01 julho, 2010

Carlos Queiroz, o novo "Cristo" do Centralismo

O que aqui vai escrito será muito improvável lermos na comunicação social tradicional sem  a fuga ao impacto fatal com as suas próprias incoerências. Por quê? Porque já decorreram anos demais  de leituras e audiências para não nos darmos conta dessas incoerências. Incoerências essas que não são mais do que a irresistível obediência ao €uro...

Já sabemos, de cor e salteado, ser possível  vermos no mesmo canal de televisão debates, aparentemente com objectivos pedagógicos, sobre a problemática da violência e pouco tempo depois [por vezes apenas algumas horas], de diversas formas, a incitá-la. A obsessão pelas audiências dá nisto, o que equivale a dizer, dá na má informação. Portanto, dificilmente o Renovar o Porto será seleccionado para merecer a atenção dos jornais, embora, talvez por  efémera distracção tal já tenha pontualmente ocorrido.

É por essas e por outras que sou contras os ismos. Os generalismos, por exemplo, quase sempre resultam em alienação. E a Comunicação Social, salvo honrosas e parcas excepções, é a maior amiga dos ismos. Primeiro afaga ligeiramente o ego dos protagonistas para numa segunda fase o destruir. O que importa  sobretudo é a cotação no mercado do valores das vítimas. Foi assim com Pinto da Costa e é agora com Carlos Queiroz. Mas, vamos aos finalmente.

Os retalhos da imprensa estrangeira abaixo plasmados não poupam, como poderão ler, o galáctico Ronaldo, e sinceramente, apesar destes também poderem servir de amostra para o que atrás citei, creio que no caso concreto em apreço, têm alguma razão. O desfecho do jogo da selecção nacional contra a Espanha era previsível porque tem sem dúvida a melhor equipa. Não está aqui em apreciação a qualidade de Carlos Queiroz  enquanto técnico, porque nunca foi um treinador consensual. Por isso, e tendo em consideração o seu perfil enquanto Homem, o limite das nossas críticas  não devia ultrapassar a barreira da moderação. Pessoalmente, não o aprecio no ofício, mas respeito-o enquanto Homem.

É por me dar conta do cerco que certos sectores bem identificados dos media lhe estão a mover, que escrevo este post. Começou a época da matança, e o "animal" agora eleito chama-se Carlos Queiroz. Ei-la a Nova Santa Inquisição, feroz e pujante como noutras ocasiões. Há que atalhar caminho e diabolizar o Homem, só assim serão garantidas as audiências e a venda dos pasquins. Os directores de jornais e televisões autorizam, e o patrão agradece. O bom-senso foi de férias [ou nunca chegou a ir].

Muito mais criticável, ainda que com alguma responsabilidade do seleccionador, foi a postura de Cristiano Ronaldo neste Campeonato do Mundo. Sejam quais forem as razões, as suas prestações comparadas com as dos seus colegas foram impróprias do estatuto de um jogador de eleição. Sem querer cair no exagero da crucificação, porque não gosto do estilo, Ronaldo passeou pouco mais do que arrogância.

Em sentido oposto, destaco todo o sector defensivo da nossa equipa, a começar por esse imenso Eduardo, por um batalhador Fábio Coentrão e por um Raul Meireles que, inversamente ao CR9 tem jogado melhor na selecção do que no seu clube.

Em resumo. Fomos até aos oitavos de final porque para irmos mais além precisaríamos de ter reunidas várias circunstâncias, que não se confirmaram, como sejam: a presença de Bosingwa e Nani, um Ronaldo empenhado [como era o Figo] e um treinador líder antes, durante e depois dos jogos. Como isso não aconteceu, paciência. Apesar de tudo, somos melhores no futebol do que na capacidade de gerar bons políticos. Portanto, não tenhámos mais olhos que barriga. E desprezemos os tristes exemplos dos energúmenos que se afoitaram a ir para a Portela insultar a Selecção e Carlos Queiroz. Esses sim, é que deviam ter vergonha. 







Clicar sobre as imagens para leitura


4 comentários:

R.M.Silva da Costa disse...

De todos os que já tive oportunidade de ler e ouvir, este é o comentário mais sensato, equilibrado e lúcido que podia ser feito sobre as questões essenciais que marcaram a prestação no mundial da selecção nacional de futebol.

Anónimo disse...

e ainda acerca do CRZero, perdão 9, é interessante a postura do nº 1!
Contabilizar os desaires alheios, ele que é mestre de futebol de ataque!
O moleque da Madeira vai ter uma "estrada" para o ano!
É o célebre princípio:
se não os vences...

Rui Valente disse...

Caro RMSilva,

Obrigado pelo seu amável comentário. Afinal, eu só procuro ser honesto.

Um abraço

Anónimo disse...

Que ele devia ser mais ousado em certos jogos! devia, mas por amor de Deus, com as anualidades de alguns jogadores (prima-Donas) já se foi longe de mais. Ou será que a Espanha não é superior à nossa Selecção. Olhem hoje o Brasil já foi para casa.
Quanto à comunicação Centralista! são sempre os mesmos lambe-cus do
clube do regime.

O PORTO É GRANDE VIVA O PORTO.