11 janeiro, 2012

Maçons. Só se for para partir pedra, mas com o ordenado mínimo...

Símbolo Maçónico
Desde há umas três dezenas de anos que tenho comigo o livro "A Maçonaria Portuguesa e o Estado Novo", de Oliveira Marques, cujo prefácio começa por dizer que o objectivo é esclarecer todos os leitores sobre factos e ideias da matéria.

Devo dizer, que não consegui lê-lo até ao fim, tal foi o sentimento de desconfiança que me deixou. Por princípio, suspeito das intenções de qualquer sociedade secreta [embora haja quem diga que o não é], e quando admitem políticos no seu seio, ainda suspeito mais.

A Maçonaria possui normas nalguns aspectos semelhantes às da Constituição da República, mas ao contrário desta, não as altera, porque não precisa de as pôr em prática. A Maçonaria defende a Justiça Social, o aclassismo, a fraternidade, a igualdade e...a democracia. Num país integrado numa Europa desigual e profundamente desgovernada, o espírito da Maçonaria seria  menos ridículo e mais aceitável se servisse de reforço aos valores democráticos. Mas quando estes valores andam pelas ruas da amargura, e o número de pessoas sem emprego sobe assustadoramente, a coisa muda de figura. 

Não gosto de perseguições e defendo fortemente o direito à privacidade individual dos cidadãos, mas a Maçonaria nada tem a ver com a privacidade comum, a Maçonaria é uma sociedade ritualista, fechada e elitista. Quando os governantes se revelam incapazes de administrar com talento e saber os países, com consequências gravíssimas para a vida dos povos, sou a favor da proibição total da participação de políticos em qualquer tipo de sociedades, sobretudo de cariz hermética.

Vou mais longe, ainda. Considero que os políticos também não deviam imiscuir-se no futebol. Ao fazerem-no, perdem o perfil de independência exigível a quem tem de decidir com isenção.  Os políticos, sendo pessoas como as outras, não deviam assumir as liberdades mundanas do cidadão comum. As suas responsabilidades não deviam ter a elasticidade das de um jogador de futebol, requerem outra austeridade, outra elevação, mais próprias de um missionário.

Ao contrário do que alguns defendem, essa irracional "colagem" às bases que permite a uma figura do Estado ir ao futebol com o cachecol do clube ao pescoço, é o princípio da sua desautorização moral e pessoal, enquanto figura pública.

Só isso explica essa aberração da "democracia" moderna que permite vê-los a consumir o tempo - que deviam dedicar à resolução dos problemas do país -, em programas de rivalidade clubísta. Tal costume não pode ser compatível com a grande política, e grande política no sentido nobre do termo, é tudo o que nunca tivemos, antes, e depois de Salazar.


2 comentários:

dragao vila pouca disse...

Rui, é demasiado secreto para o meu gosto. Apenas digo que não tenho, nem quero ter o mérito de pertencer à Maçonaria.

Abraço

Deacon Blue disse...

Se me permitem, sobre isso da maçonaria ou sociedade secreta ou lá o quê, nos tempos que correm, alguém achar que vale a pena a existencia desse tipo de sociedades e, pior, fazer parte delas, e promoverem encontros secretos!!! minha mossa senhora!!!! Não me surpreende nada portanto que os politicos façam parte desse circo porque sobre as suas capacidades para palhaços, já há muito o sabemos....
Que pobreza franciscana num pais de treta, de ladrões e de tesos!

Peço desculpa pelo desabafo!