06 junho, 2010

A nossa ideologia

Tenho a impressão, para não dizer a certeza, que o início deste Movimento está a criar uma dinâmica que ameaça tornar-se imparável. Os nossos adversários, que estão atentos e já o perceberam, irão tentar tudo para nos descredibilizar e em última análise, nos destruir.

Uma das críticas que já apareceu é que somos um partido sem ideologia, como se eles, os outros, tivessem princípios dignos dessa designação. A prática corrente desses partidos é uma noção elástica, recauchutável, e finalmente descartável das suas "ideologias". Quem tem telhados de vidro não devia atirar pedras aos dos vizinhos.

O peculiar funcionamento dos partidos políticos portugueses é, em minha opinião, a causa primeira da baixa qualidade da democracia em Portugal - que certamente o Eça classificaria de "democracia traduzida em calão"- e acredito que é também a causa da contínua degradação da qualidade dos nossos governantes, na medida em que os melhores não se sentem tentados a misturar-se com tão fracos personagens, abrindo assim caminho para "carreiristas" aventureiros. Governantes de baixa qualidade não podem produzir governação de alta qualidade, e é por isso que, crises mundiais à parte, hoje estamos como estamos.

O Movimento Pró-Partido Norte propõe-se contribuir para mudar esta lamentável situação, incluindo óbviamente a substituição do actual super-centralismo político e económico, por um mais saudável, justo e moralmente aceitável policentrismo. Por outras palavras, o Movimento pretende claramente defender e ser a voz do Norte, mas não enjeita responsabilidades em relação a todo o país, e por isso será mais que um simples partido local. Nós queremos, entre outros objectivos, terminar com a actual divisão de portugueses : uma minoria de colonizadores e uma maioria de colonizados.

Os nossos detractores dirão que isto é um programa, não uma ideologia. Eu digo que é uma ideologia, e digo mesmo que vale muito mais que as ideologias "faz-de-conta" que os outros partidos apregoam.

6 comentários:

Anónimo disse...

http://www.youtube.com/watch?v=3Vw6bbqXm2A&feature=related

dragao vila pouca disse...

Hoje é a ideologia, amanhã será outra coisa qualquer... Quanto mais o movimento se afirmar, mais tentativas de lançar a confusão, a divisão e a polémica irão aparecer. Nada de novo, nada que quem está no movimento não estivesse à espera e preparado para resistir.

Um abraço

Marquês de Pombal disse...

Lamento (se me é permitido) discordar, mas um partido que nasce sem ideologia é pasto certo de carreiristas/oportunistas que pululam no burgo. Ainda não ouvi falar da doutrina social e económica preconizada por este movimento, não sei se é liberal, conservador ou socialista; não ouvi também mais que críticas ao centralismo sem mencionar um verdadeiro projecto que mobilize o Norte e lhe restitua o seu protagonismo mediante a valorização do seu tecido empresarial/laboral com políticas de protecção à produção interna e protecção laboral. Não nos esqueçamos que o importante são as pessoas e que, quando estas se veêm abandonadas, desacreditam tudo o que seja política. Já agora é curioso ver Pedro Batista e Anacoreta Correia neste movimento. O primeiro nada fez contra o atropelo constitucional de Guterres, submeter a regionalização a referendo; o segundo vem (e ainda pertence) a um partido que luta contra a regionalização; maus indícios...Será que é o Norte que precisa de um bom partido (ou movimento, como queiram) ou é o País que precisa de um governo justo?

victor sousa disse...

Não estou de acordo com as críticas à ideologia, ou falta dela, que aqui se fazem
Tomando o PS como exemplo, que é o mais versátil partido ideológico, tem no consulado deste secretário geral, que fez o estágio de ideologias no PSD, onde até fazia trabalho de base, colando cartazes, e que agora se tornou um grande educador, com o "socialismo moderno" primeiro, e agora com o "socialismo reformador".
Ora perante tão indesmentível capacidade política, onde, senão no partido do senhor Renato, se encontra a melhor defesa dos regionalismos?

Rui Valente disse...

Senhor Marquês de Pombal,

Como cidadão do Porto, cansado de ser tratado como cidadão de 3ª. num país que se apregoa uno e indivísivel, mas cujos governantes mais não têm feito do que o dividir,não dou como válidos os seus argumentos sobre a origem dos oportunistas/carreiristas.

Tenha um partido a ideologia que tiver, é incontornável, eles tratarão de aparecer. Os oportunistas... São uma praga,e estão em todos os Partidos e em toda a parte. O que verdadeiramente importa é que possam ser detectados e expulsos na hora certa. Mas para isso, é preciso começar por fazer bem as coisas, e a mim, parece-me sensata a ideia de, numa 1ª.fase criar um Movimento, e mais tarde, depois de devidamente estruturado, avançar para um Partido. Ora, é assim que o Movimento do Partido Pró Norte tenciona proceder. E eu concordo.

E concordo igualmente com a IDEOLOGIA. A «ideologia», é defender o Norte, porque é indiscutivelmente o Norte que está a ser mais flagelado pelas vicissitudes do centralismo. Como tal, é ao Norte [a parte lesada] que compete defender-se, porque mais do que uma ideologia, é UM DEVER, UMA IMPOSIÇÃO DE CONSCIÊNCIA QUE SÓ PECA POR TARDIA.

Portanto, para já, é secundária para mim a questão programática [lá virá, mas deve ser a isso que se refere]. A nossa motivação é outra. É reivindicar de forma pragmática, com os mecanismos institucionais ao nosso alcance, o direito do Norte de ser tratado com critérios de justiça e patriotismo rigorosos. Coisa que não acontece. Os partidos políticos existentes não nos defendem nem representam como deviam. Portanto, como não acredito em milagres e muito menos em promessas de vigaristas, é por algo novo que temos de começar...

Quanto às suas especulações sobre alguns dos protagonistas do Movimento, não as vou comentar, porque são especulações. O que lhe digo, é que, como nortenho sinto que é preciso agitar as águas. Há momentos de ruptura que não são compagináveis com os "bons costumes", com o "fazer tudo direitinho", sob o risco de ficarem adiadas ad eternum.Mas, como lhe disse anteriormente, o criar um Movimento é uma decisão acertada.

Este, é pois,um desses momentos. E o Norte, meu caro, está muito, mas muito pior que o resto do país. Apesar de ser a região que lhe acrescenta mais riqueza...

Paradoxal, ou intrigante?

Rui Farinas disse...

Ao Anónimo Marquês de Pombal.

O Rui Valente já respondeu adequadamente ao seu comentário.
Quero apenas acrescentar que é preciso notar que o Movimento nasceu, pode dizer-se,há duas semanas. Exigir já "um verdadeiro projecto que mobilize o Norte" não será pedir demais? Dê tempo ao tempo, lá chegaremos!
Quanto à etiqueta que pretende colar ao Movimento- "liberal?","conservador?",
"socialista?" - eu pessoalmento não me preocupo com isso,na medida em que todos estamos cansados de ver "rótulos na embalagem" que não correspondem ao conteúdo. Mais importante que o rótulo é a prática política, e neste aspecto estou certo que o futuro Partido estabelecerá a diferença em relação à prática centrada nos interesses próprios, virada para dentro,dos partidos que nos têm governado, e cujos resultados estão à vista.