14 agosto, 2009

Medina Carreira

Ontem, publiquei aqui o vídeo da entrevista de Medina Carreira à SIC sem ter a pretensão de focar exclusivamente na sua pessoa alguma relevância especial - porque o que ele disse, só poderá surpreender os lunáticos -, mas pelo facto de ser um ex-ministro das Finanças do PS a fazê-lo e, porque, apesar de tudo, teve a dignidade de abandonar o cargo que então ocupava por discordar da política económica que estava a ser seguida. Hoje, são cada vez mais raros os que tomam resolução tão "simples"...
Depois, não me parece justo despí-lo radicalmente de competências, só porque foi mais um "que nada fez". Já aqui o disse várias vezes, que o grande problema da nossa e de outras democracias, é não estarem preparadas para «obrigar» as várias componentes governativas [ministérios, secretarias, etc] a inter-agirem com a naturalidade de uma engrenagem mecânica, a cooperarem, de modo a todos tomarem conhecimento dos assuntos sem complexos nem autoritarismos para tomarem as melhores decisões. Como tal não acontece, os bons políticos e funcionários, são esmagados pela burocracia dos pequenos/grandes poderes dos gabinetes dos aparelhos e "comem por tabela" com as más prestações de todo o Governo.
Medina Carreira, não nos interessa a nós nortenhos, porque como já sabemos é um anti-regionalista primário, mas é um homem que merece algum respeito. Foi bacharel em Engenharia Mecânica, licenciou-se em Ciências Pedagógicas, em Direito e, curiosamente, frequentou o curso Superior de Economia e Gestão, sem o terminar, curso esse mais apropriado para o cargo de Ministro que acabou por desempenhar.
Apesar de me ter decepcionado o seu anti-regionalismo, para o qual não apresentou argumentos consistentes, foi pondo o dedo na ferida dos problemas e embaraçando o pivot do programa que com sucessivas tentativas de "normalizar" a entrevista, foi [mais uma vez] completamente ridicularizado. Mais. Voltou a disponibilizar-se, para debater com o próprio Sócrates, coisa que, pelos vistos a SIC de Pinto Balsemão não parece estar muito interessada, ou então, o próprio Sócrates...
Para ter brilhado, só lhe faltou, ter evidenciado uma visão mais abrangente do país, menos lisboa-dependente. Comparou os tempos de hoje, com os tempos miseráveis de Salazar, mas não foi capaz de revelar a mínima preocupação com a miséria acrescida a Norte de Portugal.

2 comentários:

dragao vila pouca disse...

Será que a azia dele em relação ao PS é só por discordar das políticas? Será que não tem a ver com uma certa reforma fiscal?

Bom fim-de-semana

Victor Sousa disse...

e a "estratégia" da TAP para o Porto?
Não merecem uma análise, os ditos do senhor Pinto?