Segunda-feira, 6 de Junho de 2011

Quando...


Serviço... PS /PSD/ CDS
...indicadores económicos da UE colocam Portugal com níveis de pobreza e injustiça social inaceitáveis para um país europeu que integra desde 1986 o "clube dos ricos".

Quando, Portugal detém a produtividade mais baixa da UE, pouca inovação e dinamismo empresarial, formação profissional deficientes, mau uso dos fundos públicos, com excessivos gastos e maus resultados...

foi o país que mais benefícios recebeu por habitante em assistência humanitária nos últimos 18 anos, sem nunca se chegar a saber exactamente onde foram  parar os fundos comunitários.

Quando, Portugal é o país da UE onde os salários médios e mínimos são os mais baixos e a desigualdade social é maior...

os administradores das empresas públicas recebem os salários mais altos da UE, e são os próprios a fixar os seus ordenados [ e não, como defendem, o mercado]...

que sentido fará votar, se os eleitores continuam a apostar nos partidos responsáveis por esta súmula de corrupção e incompetência? Ouviu, senhor Cavaco? É a si, também, que coloco esta questão. Para si, que se acha no direito de entrar pela minha casa [e na de outros] para "me aconselhar" sobre a decisão de votar, como se fosse alguém mais responsável que eu. Não, não é, senhor Cavaco, e sabe por quê? Porque antes da sua vontade, está a minha, antes do seu cérebro, está aquele em que mais confio: o meu.

Até porque, não foi minha, a [ir]responsabilidade de ter nomeado Dias Loureiro para Conselheiro de Estado...

Rescaldo eleitoral

Tem absoluta razão  Pedro Baptista, em afirmar que se "se vivêssemos numa democracia   real, derrotaria com facilidade Aguiar-Branco do PSD, Assis do PS, Ribeiro e Castro do CDS, João Semedo do BE e Honório do PCP, porque todos eles, tendo descoberto nas últimas semanas os encantos do Porto eleitoral, nunca abriram a boca no parlamento, nem quanto ao roubo dos fundos do QREN desviados para Lisboa, nem quanto à situação de ser o Norte Litoral a única região a pagar as SCUT..."  E como não havia de ter razão, se o que ele diz corresponde a uma realidade concreta, orfã das "muletas" de uma comunicação social oportunista e desonesta, que consegue esta coisa paradoxal, que é manter próximo do poder os três partidos [PSD, PS e CDS] mais responsáveis pela gravíssima crise que o país atravessa?

Pois é. Mas, apesar disso, inexplicavelmente, continuará a haver quem olhe de soslaio para os pequenos partidos, sobretudo para aqueles que não conseguiram votos suficientes para terem direito a um lugar no Parlamento... Logo, estas declarações de Pedro Baptista, sendo correctas e factuais, nem sequer vão ser reproduzidas nos jornais gratuitos, porque a máquina de propaganda centralista não o permite, abafando assim as vozes incómodas ao regime. Foi a fórmula que o regime encontrou de praticar actos pidescos, prescindindo dos métodos demasiado grosseiros da polícia política de Salazar, passando assim por democrático... 

Segundo o jornal "i", o PDA/MPPNorte, obteve 4601 votos, colocando-o à frente do POUS com 4531 [o Público inverteu estas posições], o que é manifestamente inexpressivo, embora um bocadinho melhor do que muitos esperariam, tendo em conta a abissal desigualdade de meios comparados com os outros partidos.

A "classificação" por cidades do Movimento que ousou fazer despertar da "amnésia geral" político-partidária o tema da Regionalização, ficou assim ordenada:


  1.  Porto .................     com    2217 votos 
  2.   Braga.................      com     592 votos
  3. Aveiro..................    com     397 votos
  4. Açores.................     com    371 votos
  5. Viana do Castelo.....  com    195 votos
  6. Guarda .................    com    200 votos
  7. Bragança.................  com    143 votos 
  8. Vila Real................   com     122 votos
Total......................    4237 votos

De destacar, os cerca 41% de abstencionistas que, contrariamente às opiniões de certas autoridades [para mim pouco credíveis], são para respeitar e reflectir... Foi "apenas"  o "partido" mais votado!

Considero um direito, tão legítimo como qualquer outro, rejeitar pura e simplesmente o acto eleitoral. A incapacidade para um novo partido se afirmar no actual cenário político nacional, por mais meritórios que sejam os seus projectos, justifica-o plenamente.

Que o diga, o Movimento Pró Partido do Norte. Intelectualmente, isto, não é democracia, é sim, uma tentativa de encaminhar gente adulta de regresso ao estado infantil, .

Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

Ballet(Swan Lake) by Kirove Ballet

Regionalização e os Partidos

PDA/MPPNORTE
Posição enviada pelo PDA ao blogue «Regionalização»


O PDA, pela voz de Ricardo Fonseca, escreveu no nosso blogue a sua posição sobre a Regionalização e reforma administrativa, que passo a transcrever:

«Caros senhores,

como membro do Movimento Partido do Norte, cujos elementos oriundos de todos os cantos do Norte integram como independentes as listas do PDA nos círculos do Norte do País, deixo aqui o endereço para 10 medidas que consideramos urgentes para o País mudar o seu rumo.

Pela leitura que faço desta pré-campanha e agora campanha eleitoral, nenhum dos outros partidos pretende regionalizar o continente, por outro lado, nós abertamente defendemos as autonomias regionais, esta é a nossa bandeira! Por outro lado e pela manifesta negação da classe política para avançar com a Regionalização, na minha modesta opinião, este não é propriamente o período para levantar questões de pormenor, mas sim de juntar esforços para que uma força política possa definitivamente colocar na agenda política nacional o tema.

Gostaria também de os informar que o bloqueio à nossa mensagem é gritante, todos os outros partidos sem expressão parlamentar já tiveram várias aparições na imprensa nacional, por outro lado nós somente temos visibilidade na imprensa regional, o que também deixa transparecer o incómodo que é este assunto para o País, pois em termos noticiosos sempre é alguma coisa diferente para passar no telejornal.»

Ricardo Fonseca

Quinta-feira, 2 de Junho de 2011

Prosperidade à portuguesa

"Há falta de mão de obra, na indústria do calçado". Foi com este título que o JN abriu a página de economia do passado dia 30. Como podem imaginar, esta originalidade motivou logo a minha curiosidade, até porque abordava um assunto que já me se serviu de inspiração para vários artigos. Fiquei então a saber, que as indústrias de calçado não têm pessoal suficiente para satisfazer as encomendas internacionais, tendo por isso sido obrigadas a adiar encomendas do Verão para o fim do ano. Pela mesma razão, algumas empresas tiveram de assinar um protocolo com o Governo para dar formação ao pessoal e assim lhes facultar condições para serem admitidas. Até aqui, tudo bem.

Segundo o Secretário de Estado do Emprego, há falta de gente no sector inscrita nos centros de Emprego, e a formação é morosa e complexa. Ora, a ser verdade isto, não se consegue compreender o outro lado do problema, ou seja, que o salário máximo de um trabalhador não ultrapasse os 600 euros! O médio, anda pelos 475 euros, que é o valor do salário mínimo nacional! Se cada trabalhador tiver de pagar de renda de casa 300 ou 400 euros, é só fazer as contas para saber quando é que lhes sobra para o resto.

E é assim, entre contrastes desta natureza, que o leitor atento tem grande dificuldade em entender determinado tipo de perguntas, como aquelas que a jornalista do JN fez a um professor de Direito do Trabalho e que começava assim: como observa a prosperidade da indústria do calçado? O inquirido, lá foi dizendo que nem todas as fábricas precisavam de mão de obra, e que essa questão era apenas um sentimento, porque [cito] quando se contratam pessoas para cargos mais altos não se dá o problema dos salários, e o emprego já é interessante. Agora, se falarmos de um operário certamente que não vai ganhar sequer mil euros. [o sublinhado é meu].

Continua, lamentavelmente, a ser esta - medieval e exploradora -, a mentalidade do empresariado português. Fanfarrões, exibicionistas e novos-ricos, e sem qualquer respeito por quem para eles trabalha! A ideia de prosperidade é unipessoal, não admite partilha. Boas casas, bons Ferraris, e vida de sultão, em regime de exclusividade, é essa a sua noção da sociedade e da justiça! Ninguém os convence que um trabalhador mal pago, é potencialmente um trabalhador improdutivo, e alguém cujo poder de compra o impossibilita de contribuir para a prosperidade de outras empresas, logo, para o crescimento da economia nacional. Mas estas, são questões que os senhores jornalistas raramente se lembram de colocar aos sultões. PS e PSD, sabem-no, mas preferem as peixeiradas eleitorais do costume. 
Eles sabem muito bem, o povo que têm...

PS-Resumindo: sempre que ouvirem políticos a atribuir aos subsidiários do Rendimento Mínimo as culpas de todos os males do país, risquem-nos imediatamente da lista de candidatos ao poleiro. 

O mesmo se aplica aos "empresários" que andam para aí a convencer a plebe que as pessoas não querem é trabalhar. Não aceitem trabalhos mal remunerados, porque isso é aquilo que não devem fazer.  

Quarta-feira, 1 de Junho de 2011

Estranho

Confesso a minha perplexidade, o que pode levar alguém ao voto contra os seus mais elementares interesses?
Que motivo terá um pensionista para votar no congelamento da sua pensão durante três anos? Uma medida que, descontada a inflação previsível, representa uma perda de pelo menos 10 por cento da remuneração, medida em poder de compra... Só consigo encontrar uma explicação. Se a referida reforma for como a de António Vara, talvez a consciência cívica fale mais alto do que a volúpia do dinhero infinito. Mas isso é se o referido pensionista for mesmo da classe dos eleitos. A minha perplexidade paira é sobre o reformado de mil euros, ou o de 500 euros ou o de 291 euros, que se encontra exactamente na média das pensões deste país.

Pergunto-me também sobre o que poderá levar uma funcionária pública, seja ela a mulher de limpeza de uma autarquia, ou uma enfermeira de hospital, ou mesmo uma professora, a poder votar em quem lhe quer congelar o salário e aumentar brutalmente a conta da electricidade?

Nestes casos, os vencimentos oscilam entre os 485 euros de salário mínimo e os 1200 de um salário bem mais alto do que médio, embora longe do auferido por gestores do sector empresarial do Estado. É, confesso, a minha perplexidade.

Uma perplexidade que volta a estar presente quando vejo um jovem, precário como todos os da sua idade, pensar que a abstenção ou o voto nos partidos das jotas pode ser uma saída para a sua condição de adulto condenado à adolescência até aos 40 na casa dos pais. De facto, o que pode levar alguém ao voto contra os seus mais elementares interesses?

A condição material não é tudo. As pessoas preocupam-se, com razão, sobre o modo como o Estado é gerido. E quando votam, fazem-no em nome de uma certa ideia de Estado. Por exemplo, porque votará um eleitor socialista no seu partido quando este, explicitamente, quer que o PSD também vá para o seu governo? Isto seria normal... não se desse o caso do PS dizer cobras e lagartos do PSD. Por outro lado, porque votará uma eleitora social-democrata em Passos Coelho se já se percebeu que o problema deste não é com o PS mas com José Sócrates? Também esta seria uma dificuldade menor, não se desse o caso do discurso oficial ser o de que os laranjas só governarão com os azuis do CDS.

Quer-me bem parecer que, nestes casos, o voto só é útil para quem o recebe. Ou alguém acredita que as virtudes chegam quando se metem todos os despesistas à mesa do orçamento? Mas isto sou eu a conversar com os meus botões e a duvidar de todas as sondagens, salvo no ponto em que dizem que são muitos os que não sabem ou não querem responder...

Miguel Portas

[Jornal SOL]