declarados de interesse europeu, atribuindo-lhe o número 16 e chamando-lhe "corredor Sines/Algeciras-Madrid-Paris com Travessia Central dos Pirenéus de grande capacidade". Os estudos estão fixados em 10 milhões de euros, dos quais cinco milhões são financiados pela Comissão e o restante pelos estados espanhol e francês.

Natalia Blásquez diz que o próprio presidente Barroso e o comissário europeu dos Transportes, Jacques Barrot, expressaram publicamente o seu apoio a este projecto, que coincide com a estratégia ambiental de Sarkosy "que passa por favorecer os investimentos no transporte em comboio e barco em detrimento da construção de novas auto-estradas".

Num cenário que apelida de "optimista e realista", a directora crê que em 2015 poderão ter início as obras e que a inauguração poderá ocorrer em 2025.

Não por acaso, a Fundação Transpirenaica se situa em Saragoça, sendo o Governo Regional de Aragão o principal promotor do projecto. A cidade pouco conhecida que fica no meio da meseta não se limitou a viver um momento efémero de fama aquando da Exposição Mundial de 2008 (dedicada à água) e não ignorou as potencialidades de ter o comboio de alta velocidade espanhol a ligá-la a 300 km/h a Madrid e Barcelona, e uma aposta estratégica que se revelou um êxito - decidiu criar a maior plataforma logística da Europa, que é três vezes maior do que a segunda, em Berlim.

Ao todo são 13 milhões de metros quadrados (onde já se instalaram desde 2002 mais de 200 empresas) e que contém no seu interior um aeroporto e o maior terminal ferroviário de mercadorias da Europa.

Segundo Alfonso Vicente, conselheiro de Obras Públicas do Governo Regional de Aragão, o investimento - de 2,5 mil milhões de euros - foi financiado em 51 por cento pela própria região autónoma, 12 por cento pela cidade de Saragoça e os restantes 36 por cento pela banca. Um exemplo do funcionamento desta plataforma logística é a vinda, semanal em avião, desde a África do Sul, de 130 toneladas de peixe fresco para abastecer uma rede de supermercados espanhóis.
 
Obs. - A fonte deste artigo  é do Jornal Público